Logística e Transporte

Variação cambial de químicos exigem mais eficiência do setor

Marcelo Fairbanks
14 de janeiro de 2019
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    A Química Anastácio aumentou para 18 mil m² na Vila Leopoldina e comprou terreno de 10 mil m² adjacente às instalações da Vila Anastácio (ambos na capital paulista). Além disso, possui armazenagem em Santa Catarina. “Operamos em vários portos nacionais, inclusive em Suape-PE e Rio de Janeiro”, comentou.

    No Nordeste, Krueder aponta a crescente sofisticação do mercado, no qual atua com produtos para a fabricação de cosméticos e domissanitários, e está iniciando negócios com PU e farmacêuticos.

    Ele comentou que janeiro e março foram meses com bom desempenho de vendas. Havia expectativa de obter resultados expressivos em maio, mas foi frustrada com a greve dos caminhoneiros. “Pode ser que junho apresente boa recuperação, mas isso vai depender do bom funcionamento dos portos, que ficaram atulhados de cargas”, avaliou.

    Neste ano, a distribuidora investirá R$ 2,5 milhões nos seus sistemas de ERP e CRM, como parte de um grande projeto de TI que está em implantação. “Precisamos de informações mais rápidas, na linha da inteligência artificial, para orientar a tomada de decisões”, considerou Krueder. “Quem não entende o impacto da digitalização no seu negócio vai perder posições de mercado”.

    Mesmo assim, ele não acredita que o setor químico algum dia poderá realizar negócios apenas na modalidade sistema a sistema. “O relacionamento pessoal é fundamental, ele permite agregar novos e melhores serviços”, explicou. No caso da Anastácio, as especialidades tem peso maior e exigem vendas a longo prazo, com comunicações pessoais frequentes. Mesmo as commodities, explicou Krueder, são vendidas de forma customizada, com diferentes embalagens, formas de entrega e outras características que dificultam negociações padronizadas. “O comércio químico é B2B, exige verificar as especificações, atendimento adequado, não é um B2C, venda ao consumidor, como se faz com livros e roupas”, salientou. Mas a gestão de dados permite enxergar melhor o cliente, para atendê-lo melhor.

    Krueder também considera que o cipoal de regulamentações que vigora no Brasil como um impeditivo para a realização de negócios sistema a sistema. “Quando atualizamos o ERP, verificamos que nossa empresa segue 900 regras fiscais diferentes para atuar em todo o Brasil com seus produtos; é um pesadelo”, comentou.

    Some-se a isso as licenças para importação, armazenamento, comercialização e transporte de produtos químicos, com procedimentos diversos, espalhados por vários ministérios e órgãos de controle. “A distribuidora precisa ter um back office muito bom para não sofrer contingências”, recomendou. Essas dificuldades, no entanto, servem para barrar as pretensões dos aventureiros, interessados em trazer cargas esporádicas para o mercado, sem compromissos de longo prazo.

    Petróleo & Energia, Mosseri: Maringá faz 50 anos e confirma vontade de crescer

    Mosseri: Maringá faz 50 anos e confirma vontade de crescer

    Meio século de evolução – A Agroquímica Maringá completa 50 anos de atividades em 2018, com fôlego e caixa para muitas décadas. Fundada por Jacques Mosseri, que ainda comparece diariamente à sede, em Diadema-SP, a distribuidora é comandada por seu filho, Silvio Mosseri. A terceira geração já está sendo preparada para tocar os negócios daqui a alguns anos.

    “Vejo o futuro da Maringá na posição de uma distribuidora química de médio porte, atenta aos clientes e às condições de mercado, muito sólida, com vontade de crescer”, disse Silvio Mosseri. “Temos dinheiro em caixa, nome forte no mercado, instalações adequadas e estrutura comercial para isso”.

    O caminho do crescimento está em oferecer cada vez mais produtos e serviços para os clientes. A Maringá especializou seus vendedores por clientes para saber o que cada um deles precisa a cada momento. “Hoje em dia, os clientes não tem tempo para procurar fornecedores, eles precisam de produtos rapidamente, com o conforto de entrega segura e com qualidade”, salientou. Ele comentou que empresas pequenas se relacionam melhor com distribuidores de porte semelhante, capazes de atender solicitações específicas, com grande flexibilidade, de forma totalmente customizada.

    “Além disso, na Maringá as decisões são rápidas, não é preciso pedir autorização da matriz para mudar a política de estoques ou para parcelar a venda para um cliente”, salientou Mosseri.

    Ele apontou que a distribuidora está em permanente adaptação às mudanças de mercado. “O divisor de águas da história da distribuição no Brasil foi a abertura comercial do Collor; de lá para cá, mudou tudo”, avaliou. Não mudou, no entanto, o cuidado da empresa com as margens operacionais, ainda que elas tenha se estreitado desde 1990. Como informou, a margem média da companhia está entre 10% e 12%, com faturamento de R$ 153 milhões em 2017, para a meta de R$ 165 milhões em 2018. “A alta do dólar ajuda a aumentar o faturamento em reais, embora seja difícil repassar toda a variação cambial para os clientes”, afirmou. “Crescemos em peso comercializado até 2016, mas estacionamos em 2017, precisamos retomar o ritmo.”



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