Logística e Transporte

Variação cambial de químicos exigem mais eficiência do setor

Marcelo Fairbanks
14 de janeiro de 2019
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    O panorama da oferta química mundial também foi afetado pela nova política ambiental chinesa, que está fechando fábricas poluentes ou de alto consumo específico de energia. “A China está implantando padrões ambientais internacionais, ou seja, está elevando sua qualidade e eficiência, embora isso implique, no primeiro momento, a redução de oferta de vários produtos”, avaliou Erica. “As fábricas chinesas estão ficando mais limpas, semelhantes às europeias e americanas, no futuro, devem surgir ampliações de capacidades, pois a China manterá seu papel de potência global e fonte de suprimentos.”

    Atualmente, como há restrição de oferta e aumento da demanda mundial por químicos, as distribuidoras buscam novas fontes confiáveis de suprimento para garantir o abastecimento de seus clientes. Isso é mais fácil para uma companhia de alcance mundial.

    Erica avalia o mercado brasileiro de distribuição como bem qualificado e muito competitivo. A chegada de mais players globais (Univar, Pochteca e ICMD são exemplos de ingressantes dos últimos cinco anos), na sua visão, ajudam a elevar os padrões locais de saúde, segurança e meio ambiente, e também de ética e compliance, com vantagens para todos. “Mas o mercado químico brasileiro está longe de ser concentrado: os onze maiores distribuidores detém menos de 40% do mercado local, há muito espaço para consolidações”, apontou.

    O panorama atual do setor guarda pouca semelhança com o que existia até 1990, quando foi aberto o mercado de produtos químicos, acabando com as políticas de cotas e preços controlados. “O modelo da distribuição caminha para o aumento da especialização técnica e para a oferta de mais serviços aos clientes”, afirmou. “O distribuidor precisa oferecer soluções únicas para seus clientes, blends customizados, laboratórios de aplicação, tudo isso abre novas possibilidades de negócios e aumenta a fidelização.”

    Nesse sentido, a Brenntag do Brasil inaugurou em maio o laboratório de aplicações em personal care, na sua base de Guarulhos-SP. No mesmo sítio, a companhia investe para ampliar a capacidade de tancagem e blendagem de produtos para clientes. “Já operamos nessa base a produção de blends de solventes e a solução alcoólica de nitrocelulose, a ideia agora é e fazer misturas diversas, para vários mercados, com entregas a granel ou fracionadas”, comentou.

    Contar com o laboratório de aplicações dará um impulso maior para a área de negócios de personal care, permitindo ampliar a venda de especialidades químicas. “Já trabalhamos com algumas especialidades para personal care, alimentação humana e nutrição animal, mas as vendas de commodities ainda representam mais de 50% do faturamento e das margens, isso precisa evoluir”, considerou. Crescer em especialidades exige conhecer melhor o mercado, identificando necessidades e desenvolvendo novas respostas.

    Erica também conta com a disponibilidade de suprimento de especialidades de outras unidades da companhia espalhadas pelo mundo. “Até o final de 2018, vamos estudar o que poderemos trazer para o Brasil nos anos seguintes”, informou.

    Além de Guarulhos, a companhia investiu na modernização do prédio da filial de Esteio-RS, pretende cobrir a área de carregamento de solventes da unidade de Jundiaí-SP, e está transferindo seu estoque de produtos em Joinville-SC para um armazém terceirizado. “O Brasil é prioridade regional para a Brenntag, como obtivemos bons resultados em 2017, podemos investir”, comentou.

    Petróleo & Energia, Machado: ênfase na prestação de serviços com alta qualidade

    Machado: ênfase na prestação de serviços com alta qualidade

    Avanços notáveis – A indústria nacional enfrenta desafios constantes, exigindo planos estratégicos sólidos, com ajustes táticos para momentos agudos, como apontou Luís Machado, gerente de marketing da unidade de negócios de tintas e construção (Case) da Univar Brasil. E novos desafios surgem, ameaçando a recuperação econômica. “Enxergamos atualmente uma escalada cambial que nos impões desafios no gerenciamento de estoques e importações, além de implicar elevação de custos para toda a cadeia produtiva”, afirmou.

    Machado identifica um cenário de escassez de algumas matérias-primas químicas, dado o aumento de consumo em regiões importantes, tal como Estados Unidos, Europa e Ásia, agravada pelas restrições ambientais à produção chinesa. “Durante a última década, a capacidade global instalada para grande parte dos produtos químicos não recebeu investimento suficiente para suportar toda a evolução de demanda global, portanto esse cenário desafiador deve se prolongar pelos próximos anos”, ponderou. Dessa forma, o planejamento de compras e a manutenção de estoques de segurança se tornam ainda mais relevantes.

    Ao mesmo tempo, ele considera que a distribuição química brasileira se transformou de forma robusta e acelerada, incluindo em anos recentes movimentos de consolidação e reconfiguração do mercado, inclusive com o estabelecimento de companhias globais que trouxeram suas melhores práticas empresariais e tecnologias. “Atualmente, o formulador brasileiro tem ao seu alcance todos os insumos de que necessita, de qualquer origem, para desenvolver produtos finais de altíssimo desempenho e diferenciados, mediante o suprimento e suporte técnico oferecidos pelas distribuidoras”, salientou.



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