Logística e Transporte

Variação cambial de químicos exigem mais eficiência do setor

Marcelo Fairbanks
14 de janeiro de 2019
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    As pequenas e médias empresas ainda necessitam de profissionais qualificados para suas operações, exigindo investimentos em formação. “No Brasil, nem sempre isso se justifica porque o retorno acaba sendo baixo”, lamentou. Mesmo os esforços para adaptação de empresas aos conceitos da Economia 4.0 emperram na falta de estruturas logísticas adequadas e nos graves problemas do sistema tributário.

    Na avaliação de Medrano, o Brasil continua sendo um país com excelente potencial de negócios, mas que precisa equacionar suas deficiências estruturais. Ele citou a ausência por aqui da figura dos operadores logísticos independentes, comuns nos Estados Unidos e Europa, que reduzem custos para as distribuidoras. “Custa caro manter sites, há ociosidade nessas estruturas”, considerou.

    Em termos de blocos comerciais, o país participa do Mercosul, que lhe traz algumas vantagens, mas não dispõe de massa crítica suficiente para ombrear com outros blocos comercias, a exemplo do Nafta e da Ásia-Pacífico. “A agropecuária é um ponto forte do Mercosul, setor importante, mas que consome poucas matérias-primas industriais no âmbito dos distribuidores”, considerou. Alguns setores manufatureiros estão retomando a atividade no país, a exemplo da produção têxtil e de confecções.

    De forma geral, o comércio químico no Brasil registrou aumento de volume de negócios desde o segundo trimestre de 2017 e começou o 2018 mantendo o ritmo, pelo menos até março. “Abril caiu, refletindo o esgotamento da injeção de recursos na economia representada pela liberação de saldos do FGTS, promovida ainda no ano passado”, informou Medrano.

    A presença de companhias globais acirrou a concorrência, tanto em commodities quanto em especialidades, não poupando sequer nichos de mercado. “As grandes companhias precisam ter volume de vendas, mas também olham com cuidado para a rentabilidade; são agressivas, mas preservam as regras éticas e ajudam a qualificar o mercado local”, avaliou. “O distribuidor precisa se apegar aos que faz melhor: logística e serviços, cada vez mais qualificados”. Ele também aponta o aumento da participação de itens importados no mix de vendas das distribuidoras locais, refletindo a redução da oferta local.

    Medrano comemora o avanço do Portal Único, serviço federal que reúne todos os órgãos intervenientes nas operações de importação e exportação, sistema que substituirá o Siscomex, com vantagens. “Os procedimentos de liberação de mercadorias serão muito acelerados para quem tenha todas as licenças em dia, isso reduzirá custos para a distribuição”, avaliou.

    Como informou, o Portal Único começará a funcionar em julho deste ano para as exportações. Em outubro, serão feitas também importações por esse sistema. “Ainda sofremos com a falta de agilidade das operações portuárias”, apontou.

    Estratégia vencedora – Empresa global, com atuação em 74 países, obtendo vendas de 11,7 bilhões de euros em 2017, a Brenntag obteve na América Latina os resultados mais fracos entre todas as regiões atendidas. O relatório anual da megadistribuidora atribui o desempenho às dificuldades econômicas regionais, mas destacou a recuperação econômica brasileira no segundo semestre do ano passado.

    “O Brasil atingiu as metas previstas pela companhia em 2017, apesar de todas as dificuldades que enfrentamos, estou orgulhosa do desempenho da nossa equipe”, comentou Erica Takeda, diretora geral da Brenntag do Brasil. “A região foi mal, porque outros países tiveram desempenho muito ruim, prejudicados pelo câmbio e dificuldades locais.”

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    Em 2017, a Brenntag obteve crescimento de vendas e lucros (Ebitda) tanto na América do Norte (16,2% e 9,76%, respectivamente, em moeda ajustada), quanto na Europa/Oriente Médio/África (10,1% e 1,6%), as regiões nas quais obtém a maior parte de seu faturamento (37,2% e 42,7%, respectivamente). A Ásia/Pacífico responde por 10% das vendas mundiais da distribuidora, e registrou aumento de 18% nas vendas e 12,7% em Ebitda. A América Latina representa 7% do faturamento mundial e cresceu 4,5% em vendas e registrou perda de 8,2% em Ebitda.

    Esses resultados estão se replicando no primeiro trimestre de 2018. Com eles, é possível comprovar o aquecimento da produção industrial nas regiões mais desenvolvidas, que absorvem a maior parte da produção química mundial. Isso se traduz em preços mais elevados, em escala global.

    “Isso amplifica o significado do nosso desempenho no Brasil, superando os resultados de 2016 que sofreram muito com variações cambiais”, comentou a diretora geral. O câmbio em 2017 deu uma trégua, permanecendo quase estável. Em 2018, a situação é outra. “Assumimos uma disciplina muito rígida em relação aos custos e procedimentos internos, com bons resultados em 2017.” Ela ressaltou a restrição de oferta causada pelo furacão Harvey, que inundou estradas e fábricas químicas nos Estados Unidos no segundo semestre do ano passado. “Gerenciamos com cuidado os repasses do aumento de preços para os nossos clientes.”



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