Máquinas e Equipamentos

Válvulas – Fabricantes nacionais investem para enfrentar importações

Hamilton de Almeida
26 de junho de 2012
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    Diante do dilema de fechar ou vender a fábrica ou se transfor­mar em distribuidora de produtos importados, a Durcon optou por encarar os desafios do mercado. “Decidimos continuar como fa­bricante de válvulas e competir em qualidade com o produto americano ou alemão, porque entendemos que esta é a nossa vocação”, informa Hube. A crise desencadeou uma reação que resultou no fortale­cimento da empresa. Este ano, a Durcon deve vender o equivalente a R$ 55 milhões, registrando um crescimento de 15%. “Acreditamos que poderemos manter esta taxa de crescimento nos próxi­mos cinco anos e atingir o objetivo de faturar R$ 110 milhões em 2017”, afirma o executivo.

    Voz discordante, Rego declara que o mercado de válvulas industriais desfruta de uma fase de “relativa estabilidade”. A razão, para ele, é simples: “Como a Tyco atua em mercados já maduros, como pe­tróleo e gás e processos industriais (indústria química, açúcar e álcool, alimentos e bebidas, papel e celu­lose, etc.), a nossa estratégia tem sido desenvolver novos mercados, como o de mineração, que tem vi­vido um momento de crescimento.” Machado, da Flowserve, tem ideia semelhante: “O mercado se man­teve estável quando analisado com o crescimento geral da economia brasileira.”

    Já Bordignon considera que o mercado de válvulas no Brasil está comprador, com muitos investimen­tos em vários segmentos. Mas, com as importações, “perdemos mais de 70% do mercado para os fabricantes estrangeiros, na maioria asiáticos (China)”. Ele descreve o tom da situação: “Quando conseguimos fechar contratos, nossos preços são tão baixos que não deixam margens para os investimentos necessários. Estamos, portanto, no processo de desindustrialização do Brasil. E ficaremos totalmente dependentes de outros países industrializados.”

    Ele revela que a KSB acusou, no período 2008-2010, um cres­cimento da ordem de 20% anual, em comparação com 2005-2006. Em 2011, porém, “voltamos aos níveis de 2006, ou seja, houve uma queda de mais de 50% nas vendas, enquanto o volume de com­pras aumentou”. A divisão de válvulas da Flowserve fatura cerca de R$ 40 milhões por ano, segundo Machado. As perspectivas são otimistas: “Projetamos crescimentos anuais entre 10% e 15% para os próximos cinco anos.”

    Sobrevivendo – Também pre­sidente da RTS Ind. e Com. de Válvulas Ltda., com três unidades fabris e sede em Guarulhos-SP, Lúcio revela o segredo da sobrevivência da sua empresa, fundada por ele há 28 anos: a produção de válvulas especiais, borboleta e gaveta, de até 80 polega­das de diâmetro. Na busca de caminhos diferenciados de produção, a RTS está investindo desde o ano pas­sado cerca de R$ 3 milhões em máquinas, com recursos próprios, para a fabricação dessas válvulas. Entre as no­vidades tecnológicas, as válvulas triexcêntricas, duplo bloqueio, clas­se de pressão até1.500 libras, e as de retenção com maior índice de vazão. A RTS está fabricando válvulas bor­boleta triexcêntricas de bronze para a Petrobras. É um produto de última geração que não se fabricava no país.

    Petróleo & Energia, Válvulas - Fabricantes nacionais investem para enfrentar importações

    Válvula de esfera da KSB tem alto grau de nacionalização

    A KSB está investindo cerca de R$ 70 milhões na construção de uma planta industrial em Jundiaí- SP, com inauguração prevista para agosto deste ano. A nova fábrica de válvulas terá 10 mil m² e máquinas operatrizes modernas, para alta pro­dução. Com matriz na Alemanha, a KSB adquiriu, em 2005, a IVC S.A. Indústria de Válvulas e Controles. Fundada em 1974, aIVC havia incorporado a Vanasa, em 1986. A KSB fabrica válvulas industriais do tipo esfera, gaveta, globo, borboleta, retenção e atuadores pneumáticos. Esses equipamentos são utilizados em vários segmentos industriais,incluindo todo o sistema Petrobras, atingindo índices superiores a 90% de conteúdo local.

    A Durcon realizará, este ano e no próximo, investimentos de R$ 10 milhões em uma fábrica nova de 10 mil m2 e em máquinas de comando numérico (CNC). Hube informa que o terreno de 40 mil m2 já foi adquirido, assim como as aprovações dos órgãos pertinentes. O objetivo é aumentar a capacidade de produção em 2014 para suprir a meta de R$ 100 milhões de fatura­mento. “Temos planos de investi­mentos para promoção de nossos produtos no mercado americano. Outros investimentos de pesquisa e desenvolvimento, aumento de pro­dutividade e diminuições de custos permanecem”, adiciona.

    A Flowserve investe em duas novas células de produçãoem São Caetanodo Sul-SP para ampliar o conteúdo local de alguns de seus produtos. Também está criando um cen­tro de serviçosem Três Lagoas-MSpara dar suporte à cres­cente indústria de ce­lulose naquela região, afirma Machado. A empresa produz um grande número de ti­pos de válvulas: con­trole, quarto de volta, multivoltas, retenção, posicionadores, glo­bo, esfera, gaveta etc.

    A Tyco realiza, nas palavras de Rego, “um grande investi­mento nas unidades fabris (compra de ma­quinário, renovação, atualização tecnoló­gica, treinamento de pessoal), além de um plano de expansão de unidades de serviços de manutenção”. Nos próximos meses, a empresa vai instalar uma unidade de serviços em Macaé-RJ e outra de serviços e escritório comercial em Belo Horizonte-MG. Serão uni­dades de manutenção de válvulas. Trata-se de uma expansão geográfi­ca da Tyco, que tem como objetivo prestar um melhor atendimento aos seus clien­tes espalhados pelo país. A Valves & Controls é uma unidade de negócios da Tyco Flow Control, fundada em 1960, nos EUA. É uma das principais fabricantes e comerciantes de válvulas, atuadores e controles, for­necendo produtos, serviços e soluções para aplicações nas indústrias de óleo e gás, de energia, de mineração, de produtos químicos, de alimentos e bebidas e de construção.



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