União Europeia implementa acordo para redução no consumo de gás natural

A crise nos combustíveis desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia chega ao gás natural. No Brasil, o diesel segue em alerta

A União Europeia deu início na última semana a implementação de um acordo regional para redução do consumo de gás natural, por conta do risco de escassez gerado por cortes no fornecimento feito pela Rússia.

Segundo o plano, os países da UE devem reduzir o consumo em pelo menos 15% entre agosto de 2022 e março de 2023 em relação ao mesmo período nos últimos cinco anos. Por ora, essa meta é voluntária, mas a situação pode mudar caso o Conselho Europeu, instância que reúne os chefes de governo da UE, avalie a necessidade de medidas mais restritivas nos próximos meses.

Até antes da invasão à Ucrânia, no final de fevereiro, a Rússia forneceu quase 40% das importações de gás natural dos países da UE. Por conta do conflito, o bloco europeu impôs diversas sanções internacionais contra o governo de Vladimir Putin, que revidou com restrições crescentes no fornecimento de gás. No último mês, a Gazprom, principal empresa russa de energia, promoveu cortes sucessivos no fluxo de gás oferecido aos europeus, alegando razões técnicas. Com menos gás, o preço da energia disparou na Europa.

A agência de notícias Bloomberg informou que os estoques de gás natural na Europa estão pouco mais de 70% cheios, perto da média de cinco anos para essa época do ano. Mesmo assim, países como Alemanha, França e Reino Unido se preparam para o risco de racionamento durante o inverno, temporada em que o consumo de eletricidade costuma aumentar para aquecimento e calefação.

O aperto também deve ser sentido entre os consumidores de diesel. Segundo a Bloomberg, a expectativa é de que os estoques de diesel rodoviário, óleo de aquecimento e outros tipos de diesel no noroeste da Europa atinjam seus níveis mais baixos no começo do período frio desde 2011. Tal como no gás natural, a Rússia também é a principal revendedora de diesel para os países europeus; no entanto, a UE proibiu importações marítimas da Rússia, criando uma lacuna no fornecimento que ainda não foi preenchida.

gás natural na Europa

Gás natural, gasolina e diesel 

Os reflexos da guerra no mercado de combustíveis tem gerado crises constantes, inclusive no Brasil. A  Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apertou o monitoramento do mercado de diesel no Brasil, exigindo informações ainda mais detalhadas para acompanhar com lupa a importação por produtores e distribuidores no país. É mais um passo em medidas adotadas desde março para mitigar riscos de desabastecimento neste segundo semestre diante da restrição na oferta mundial causada pela Guerra na Ucrânia e do aumento na demanda pelo escoamento da safra agrícola no Brasil.

Desde a última segunda, 15/8, produtores de derivados de petróleo e gás natural e os distribuidores de combustíveis ao importarem óleo diesel A S-10 terão de informar a agência sobre cargas ainda não nacionalizadas, datas em que partiram do porto de origem no exterior, documento de embarque, volume e data em que a chegada ao porto no Brasil é estimada.

A determinação consta do terceiro comunicado de sobreaviso no Abastecimento de Combustíveis emitido pelo regulador do mercado de óleo e gás e derivados no país desde março. 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios