Energia

Turbinas – Energia nas plataformas depende de modelos aeroderivados e movidos a gás

Nelson Valencio
4 de setembro de 2011
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    Com o mercado aquecido, o executivo acredita que os fabricantes de turbinas devem trabalhar muito nos próximos anos. Essa também é a estimativa da Rolls-Royce, que vai investir US$ 120 milhões no Brasil em 2011, somente em projetos ligados ao pré-sal. O mercado de energia já representa, mundialmente, 30% das operações da empresa, somente atrás da área aeronáutica, que ainda abocanha 50% do faturamento da corporação. Por aqui, a empresa atende a Petrobras desde 2001 e afirma ter 35% de sistemas de geração de energia da petroleira em atividade nas plataformas.

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    Turbina industrial a gás e aeroderivada RB211

    Dados da fabricante inglesa indicam que a Petrobras teria comprado 27 pacotes de geração de energia acionados por turbinas a gás, o que superaria os US$ 300 milhõesem negócios. Avedete do processo é a turbina a gás RB211, presente em instalações como a P51 e P53, por exemplo. O índice de nacionalização dos pacotes supera 80%, de acordo com a fabricante, e pode aumentar nos próximos anos, considerando os investimentos no centro de serviços de Macaé-RJ, onde é feito o reparo e a manutenção dos conjuntos, tanto para onshore como offshore. Na avaliação da multinacional, dúzias de turbinas a gás deverão ser adquiridas somente pela Petrobras para exploração do campo de Tupi e de outros do pré-sal durante os próximos cinco anos.

    Benício, da Siemens, estima que as plataformas devam absorver entre 100 e 150 novas turbinas a gás até 2021. Com um portfólio geral de equipamentos com potências entre cinco MW e 50 MW, a operação de óleo e gás da transnacional alemã tem um range de equipamentos de 15 MW a 30 MW, gerando energia com eficiência superior a 30%. A produção das turbinas é fruto de uma cooperação entre as unidades industriais da Europa e do Brasil. Embora não informe o nível de nacionalização atual, Benício acredita que o conteúdo local desse tipo de turbina possa chegar a 50%, o que atenderia a uma média – não oficial – exigida dos fabricantes.

    Martins, da GE, posiciona o Brasil como um dos principais mercados mundiais de turbinas para aplicação offshore e avalia que mais de 50 unidades estejam sendo adquiridas atualmente pelas empresas de exploração de petróleo. De acordo com ele, a demanda local deve mudar a política de produção dos equipamentos. “No momento, a maioria dos componentes ainda é fabricada no exterior, mas os pacotes de geração serão completamente montados e testados no Brasil”, adianta. “O programa de regionalização da GE prevê que atinjamos níveis cada vez maiores de conteúdo local”, completa.

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    Nova geração de turboalimentador da ABB

    Um dos passos da regionalização é a inauguração da oficina de manutenção e reparo de turbinas aeroderivadas em Petrópolis-RJ, esperada para o final de 2011. O executivo adianta que, com essa infraestrutura, segundo ele, a primeira do gênero na América Latina, a empresa adquire capacidade plena para atingir o mais alto nível de manutenção requerida para os dispositivos. Adicionalmente à oficina, a GE mantém um banco de provas no Rio de Janeiro, para testar os equipamentos, simulando suas condições reais de operação, antes do despacho para a montagem nas plataformas.

    As oficinas em terra, aliás, formam um campo avançado para os fabricantes de turbina por um motivo simples: não dá para fazer reparos complexos na plataforma. Martins explica que as intervenções de manutenção devem ser conduzidas onshore para evitar problemas adicionais, caso fosse feita num local sujeito a movimentos. Obviamente, as plataformas já possuem equipamento de reserva (backup), cuja entrada em operação é rápida o suficiente para evitar a possibilidade de parada. E deve-se incluir também nesse raciocínio a presença de grupos geradores, que formam um recurso adicional de redundância no fornecimento de energia em casos pontuais.

    As plataformas offshore abrigam mais de um grupo de geradores movidos a diesel, mas não são dispositivos padrão, e sim equipamentos montados em contêineres e que precisam combinar potência, peso e tamanho adequados. A Agrekko, multinacional especializada em sistemas de energia temporários, é uma das empresas que atuam nesse setor. “Nascemos atendendo a indústria de petróleo do Mar do Norte, de forma que nossas soluções foram projetadas para o universo offshore”, explica Diógenes Paoli Neto, diretor da subsidiária brasileira.

    Segundo ele, somente em 2009, a Agrekko passou a ter uma concorrente na oferta de grupos geradores embarcados em contêineres de 20 pés. Grande parte de quem oferta soluções com essa potência só consegue ofertar o sistema embarcado em contêineres com pelo menos o dobro do tamanho, inadequados para plataformas, ou com potência máxima de 1.250 kVA, inferior aos 1.500 kVA proporcionados pelo sistema da empresa. Além da pouca disponibilidade de espaço, a própria operação de transporte do contêiner até a plataforma é outra odisseia.

    Empresas investem no monitoramento remoto

    Um dado sozinho significa pouco, mas o conjunto deles ganha o nome de informação, caso dos indicadores apontados pelos fabricantes de equipamentos usados na geração de energia em plataformas offshore. Na GE, Martins lembra que o fabricante oferece um sistema de monitoramento remoto dos equipamentos, permitindo acompanhar a performance deles em tempo real. “Nosso centro remoto de monitoramento opera em tempo integral e mundialmente já supervisiona mais de 630 máquinas”, explica. “Com isso, superamos a marca de 9 milhões de horas acumuladas, além de 1,7 mil recomendações feitas pelos nossos clientes somente até o final de2010.”

    A ABB também possui uma base de dados mundial a respeito dos 190 mil turboalimentadores instalados. Com esse conjunto, ela pode dar feedbacks aos clientes, como as orientações a respeito das datas indicadas para a manutenção preventiva. O universo de equipamentos listados não se restringe às plataformas, mas abrange desde operações em mineradoras e siderúrgicas até os sistemas usados em usinas nucleares.

    A Siemens lembra que suas turbinas são equipadas com um sistema completo de controle e monitoramento que se comunica com o sistema central de controle da plataforma. “A operação da turbina é completamente automatizada por meio de um mecanismo que controla partidas, paradas e mudanças de carga, assim como sistemas auxiliares que comandam o fornecimento de combustível”, lembra Benício. As turbinas possuem ainda um mecanismo próprio de controle e segurança, integrado ao sistema geral da plataforma. “Para garantir um fornecimento confiável de energia, há necessidade de gerenciamento das cargas geradas pelas unidades embarcadas, que é um sistema adicional”, completa o executivo.

    Paoli, da Agrekko, lembra que existe monitoramento remoto de grupos geradores “conteinerizados”, mas a ação dos técnicos em campo, embarcados na plataforma, representa uma solução diária para observar se esses sistemas de backup funcionam adequadamente e se podem ser acionados em caso de emergência.

     

    Esses dispositivos não podem substituir as turbinas, com sua potência média de 25 MW, no caso de plataformas offshore. “Os grupos geradores ficam focados em ações pontuais, caso da produção das bombas submersas de produção de petróleo e de sistemas críticos, como os de processamento de dados”, completa Paoli. Dependendo da capacidade dos grupos geradores, ele avalia que uma plataforma padrão possa adotar de três a quatro desses  conjuntos, direcionados para atender às demandas críticas e pontuais.



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    Um Comentário


    1. Olá! Gostaria de entender melhor como é gerado energia nas plataformas mais atuais. Creio ter idéias para ampliação das mesmas.



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