Máquinas e Equipamentos

Tubos: produção nacional sofre com poucos projetos e importação

Antonio Carlos Santomauro
2 de agosto de 2013
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    Apesar de algum aquecimento na demanda proveniente da indústria petrolífera e de desempenhos razoáveis em setores como construção civil e indústria automotiva – neste último, especialmente no segmento de caminhões e implementos agrícolas –, não deve crescer neste ano o volume total de tubos de aço produzidos no Brasil, prevê José Adolfo Siqueira, presidente da Abitam (Associação Brasileira da Indústria de Tubos e Acessórios de Metal).

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    Só ocorrerá alguma expansão, ressalva Siqueira, caso sejam concretizados ainda em 2013 alguns projetos mais significativos, como o Gasoduto Rota 3, já projetado pela Petrobras e que exigirá aproximadamente 150 mil t de tubos. “Pode também haver alguma melhora, caso sejam retomados os investimentos em açúcar e álcool, setor que está novamente sendo estimulado pelo governo, mas teve muitos problemas e gerou muita inadimplência”, apontou.

    Importante lembrar que esse cenário de poucas perspectivas de expansão na produção interna se alinha a uma conjuntura na qual, apesar de algumas ações governamentais destinadas a ampliar a competitividade industrial, ainda não é possível notar nenhuma redução na participação dos tubos importados, que nos últimos dois anos já representaram mais de 12% da produção nacional (ver tabela). “Alguns de nossos itens estão incluídos nas medidas de defesa comercial implementadas pelo governo, que até ajudam, mas não resolvem a situação, pois são paliativas”, diz o presidente da Abitam. “O Brasil precisa de um choque de gestão, de infraestrutura, de um governo que dê condições ao empresário para investir, e fiscalize a aplicação dos recursos”, complementa.

    Nessa conjuntura, Bueno, da Schulz, crê que este possa ser o primeiro dos dezesseis anos de presença no Brasil no qual sua empresa não registrará incremento significativo de negócios. “Por enquanto, nossa meta é manter o nível de produção do ano passado”, ele destaca.

    Comparativamente à primeira metade do ano, projeta Bueno, o segundo semestre deverá constituir um período mais aquecido, pois já é possível notar elevação da demanda proveniente de epecistas e sistemistas, especialmente no segmento offshore, encarregados de projetos da indústria de óleo e gás. “Mas esse mercado, que desde meados do ano passado para cá registrou um encolhimento da demanda, também teve aumento da inadimplência, até porque a Petrobras começou a apertar os epecistas“, diz o diretor da Schulz.

    Na indústria química, como informou, não há projetos capazes de gerar incremento significativo da demanda por tubos. “Já o setor de papel e celulose tem alguns investimentos programados, e isso deve gerar alguma demanda adicional neste ano”, salienta Bueno.

    A V&M não divulga resultados específicos para o Brasil, mas informa que o resultado global do grupo Vallourec (controlador da empresa) registrou vendas praticamente estáveis no primeiro trimestre deste ano, com aumento de 1% comparativamente aos três primeiros meses de 2012. No mesmo período, o volume de tubos despachados foi 3% menor.

    O mesmo comunicado diz ainda: “De acordo com as condições de mercado atuais, a Vallourec espera aumento de vendas no mercado de óleo e gás; a demanda para outros mercados continua lenta e com pouca visibilidade para qualquer tipo de previsão.”

    Tubos plásticos – Apesar da economia pouco aquecida, crescem os negócios da indústria de tubos de polietileno, afirma Adriano Cunha. Ele cita saneamento, energia e mineração como os segmentos com expansão mais acentuada.

    Na mineração, especifica o vice-presidente da ABPE, o uso de tubos de polietileno cresce em decorrência do fortalecimento local da cultura – já consolidada em países como Austrália e Chile – do uso de tubos confeccionados com essa resina, de interesse crescente por apresentar maior resistência à abrasão e aos produtos ácidos decorrentes do processo de extração de minérios, sendo, por isso, capazes de substituir com vantagens os tubos metálicos nessas aplicações.

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    No saneamento, o polietileno passou a ser mais empregado não apenas nos novos projetos, mas também pelas concessionárias em seus programas de redução de perdas e que, por isso, modernizam redes mais antigas. “Por trabalharem com soldagem térmica, em vez do sistema de ponta e bolsa, como nos casos do PVC ou do ferro fundido, os tubos de polietileno têm total estanqueidade nas junções, onde ocorrem as maiores perdas”, diz Cunha. “Além disso, por não apresentar radicais livres, diferentemente do PVC e do ferro fundido, o polietileno também apresenta menos problemas de incrustação.”



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