Tubos – Produção cresce, mas a importação também

A produção brasileira de tubos metálicos voltou a crescer, mas nem tanto quanto poderia, limitada pelo aumento das importações, principalmente de tubos de aço sem costura. Em2011, a produção interna de tubos metálicos alcançou 2,130 milhões de toneladas nas três principais modalidades: pequenos e grandes diâmetros e os sem costura.

Depois da queda abrupta observada há dois anos, quando despencou de 2,419 milhões de t para 1,488 milhão de t, no comparativo entre 2008 e2009, aprodução local apresentou recuperação em 2010, ao alcançar 1,730 milhão de t. A retomada no crescimento da produção, enfim, chegou e tende a se estabilizar – caso as importações não abram mais flancos – em decorrência de novos investimentos industriais de grande impacto que estão sendo realizados em vários setores, como óleo e gás, petroquímico, papel e celulose, sucroalcooleiro, entre outros.

A produção de tubos metálicos realmente voltou a crescer, confirma o diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Tubos e Acessórios de Metal (Abitam), o engenheiro José Adolfo Siqueira, “mas sua participação na demanda interna poderia ser bem maior não fossem as importações de tubos de açoscarbono, inoxidáveis e com ligas especiais, principalmente da China, que compra minério de ferro no Brasil e na Austrália para produzir em torno de 750 milhões de toneladas de aço ao ano”, comentou.

Ele salienta que tais volumes de importação nunca antes foram vistos no Brasil, o que pode levar a entender, equivocadamente, que o país não possui uma forte siderurgia e nem produção de tubos metálicos estabelecida. Dessa forma, torna-se cada vez mais difícil esgotar a atual capacidade instalada na produção de tubos, “pelo menos durante os próximos cinco anos”, avaliou Siqueira.

Hoje, o Brasil possui uma capacidade instalada em torno de 4,8 milhões de toneladas de tubos metálicos, que se acentuou a partir de 2010 por meio das expansões nas produções e de novos entrantes na oferta local de tubos feitos de aços inoxidáveis, ligados, microligados, ao carbono e também de aços especiais, como cromo 13, que já estão sendo produzidos no Brasil para atender às demandas do setor de óleo e gás. A oferta também aumentou por conta dos acréscimos promovidos pelas ampliações em fábricas de tubos até sete polegadas.

Assim, as oportunidades de fornecimento ao pré e ao pós-sal mobilizam novos investimentos e pesquisas focados em tubos e dutos submarinos para conduzir os hidrocarbonetos das áreas de extração até as refinarias.

O setor de óleo e gás hoje demanda tubos metálicos para executar vários projetos e obras, principalmente aqueles voltados à construção de navios-petroleiros, barcos de apoio, tubulações-sondas, e novas refinarias, como o Comperj-RJ, Rnest-PE e também as refinarias premium previstas para o Ceará e o Maranhão, além das necessidades dos projetos de modernização de refinarias existentes.

Ao lado do alto volume demandado, as exigências de desempenho no mais alto grau estão levando toda a cadeia de fornecedores de tubos e de matérias-primas a repensar e a refinar materiais e processos, com o intuito de oferecer tubos aprimorados de alta tenacidade e com resistência anticorrosiva, para suportar as condições operacionais extremas.

As explorações petrolíferas em profundidades antes inimagináveis exigem avanços tecnológicos nos tubos, fabricados com ligas e aços especiais que começaram a brotar nos laboratórios e centros de pesquisa de várias empresas. Motivados pelas exigências de conteúdo nacional, novos desen- volvimentos e empreendimentos estão sendo acenados pelos fabricantes de tubos de aço-carbono, inoxidáveis e com ligas especiais, reunindo experiências que deverão expandir as divisas em tecnologia do país.

“O Brasil ganhará mais musculatura ao fabricar tubos metálicos para oleodutos e gasodutos, credenciando-se para exportar produtos e tecnologias para outros países”, considerou o diretor da Abitam. O setor de óleo e gás, aliás, é de longa data um dos grandes usuários de tubos metálicos. Segundo Siqueira, 25% das vendas do setor de tubos metálicos são direcionadas para atender à crescente demanda desse setor.

Porém, além de tubos de aço-carbono, as aplicações podem exigir tubos fabricados com aços e ligas especiais, como duplex, superduplex, cromo, cromo 13, inoxidáveis, entre outros, alguns deles à espera de candidatos para fabricá-los no país, como os superduplex, em virtude principalmente das exigências de conteúdo nacional. Além disso, o setor espera poder reverter as importações que alcançaram em 2011 o patamar de 259.685 mil toneladas, entre tubos sem costura (131.853 t), tubos com costura em diâmetros maiores do que4 06 mm(49.257 t) e tubos com costura em diâmetros até 406 mm(78.575 t). No comparativo entre os anos de 2008 e 2011, é interessante observar que o Brasil praticamente dobrou as importações de tubos sem costura, passando de 70.494 toneladas para 131.853 toneladas.

Portanto, no rol das maiores preocupações, o setor irá lutar para reverter as importações em favor dos produtores locais. “No modelo em vigor, o Repetro [Regime Aduaneiro Especial de Exportação e Importação de Bens Destinados à Exploração e à Produção de Petróleo e Gás Natural] vem favorecendo a importação de tubos e, nesse momento, encontra-se em estudo uma alteração que deverá trazer equilíbrio maior entre o produto nacional e o importado, no intuito de eliminar o viés importador, restringindo mais as concessões de forma que sejam beneficiados apenas os produtos que não tenham similar nacional”, informou Siqueira.

Petróleo & Energia, José Adolfo Siqueira, Diretor executivo da Abitam, Tubos - Produção cresce, mas a importação também
Siqueira: importação chinesa de tubo de aço-carbono preocupa

Ao setor também importa conhecer a real dimensão da demanda por tubos metálicos nos próximos anos no setor de óleo e gás, além de ter definidas as tecnologias que deverão prevalecer nas novas aplicações sob condições mais críticas, discutindo-se tecnicamente quais opções de tubos o país irá adotar, como os superduplex ou os tubos de cromo 13, entre outros especiais.

“O nosso setor tem capacidade instalada para atender à demanda por tubos metálicos pelo menos até os próximos cinco anos, mas, quanto às demandas específicas, envolvendo a aplicação de tubos com costura ou sem costura, confeccionados com aços superduplex, de cromo 13, entre outros, os produtores aguardam definições”, comentou o diretor da Abitam.

Partindo do princípio de que as explorações comerciais têm de desencadear desenvolvimento ao país e de que a política de conteúdo local favorece os investimentos na produção local de tubos metálicos, Siqueira afirma: “É fundamental a preservação do conteúdo local, mas temos que ter condições de competir isonomicamente com os produtos importados; o protecionismo é bom, mas tem de ser praticado de maneira inteligente, de forma que mantenha as compras no país”, considerou.

A política de conteúdo local, segundo ele, deve ser estendida, assim, a todas as encomendas, inclusive aos empreendimentos e obras na modalidade EPC (Engineering, Procurement and Construction). “Temos uma preocupação muito grande em nosso setor no sentido de que todo o conteúdo das obras e todos os itens listados para a consecução de uma obra sejam especificados e que as empresas estejam todas cadastradas na Petrobras, pois é por conta de lacunas que estão entrando no país muitos tubos para a condução de petróleo”, revelou Siqueira.

“Há um consenso no setor representado pela Abitam de que todas as importações que possam incorrer em dano causal estarão sujeitas a processos de dumping”, finalizou Siqueira.

Tubos sem costura persistem – Projetada originalmente para ser instalada no Brasil, em Campos dos Goytacazes- RJ, e com capacidade instalada para 10 mil t/ano, a fábrica de tubos de aço inoxidável sem costura da Schulz, orçada em US$ 80 milhões, foi parar no Mississipi, nos Estados Unidos.

Porém, mesmo distante, metade da produção parcialmente feita lá – com aço brasileiro que, extrusado, retorna como produto semiacabado ao Brasil – atende o mercado brasileiro, que requer tubos com essa especificação principalmente nos setores petrolífero e petroquímico.

“A nossa frustração por não concretizar o projeto de fabricação de tubos inox sem costura no Brasil foi muito grande; chegamos a gastar R$ 10 milhões em terraplanagem”, recordou Marcelo Bueno, presidente da Schulz para a América Latina.

A fábrica de tubos inox sem costura seria o quarto grande empreendimento do grupo alemão no país. A primeira fábrica, com operação inicia da em 2007 e dedicada à produção de conexões de aço inox e ligas especiais, foi instalada com a missão de atender às demandas dos projetos das refinarias e das petroquímicas locais. “Até 2007, todos os tubos com metalurgia especial eram praticamente importados”, comentou Bueno. A segunda unidade industrial da Schulz, onde são produzidos tubos de aço inoxidável e ligas especiais com costura desde 2009, atende vários projetos industriais, e a terceira unidade, que deverá começar a operar ainda este ano, estará voltada à produção de peças forjadas especiais. “Estamos fabricando com aço brasileiro tubos inox com diâmetros até 16 polegadase também fornecemos tubos inox com costura a partir de 16 polegadas”, informou.

Petróleo & Energia, Tubos - Produção cresce, mas a importação também
Fonte: Abitam

Apesar de não ter viabilizado o projeto dos tubos sem costura no Brasil, o presidente regional da Schulz continua acreditando na importância de fazê-los e voltou a se dedicar a um novo projeto similar, especialmente para aplicações offshore, abrangendo um pacote tecnológico mais completo que reúne possibilidades para a fabricação local de tubos com ligas superduplex, bimetálicas, entre outras.

Enquanto delineia o novo projeto, Bueno não esconde o entusiasmo por oferecer tubos com costura para os projetos já em andamento. “De forma pioneira, acabamos de fornecer para a Refinaria Abreu e Lima (Rnest) tubos fabricados com ligas superduplex para a instalação da primeira dutovia metálica do Brasil para transportar ácido sulfúrico da refinaria até o porto de Suape-PE”, informou. Integrada por tubos fabricados pela Schulz, totalmente executados no Brasil e revestidos com polietileno, a dutovia terá extensão total de 8.500 metros.

A Rnest foi projetada com capacidade para processar 230 mil barris/dia de petróleo. Contando com previsão de inauguração da primeira etapa em2013, aRnest poderá se tornar referência para o setor, até mesmo por permitir maior autonomia ao país na produção de derivados de petróleo.

“Temos vários projetos que podem ser viabilizados no Brasil, mas precisamos contar com maiores definições acerca da demanda a ser atendida, para dar cobertura à sua consecução”, afirmou Bueno.

Paredes mais espessas – Novos tubos de aço-carbono com costura também estão recebendo inovações para atender às novas aplicações e projetos de expansão no setor petrolífero. Concebidos e projetados pela TenarisConfab, um dos nascituros ao pré-sal são os novos tubos para escoamento e transporte, também conhecidos como tubos de exportação (UOE-SAW L). Confeccionados com aço-carbono com costura e com paredes mais espessas (40 mm), os primeiros lotes deverão sair da fábrica de Pindamonhangaba-SP ainda em dezembro deste ano.

Inéditos na produção mundial da empresa, até então reconhecida na fabricação de tubos para transporte e escoamento de fluidos e gases com espessuras de parede até 32 mm, os novos tubos, desenvolvidos para suportar pressões em profundidades acima de 3 mil metros, terão a garantia de não colapsarem e deverão contar com a capacidade nominal já instalada na fábrica, de 400 mil toneladas/ano, pelo menos inicialmente.

Petróleo & Energia, Luiz Correa, Gerente comercial da Tecniplas, Tubos - Produção cresce, mas a importação também
Correa: PRFV é competitivo em comparação com aço inoxidável

“A Petrobras já opera em lâminas d’água de2.300 metrose precisávamos canalizar nossos esforços de pesquisa e desenvolvimento também para a construção de tubos que suportassem, com boa margem de segurança, pressões mais elevadas, em águas ultraprofundas”, comentou Luis Chad, gerente de engenharia de produto da TenarisConfab.

Para extrair óleo, a grande aposta da empresa se dirige aos tubos de aço-carbono com costura, associados às conexões também em aço-carbono da linha premium, denominadas Tenaris Hydril. “Os produtos Hydril são especialmente destinados a operações de perfuração de poços de petróleo e gás. Para operações de perfuração offshore, high pressure e high temperature, foi desenvolvida a linha Blue Series, que já se firmou como a mais avançada em conexões premium no mercado. Ainda destaco a tecnologia Dopeless, que, com revestimento seco e multicamada, descarta a utilização de graxa para as conexões, reduzindo os riscos em operações de perfuração mais complexas, como as realizadas em ambientes offshore. Já as conexões Wedge Series 500 são direcionadas às atividades em que a alta resistência ao torque é fundamental. Elas fornecem compressão superior e resistência à flexão, para aplicações tais como poços altamente desviados e colunas que devem ser movimentadas”, acrescentou Chad. Para atender à demanda do pré-sal, a empresa tem a preocupação de fabricar com conteúdo nacional conexões especiais que possam apoiar os atuais e futuros projetos.

Com produção local apenas focada em tubos de aço-carbono com costura, a empresa mantém fora do país a produção de tubos sem costura, como na Argentina, México, Itália, Romênia, Canadá e no Japão, em Tóquio, onde também fabrica tubos com ligas especiais, como cromo.

De acordo com avaliação técnica da empresa, a resistência dos tubos à corrosão ácida é um dos aspectos mais importantes e que estão sendo previstos nos novos projetos em desenvolvimento pela TenarisConfab. Para as atividades de produção/extração, a empresa também está apta a fornecer, em parceria com a americana Wyman-Gordon, tubos de aço inoxidável, fabricados com ligas ultrarresistentes à corrosão, segundo informou Chad.

“Em ambos os casos, o desafio de vencer a corrosão é grande e, por isso, nos dedicamos a um projeto especial para o desenvolvimento de tubos de aço-carbono, confeccionados com ligas especiais, e que apresentam resistência a ácidos (souer-service), como ao ácido sulfídrico, um atributo essencial às instalações em linhas de produção de óleo.

Só nos últimos três anos, mais de 150 mil toneladas de tubos resistentes à corrosão fabricadosem Pindamonhangaba- SP, segundo calculou Chad, já foram fornecidos para instalações de gasodutos offshore.

“Os nossos investimentos em pesquisa e desenvolvimento também estão direcionados para revestimentos de tubos, internos e externos, em materiais poliméricos (principalmente resinas epóxi), metálicos, com ligas de níquel (inconel), conhecidas por clad, bem como em materiais para isolamento térmico, como polipropileno sintático, e nanomateriais metálicos e bactericidas”, acrescentou.

Para fazer frente aos desafios das explorações offshore, sobretudo do pré-sal, a TenarisConfab concentra pesquisas e desenvolvimentos em áreas essenciais de dutos submarinos, avaliando a integridade estrutural em todas as etapas dos projetos, a construção, a montagem e os materiais. “Um dos nossos trabalhos feitos em conjunto com a Petrobras trata do desenvolvimento de tubos API 5L X70MS sour service, com alta tenacidade para aplicações em águas profundas e ultraprofundas. Outros estudos ainda contemplam soluções nas áreas de tubos para aplicações linepipe offshore, ECA de tubos de alta tenacidade, tubos X100 para linepipe de alta resistência e mecânica da fratura para linepipe”, informou Chad.

Franceses investem mais – Os investimentos de grupos internacionais franceses no Brasil vêm aumentando na proporção do crescimento das reservas petrolíferas e do aquecimento da demanda por tubos, observado em vários setores industriais.

Controlada integralmente pelo grupo francês Vallourec, detentor de uma das mais modernas siderúrgicas integradas do mundo, a V & M do Brasil – Usina Integrada do Barreiro, de Belo Horizonte-MG, é especialista na produção de tubos de aço-carbono sem costura, feitos com matérias-primas e energia fornecidas pelas subsidiárias V & M Mineração e V & M Florestal. Enquanto a primeira subsidiária é responsável pela extração e beneficiamento do minério de ferro que irá abastecer a usina que produz gusa, a segunda produz todo o carvão vegetal utilizado na produção. Além de manter processo autossustentável na produção, a VMB utiliza carvão vegetal como principal fonte de energia renovável para sua produção.

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A Tenaris inaugurou recentemente em Pindamonhangaba-SP a sede da TenarisUniversity, centro de capacitação de funcionários, fornecedores e clientes, no qual foram investidos U$S 7 milhões na construção e na compra de equipamentos. Trata-se do quarto empreendimento desse tipo da empresa no mundo, que possui unidades na Itália, México e Argentina. A proposta é promover a excelência em capacitação, inovação e desenvolvimento de produtos e de processos.

A empresa também está instalando um centro de pesquisa e desenvolvimento na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro, com início de operações previsto para o segundo semestre de 2013, voltado ao desenvolvimento de produtos e de tecnologias para OCTG, linepipe e outros mercados – automotivo, nuclear e mineração. Entre os produtos e técnicas que contarão com maior atenção estão as conexões premium e as tecnologias de soldagem (longitudinal e circunferencial), bem como os revestimentos diferenciados (clad, poliméricos e orgânicos), além da pesquisa e desenvolvimento de produtos de alta resistência ao colapso e à corrosão. Para implementar a área de pesquisas, a empresa mantém acordo de cooperação com a Coppe/UFRJ para a qualificação de tubos e utilização de laboratórios de ensaios não-destrutivos para o desenvolvimento de soldas circunferenciais aplicadas a tubos submarinos de alta resistência (X70 e X80), e de tecnologia submarina para o desenvolvimento de tubos soldados com alta resistência ao colapso, para aplicações em poços de petróleo (OCTG).

A empresa investe anualmente US$ 9 milhões em pesquisa e desenvolvimento tecnológico, com a finalidade de corresponder às expectativas e demandas como as do pré-sal. Em conjunto com a Coppe/UFRJ, a empresa já desenvolveu vários trabalhos, como a aplicação da radiografia digital para armazenar dados estruturais de tubos e tubos com estrutura sanduíche com isolamento térmico para aplicações em águas profundas. A empresa também investiu cerca de R$ 27 milhões na construção de um pavilhão industrial na fábrica de Pindamonhangaba-SP. As obras deverão estar concluídas em novembro deste ano e permitirão aumentar em 25% a capacidade de produção de equipamentos (vasos, reatores, caldeiras, fornos) e de seus componentes, com pesos unitários até 80 toneladas, para fornecimento aos setores de petróleo, petroquímico, energia e celulose.

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Originalmente fundada em 1952 pelo grupo alemão Mannesmannröhren- Werke para atender à demanda de tubos de aço sem costura da emergente indústria petrolífera brasileira na época, passou ao controle do grupo francês Vallourec em 2000, produzindo, atualmente, 550 mil toneladas/ano de tubos de aço-carbono sem costura, que atendem os setores de extração de petróleo e de geração de energia térmica, entre vários outros, como por exemplo em linhas de condução de gases e fluidos industriais.

Também sob o controle de outro grupo francês, a Saint-Gobain Canalização, reconhecida no setor de saneamento ambiental, ingressou mais recentemente no setor industrial e tem viabilizado vários contratos, a exemplo do recém-firmado com a Suzano Papel e Celulose, para fornecimento de mais de15 quilômetrosde tubos de ferro fundido dúctil, válvulas e conexões para as instalações da nova fábrica da empresaem Imperatriz-MA. Trata-sedo maior negócio nesse segmento já fechado pela Saint-Gobain Canalização com uma indústria.

De acordo com técnicos da empresa, os tubos serão destinados às redes de incêndio, adução de água, de condução e tratamento de efluentes. Demais contratos ainda em fase de negociação com outros setores industriais permitem à empresa projetar a elevação no faturamento deste ano. Atualmente, os contratos de fornecimento ao setor público respondem por 92% dos negócios da companhia, enquanto aqueles firmados com o setor industrial correspondem a 8%, e tendem a aumentar.

Lançados há dois anos, os sistemas de canalização concebidos para atender indústrias contam com boas perspectivas, enquanto o mercado aguarda a retomada dos investimentos do setor público em obras de saneamento básico.

Operando com duas fábricas no Brasil,em Barra Mansa-RJe Itaúna- MG, a Saint-Gobain Canalização produz sistemas à base de ferro fundido dúctil que podem atuar no transporte de água bruta e tratada, integrar redes de incêndio e efluentes, em sistemas gravitários ou sob pressão.

Uma das linhas fabricadas é composta por tubos das classes k7 e k9, de ferro fundido dúctil, produzidos por centrifugação, com ponta e bolsa para junta elástica, com revestimento interno em argamassa de cimento, revestimento externo em zinco metálico e pintura de acabamento. As conexões, também de ferro fundido dúctil, possuem revestimento interno e externo com pintura de acabamento. A gama de tubos e conexões da linha industrial (PAM), produzida com diâmetros nominais que variam entre3”e48”, oferece a opção de travamento das juntas, interna ou externamente, possibilitando eliminar blocos de ancoragem.

Petróleo & Energia, Tubos - Produção cresce, mas a importação também
Fonte: Abitam
Petróleo & Energia, Tubos - Produção cresce, mas a importação também
Fonte: Abitam

Competitivos em performance e custo – As tubulações feitas de PRFV (Plásticos Reforçados com Fibras de Vidro) – compostas em grande parte por resinas éster-vinílicas com fibra de vidro, em se tratando de aplicações industriais – também têm ampliado sua participação em aplicações de alta agressividade, na condução de fluidos químicos, corrosivos e ácidos, em vários setores, seja diretamente ou através de composições entre resinas termofixas e termoplásticas, apresentando ampla diversidade em dimensões e atendimento a vários projetos sob encomenda.

“Os tubos de PRFV se tornam mais competitivos quando entram em disputa com as tubulações de aço inoxidável, basicamente por conta dos custos menores e do alto desempenho diante de condições extremas”, comentou Luiz Correa, gerente comercial da Tecniplas, de Cabreúva-SP. Em custo, as tubulações de PRFV chegam a ser entre 15% e 20% mais econômicas em comparação com as de aço inoxidável soldadas, oferecendo ainda a vantagem da maior resistência aos ambientes e fluidos químicos corrosivos. As tubulações de PRFV atuam com alto desempenho em diversos processos e setores industriais, como na captação e condução de ácidos derivados da indústria de cloro-soda, e na condução de vinhaça, subproduto da destilação do álcool, gerado em grandes quantidades, na proporção entre 12 e13 litrospara cada litro de etanol, e que sai do processo de destilação a 95ºC e pH corrosivo”, segundo informou Correa.

Nessas condições operacionais, somente os tubos inox e os PRFV são capazes de suportar tamanha agressividade. Os tubos de PRFV também atuam nos sistemas de combate a incêndio por constituir o material que mais resiste às chamas antes de entrar em colapso.

Hoje, são os grandes projetos e as expansões nas indústrias sucroalcooleiras, de papel e celulose, de fertilizantes e de cloro-soda os que mais demandam tubos de PRFV. Entre os grandes projetos que contam atualmente com fornecimento da Tecniplas, Correa destaca a participação da empresa na construção de uma das maiores fábricas de celulose do país, a Eldorado, do grupo JBS,em Três Lagoas-MS.

O aquecimento na demanda por tubulações nas indústrias motivou a empresa a fazer um grande investimento na mudança da fábrica para nova área com terreno 30% maior (30 mil m²), mas no mesmo município. Até o próximo mês de maio, a Tecniplas deverá ocupar as novas instalações da fábrica, que contará com galpão industrial maior, de 6 mil m² e mais bem equipado. “Temos colocado nos últimos meses um grande volume de propostas para a execução de vários projetos e acreditamos que 2012 será um ano muito bom para a concretização de vários negócios”, considerou Correa.

 

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