Tratamento de superfície: Tecnologia avança e substitui elementos danosos ao ambiente

E essa substituição, ressalta o químico da Tapmatic, não será motivada apenas por preocupações ambientais, mas também pelo interesse na eficácia, pois os desengraxantes tradicionais são oleosos e, por não evaporarem imediatamente, mantêm alguma oleosidade nas peças nas quais são aplicados. “Já os desengraxantes à base de água promovem o desengraxe total, removendo completamente toda a gordura, oleosidade e sujidade da peça”, compara Pacheco. “Também nos óleos protetivos deve haver a substituição dos solventes por compostos com base água, e no próximo ano lançaremos um produto desse gênero”, ele acrescenta.

Petróleo & Energia, Desengraxantes alcalinos de base aquosa oferecem desempenho elevado, sem prejudicar o ambiente
Desengraxantes alcalinos de base aquosa oferecem desempenho elevado, sem prejudicar o ambiente

Já a Henkel hoje comercializa no Brasil um desengraxante com base água também associado à marca Bonderite, que trabalha na temperatura ambiente (entre 25ºC e 35ºC). Normalmente, lembra Redondo, os desengraxantes trabalham com temperatura superior a 60ºC e o processo consome energia nesse aquecimento, enquanto desperdiça, por evaporação, parte da água a ele necessária. “Isento de metais pesados e solventes, pois é composto por insumos alcalinos e tensoativos, esse desengraxante já está sendo utilizado por grande parte da produção brasileira de linha branca”, diz Redondo.

Na SurTec, o rol de novidades inclui um produto para pré-tratamento com maior tolerância à contaminação com ferro. “Quanto maior essa tolerância, mais estável o processo, pois há menos subprodutos de reação com o ferro”, justifica Bandeira. Simultaneamente, a SurTec está lançando processos de conversão isentos de cromo. Além disso, em seu portfólio, a empresa hoje tem também passivações isentas de cobalto, destinadas a processos de zinco e zinco liga. “Isso é uma tendência proveniente da Europa, onde o cobalto é a cada dia mais restrito”, complementa o gerente de marketing.

A Atotech desenvolveu um sistema completo – com produtos e equipamentos – que, mediante a tecnologia de membranas de ultrafiltração, prolonga os banhos de zinco e níquel alcalino a ponto de, segundo Bombonati, “praticamente não haver mais necessidade de troca desse banho”. A empresa também lançou um processo de cromação de ABS (acrilonitrila butadieno estireno) isento de níquel químico.

O ABS, aliás, ainda impera no conjunto dos plásticos nos quais se aplicam tratamentos de superfície, mas, em outros países, segundo Bombonati, a indústria automobilística começa a trabalhar com diferentes possibilidades. É o caso da poliamida, hoje empregada em peças como os gatilhos das maçanetas internas, nas quais a quebra de peças feitas de ABS pode resultar em farpas e pontas capazes de ferir os usuários. “Cromar poliamida não é tarefa simples, mas esse processo já é feito em grande escala na Europa; e no Brasil é utilizado por pelo menos uma empresa. A Atotech tem tecnologia para isso”, finaliza Bombonati.

Aplicadores – No contexto geral da indústria de tratamento de superfícies, parece ser mais favorável atualmente a situação dos prestadores de serviços de tratamento de peças sujeitas a maiores exigências, como as destinadas à indústria aeronáutica, máquinas industriais, ou aos setores de energia eólica, óleo e gás. Este último tem volumes grandes o suficiente para incentivar as empresas do setor a investir na ampliação da capacidade de produção.

É o caso da Super Finishing, empresa sediada em São Bernardo do Campo-SP, cujo carro-chefe é a aplicação de níquel duro químico. Está sendo concluída a construção de uma nova área operacional, com inauguração prevista para janeiro: com cerca de três mil metros quadrados, ela será dedicada especificamente à indústria de O&G. “Atualmente, cerca de 70% do meu mercado é ligado a essa indústria”, diz Alberto Silva, diretor comercial da Super Finishing. Segundo ele, computando-se tanto obras civis quanto equipamentos, o investimento nessa nova área soma cerca de R$ 15 milhões.

Para óleo e gás, informa Silva, a Super Finishing trata itens como parafusos e engates rápidos para mangueiras flexíveis, alguns deles utilizados nas primeiras explorações do pré-sal. “O níquel químico permite a produção de peças com enorme precisão, e essa característica é importante quando não se admitem variações, nem trabalhos de retífica posterior ao tratamento”, ele ressalta. “Na indústria de O&G, além de trabalharmos com níquel químico, também fazemos hoje muitos revestimentos técnicos, com PTFE ou com bissulfeto de molibdênio”, acrescenta Silva.

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