Tratamento de superfície: Tecnologia avança e substitui elementos danosos ao ambiente

Por sua vez, a SurTec emprega nanotecnologia na fabricação das camadas de conversão de metais de suas linhas de pré-pintura SurTec 609 e SurTec 650. Douglas Bandeira, gerente de marketing dessa empresa, crê que, embora a fostatização seja cada dia menos utilizada nas etapas de pré-pintura, sua substituição pela nanotecnologia será gradual. “Os fosfatos de ferro e zinco tricatiônico ainda são muito utilizados”, especifica.

E é ainda difícil encontrar substitutos para o fosfato em determinados processos, como a trefilação de arames, complementa Douglas Fortunato de Souza, diretor da Itamarati, empresa que desde o ano passado atua no segmento dos nanotecnológicos para pré-pintura, mediante a linha Itanano (desenvolvida em parceria com a multinacional de origem norte-americana Havilland). “Esses produtos já estão sendo usados no mercado da decoração: em lustres, peças de mesas e cadeiras. E podem ser utilizados também pela indústria automobilística”, afirma o diretor da Itamarati.

De acordo com Souza, cresce o uso da nanotecnologia também na formulação de passivadores para banhos de zinco e de zinco liga, nos quais ela permite eliminar o uso de metais como o cobalto. “Além de caro, o cobalto é mais um metal a ser tratado nos efluentes, e a nanotecnologia pode substituí-lo”, lembra o diretor da Itamarati.

A questão do cromo – Aliado às suas características de eficácia e de produtividade, o posicionamento como tecnologia ambientalmente mais sustentável é um dos fatores propulsores da expansão do uso da nanotecnologia no tratamento de superfícies. Hoje disseminado em todas as atividades econômicas, esse apelo parece constituir diferencial cada dia mais marcante nas várias vertentes desse mercado.

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Foi com um produto cuja associação com o meio ambiente fica patente no seu nome, o Ecobrass, que a Revestsul conquistou recentemente um novo cliente, conta José Carlos D’Amaro, diretor de plate dessa empresa componente do grupo MacDermid. “É um banho de latão isento de cianeto, produto inédito mundialmente”, afirma D’Amaro. “Esse cliente está usando o produto na fabricação de chapas contínuas, mas ele pode ser aproveitado também em peças decorativas”, acrescenta.

Na opinião de D’Amaro, a próxima mudança ditada pelas exigências de sustentabilidade será o aprofundamento da substituição do cromo hexavalente pelo cromo trivalente. Já é possível, segundo informou, obter com a versão trivalente a mesma resistência conferida pela hexavalente nas peças plásticas – cada dia mais comuns em automóveis –, mas ainda é difícil realizar tal substituição na cromação de peças metálicas, pois o cromo hexavalente funciona como um passivador natural, que confere maior resistência ao produto. “Mas já se começa a usar o cromo trivalente na cromação de algumas peças internas de automóveis, como fivelas de cinto de segurança e encostos de cabeça. E deve haver essa mudança também em peças externas”, prevê o diretor da Revestsul.

A Atotech já trabalha no desenvolvimento de uma tecnologia na qual o cromo trivalente substituirá o hexavalente em processos como a cromação de hastes de amortecedores de automóveis, conta Maurício Bombonati, gerente de GMF (General Metal Finishing) da empresa. Segundo ele, esse mercado da cromação de hastes de amortecedores é tão importante para a empresa que a Atotech desenvolveu um equipamento específico para ele. “Mas logo o ácido crômico entrará na lista dos produtos controlados na Europa, e aí haverá redução de consumo”, destaca Bombonati.

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Mais espaço para plásticos – A sustentabilidade se impõe também no segmento dos produtos utilizados no preparo das peças para os processos de tratamento, como os desengraxantes, ainda predominantemente formulados com hidrocarbonetos alifáticos. Agora, afirma Marcos Pacheco, químico sênior da Tapmatic, cresce a substituição, nesses produtos, do nonilfenol – um surfactante poderoso, porém considerado cancerígeno – por surfactantes qualificados como mais ecológicos, como alquil lauril sulfato de sódio, oleato de sódio e linear dodecil benzeno sulfonato de sódio, entre outros.

Também se intensifica o uso de desengraxantes alcalinos com base água como alternativas àqueles formulados com hidrocarbonetos. Na própria Tapmatic, cuja presença é mais forte no mercado da manutenção de equipamentos, mas que fornece também para processos de produção, a oferta de desengraxantes, composta por três linhas, inclui apenas produtos alcalinos com base água.

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