Transmissão – Região sul reforça geração e transmissão de energia

ATENTAS à forte demanda por eletricidade, as estatais que atuam nos três estados do Sul realizarão diversas obras para atender os clientes residenciais e comerciais da região nos próximos anos. Celesc e Eletrosul (ambas de Santa Catarina), grupo CEEE (Rio Grande do Sul) e Copel (Paraná) investiram na geração, transmissão e distribuição de energia. Novos negócios serão efetuados em diversas modalidades, como criação de Sociedades de Propósitos Específicos (SPE), parceria com investidores, operações conjuntas entre as próprias estatais e com recursos próprios. Com uma capacidade atual de geração de energia elétrica de 80 MW, a Centrais Elétricas de Santa Catarina S.A. (Celesc) pretende chegar a 200 MW em cinco anos, conforme o planejamento estratégico da empresa. Para isso, investe fortemente na formação de parcerias para a construção de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs).

Diretor técnico e comercial da Celesc Geração, Michel Becker ex¬plica que a estatal adotou como modelo para ampliação de seus negócios a constituição de Sociedades de Propósitos Específicos (SPE), mediante as quais serão firmadas parcerias com investidores privados para alavancar esses empreendimentos. Segundo Becker, nessa modalidade de operação, a Celesc entra no máximo com 49% do capital investido, ficando o restante dos recursos sendo responsabilidade de um investidor privado, que, desta forma, tem mais agilidade para tocar o negócio.

A opção pela construção de Pequenas Centrais Hidrelétricas foi feita pela excelente oferta de água pelos diversos rios que abastecem as cidades nas mais diversas regiões do estado, o que garante regularidade na operação das usinas. Atualmente, a Celesc conta com um parque de geração própria de 12 PCHs. De acordo com o diretor técnico e comercial, neste ano a empresa está ampliando a Usina de Salto, locali¬zada em Blumenau, que vai passar dos 6 MW para 40 MW. A obra está sendo feita com recursos próprios. Também a Usina de Peri, que fica na cidade de Curitibanos, no centro do estado, será ampliada e passará dos atuais 4,4 MW para 30 MW.

Mediante as SPEs, estão em desenvolvimento duas novas operações, das nove previstas para serem executadas até 2015. A primeira, a SPE Usina Rio das Flores, dentro da PCH Prata, que será instalada no município de Bandeirantes, no oeste catarinense. Essa obra será constituída de três usinas, com capacidade de geração total de 9,6 MW, sendo que a primeira a entrar em operação terá uma potência máxima de 3 MW.

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Becker: parcerias para atuar com pequenas centrais

A outra obra que a estatal desenvolve no regime de parceria é a PCH Rondinha, no município de Passos Maia, na mesma região, com geração prevista de 9,6 MW. As novas usinas feitas através de SPE são bancadas com financia¬mentos obtidos via Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), agente financeiro do BNDES nessas operações. Por outro lado, os investimentos em ampliação das atuais unidades da Celesc estão sendo feitos com recursos próprios.

Quanto a investimentos em outras fontes de energia alternativa, Becker informa que já foram feitos diversos estudos com parceiros privados em relação ao parque eólico, mas que, no momento, a empresa estuda se vai participar ou não dos próximos leilões de energia previstos para meados de agosto, ressaltando que projetos novos existem.

Paraná planeja crescer – A Copel anunciou o seu plano de crescimento até 2015, mediante o qual pretende expandir em 44% a sua atual capacidade instalada para geração de eletricidade, que é de 5.158 MW. Para obtenção desse resultado, serão feitas novas aquisições de ativos e a empresa buscará vencer leilões de novas usinas que venham a ser ofertados pela Aneel. Lindolfo Zimmer, presidente da companhia, afirma que, nesses novos negócios, será concedida prioridade para o aproveitamento de fontes alternativas de energia – naturais, limpas e renováveis. Ele espera que essas novas fontes representem 22% de participação na matriz energética estadual em 2015.

Na comercialização de energia, a empresa planeja aumentar para até 34% a parcela de sua geração própria negociada no ambiente de contratação livre, como forma de melhorar a rentabilidade de seus ativos. Já no segmento de transmissão de energia, o objetivo da Copel é expandir seu sistema próprio em mil quilômetros de linhas de transmissão – atualmente são quase 2 mil km de linhas – e aumentar a capacidade de transformação das subestações em até 4 mil MVA, ampliando em 62% suas receitas na atividade.

Na distribuição de energia elétrica, a empresa pretende, até 2015, investir na renovação e modernização dos ativos para aprimorar os indicadores de qualidade, promovendo grande melhoria na confiabilidade do seu sistema e o pleno atendimento ao crescimento do mercado. Nessa área, segundo Zimmer, a empresa tem por objetivo crescer mediante aquisições. Ele garante, no entanto, que esse incremento dependerá da disponibilidade de tais ativos e do bom termo das eventuais operações de aquisição.

Por último, no setor de telecomunicações, a Copel, que no momento dispõe de uma rede de 6.595 km de cabos ópticos no anel principal e 12.028 km em linhas radiais, que atendem 252 cidades do Paraná e duas de Santa Catarina, com um total de 1.088 clientes, tem como meta, até 2012, estar presente em 100% das cidades do estado do Paraná e prover a conexão de todas as cidades em banda extra larga até 2015.

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Zimmer: planos para expandir rede de transmissão em mil km

Outra obra relevante é a construção da Usina Hidrelétrica Colíder, no Mato Grosso, que agregará, quando do início de sua operação em janeiro de 2015, mais 300 MW ao potencial de geração de energia da empresa. De acordo com o presidente da Copel, esse empreendimento irá gerar 2,4 mil empregos diretos e 8 mil indiretos, refletindo uma fase de forte desenvolvimento em que a região se encontra.

Zimmer acrescenta que a usina acompanha as obras de conclusão da BR 163, que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA), que serão completadas até o fim do ano, significando avanço no escoamento da produção agrícola do Mato Grosso até o porto paraense.

A Usina Colíder será o primeiro dos quatro aproveitamentos hidrelétricos previstos no curso do rio Teles Pires, no norte do Mato Grosso. Além dessas obras, existem mais oito aproveitamentos de grande porte inventariados na bacia do rio Tapajós para serem leiloados no próximo ano. Depois de concluída, a Usina Colíder vai operar com 300 MW de potência, o suficiente para atender uma cidade com 850 mil habitantes. Lindolfo Zimmer ressalta que o empreendimento terá um reservatório de 171,7 km², que abrangerá as cidades de Nova Canaã do Norte, Itaúba, Colíder e Cláudia. Contará ainda com uma subestação e uma linha de transmissão com 130 km de extensão, ambas na classe de tensão de 500 mil volts.

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Albuquerque: plano pretende garantir eletricidade para a Copa do Mundo

Em geração elétrica, a empresa informou a aquisição de participação em quatro parques eólicos que estão sendo instalados no Rio Grande do Norte, na Região Nordeste. A estatal paranaense adquiriu 49,9% dos parques eólicos Farol (com 20 MW), Olho d’Água (30 MW), São Bento do Norte (30 MW) e Boa Vista (14 MW) da Dreen Brasil Investimentos e Participações, empresa vinculada ao grupo Galvão Energia, que ficará com os 50,1% remanescentes dos empreendimentos. Essas novas usinas deverão entrar em operação a partir de 2013. Entretanto, a sua produção e comercialização já estão garantidas por meio de contratos com 20 anos de duração. A expectativa é a de que o faturamento dessas novas usinas fique em torno de R$ 50 milhões anuais.

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Dias: demanda elétrica gaúcha teve aumento de 7% em 2012

Mais energia para gaúchos – No Rio Grande do Sul, o Governo do Estado, a Secretaria de Infraestrutura e Logística (Seinfra) e o grupo CEEE (estatal que atua na distribuição, geração e transmissão de energia elétrica) lançaram, na segunda quinzena de maio, o Programa RS Mais Energia. O projeto total prevê investimentos de mais de R$ 1,7 bilhão em mais de cem empreendimentos nos setores de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica para o triênio 2012-2014.

Para o secretário de Infraestrutura e Logística do RS, Beto Albuquerque, a iniciativa representa um momen¬to ímpar para o Rio Grande do Sul, sendo a primeira ação de um plano que permite investimentos necessários para suprir as deman¬das de energia para o meio rural, além de suporte para a atração de novos investimentos na indústria, permitindo o desenvolvimento do estado. “Também o fornecimento de energia em grandes eventos, como a Copa do Mundo de 2014, fica disponível e confiável”, disse Beto Albuquerque.

Por sua vez, o presidente do grupo CEEE, Sérgio Souza Dias, revelou que essas novas obras são fundamentais para atender com tranquilidade o sistema elétrico gaúcho, principalmente as altas taxas de consumo que ocorrem nos meses de verão. Ele lembrou que, em fevereiro de 2012 (pico do consumo), a demanda verificada cresceu 7% a mais, em relação a 2011. Ele reve¬lou que, no segmento de geração, serão aplicados, até 2014, R$ 322,9 milhões; em transmissão, R$ 387 milhões; e na distribuição, R$ 474,8 milhões. Para melhorar sua gestão comercial e o setor de tecnologia da informação, o presidente do grupo CEEE anunciou que serão feitos aportes de R$ 335 milhões. A Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica – CEEE-GT também participa de dois consórcios (TESB e TSBE) para construção de subestações e linhas de transmissão no estado, com investimento de R$ 180 milhões. O TESB é um investimento de R$ 230 milhões; e o TSBE, R$ 400 milhões. Nesses negócios, a participação da CEEE é de 26% e 30%, respectivamente.

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Mescolotto: vitória no leilão da Aneel pode garantir prazos

Mais transmissão – A Eletrosul (em¬presa do sistema Eletrobras) e a CEEE-GT arremataram o prin¬cipal lote de leilão de transmissão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), realizado na primei¬ra semana de junho, em São Paulo, na sede da BM&FBovespa. Os empreendimentos do Lote A somam R$ 710 milhões e visam a integrar a Região Sul do Rio Grande do Sul ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

Segundo o presidente da Eletrosul, Eurides Mescolotto, são 490 quilômetros de linhas de transmissão (525 kV de tensão), três novas subestações e a ampliação de uma unidade existente. O prazo para conclusão das obras é de 24 meses após a assinatura dos contratos de concessão. De acordo com Mescolotto, esse sistema de transmissão é fundamental, pois permitirá o escoamento da energia gerada nos parques eólicos que a estatal irá construir nos municípios de Chuí e Santa Vitória do Palmar. Serão dois complexos eólicos – Chuí e Geribatu – que somados irão produzir 402 MW, energia suficiente para atender o consumo de uma cidade do tamanho de Porto Alegre-RS.

Mescolotto adiantou que, em Santa Vitória do Palmar, a Eletrosul já instalou um escritório de apoio às obras, que deverão começar até o final deste ano, ressaltando que o prazo para o início da operação dos dois complexos vai até março de 2014. Ele ressaltou que foi importante para a companhia ter vencido esse leilão, porque assim poderá imprimir um ritmo das obras que acompanhe a construção dos parques eólicos.

Os seguintes empreendimentos fazem parte do lote A, arrematado pela parceria Eletrosul e a CEEE-GT: subestações Povo Novo (525/230 kV), Marmeleiro (525 kV) e Santa Vitória do Palmar (525/138 kV); linhas de transmissão Nova Santa Rita – Povo Novo, Povo Novo – Marmeleiro, Marmeleiro – Santa Vitória do Palmar (todas em 525 kV); seccionamento da linha Camaquã 3 – Quinta na SE Povo Novo (230 kV).

 

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