Tintas e revestimentos : Qualidade norteia desenvolvimento de produtos

Química e Derivados - Tintas e revestimentos - Qualidade superior norteiam desenvolvimento de produtos

Tintas e revestimentos – Resinas: Qualidade superior aliada a custos aceitáveis norteiam desenvolvimento de produtos

A entrada em cena do novo coronavírus desacelerou bruscamente a economia mun­dial. Após causar uma paralisia na China (de novembro de 2019 até o fim de março deste ano), arrasou a Europa, principalmente a Itália e a Espanha, e se espalhou por todos os continentes. Em março, o Brasil quase parou.

Em meio à quarentena decretada pelo governo do Estado de São Paulo para tentar arrefecer o impacto da pandemia do Covid-19, o diretor da Oswaldo Cruz Química, Júlio C. B. Fortunato, comentou: “O mercado vinha bem, estávamos otimistas. Agora, estamos apreensivos com o curto prazo, mas, por outro lado, otimistas de que isso é temporário e teremos um efeito rebote, com a demanda reprimida em busca de produtos e serviços”.

Na Wana Química, uma dúvida rondava os pensamentos da gestora de produto, Myrian Carvalho de Oliveira: “O ramo de tintas cresceu muito no Brasil nos últimos anos, com as resinas acrílicas acompanhando a tendência. A pandemia impactou esse cenário. Teremos que verificar como será o crescimento após esse recesso”. Ela acrescenta que 2019 foi “um ano bem difícil” para a empresa, que fechou com um “resultado satisfatório”, tendo em vista que “muitas de maior porte não tiveram crescimento”. A Wana é uma companhia 100% nacional, especialista em aditivos químicos para vários negócios.

Química e Derivados - Myriam: demandas ambientais exigem investir em inovação
Myriam: demandas ambientais exigem investir em inovação

Guilherme Lagrotta, gerente de marketing da Dow para o mercado de tintas para a América Latina, avalia que a expectativa para 2020 é de melhora em relação a 2019, puxada por uma demanda maior de consumo: “No entanto, devido à volatilidade do comércio, existe um cuidado com fatores externos que possam influenciar esse crescimento. Seguimos monitorando essas interferências para avaliar se os resultados serão os esperados”.

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Everton Luis Marion, gerente de negócios da linha coating additives da Evonik, olha para 2020 como “um ano desafiador, seja pela conjuntura econômica ou por diversos outros fatores que impactam o resultado da indústria de tintas e revestimentos”. Como um dos líderes mundiais em fornecimento de insumos para a esse setor, a multinacional de origem alemã quer manter uma “perspectiva positiva”, estando atenta aos movimentos nas transações, “antecipando demandas com soluções sob medida e serviços de alta qualidade”.

Química e Derivados - Marion: resinas de silicone suportam altas temperaturas
Marion: resinas de silicone suportam altas temperaturas

Luiza Goulart, representante de serviços técnicos para resinas da Basf, apregoa que o foco desse ano está no desenvolvimento de novos produtos, mediante inovações: “Percebemos que há procura por novas soluções, buscando diferenciação”. 2019 foi um ano de resultados bastante positivos, com recordes de vendas, “fruto de uma intensa parceria com os clientes”. Para ela, 2020 começou com novas demandas de projetos, mostrando que existem boas oportunidades para serem exploradas no âmbito nacional.

Química e Derivados - Luiza: PU com altos sólidos oferece elevada produtividade
Luiza: PU com altos sólidos oferece elevada produtividade

Gustavo Gândara, gerente de marketing de epóxi para a América Latina da Olin, encara o ano como o da “continuidade da consolidação” da corporação como principal fornecedora de resinas epóxi no Brasil: “A retomada do setor de energia eólica e os investimentos em manutenção industrial trazem uma ótima perspectiva. Além disso, novas tecnologias em materiais compostos podem trazer crescimento nos próximos anos. O cenário é promissor, mas requer atenção em estratégias para promoção de tecnologias no longo prazo”.

Nesse momento de inquietação, resta, segundo Fortunato, “fazer a lição de casa para que o mercado e as pessoas tenham o menor dano possível. Para que, a médio prazo, se tenha uma recuperação e estabilização. E que se volte a crescer no longo prazo”.

Myrian relata que a área de resinas “é extremamente competitiva, pois elas impactam diretamente nos custos dos fabricantes de tintas”, que sofrem pressões sobre suas margens e preços. “Por isso, optamos por estar sempre positivos e investimos em produtos com inovação tecnológica, com combinações de diferentes aditivos e monômeros, buscando redução de custos em matérias-primas, com o objetivo de atender as necessidades de consumo com qualidade”.

Lagrotta declara que os objetivos não mudam para médio e longo prazos, “uma vez que a prioridade será sempre o respeito ao consumidor, entregando produtos de qualidade e alta performance”. Ele diz que sempre há busca por inovação, tecnologia, durabilidade das tintas, eficiência e melhora na experiência do usuário final. “Hoje, as tintas mais procuradas e que atendem a estes padrões são as premium e super premium. Além disso, há também a preocupação com o meio ambiente. Por isso, procura-se cada vez mais produtos sustentáveis, sem comprometer a qualidade”.

Química e Derivados - Gândara: energia eólica gera grande mercado para epóxi
Gândara: energia eólica gera grande mercado para epóxi

Marion opina que, “devido à ampla gama de aplicações em setores com alta demanda e potencial para crescimento, as perspectivas são positivas. A busca cada vez maior por produtos mais sustentáveis, de alta resistência, durabilidade e de alta performance são os principais fatores que impulsionam as vendas de resinas”.

Luiza confia que, a curto prazo, a perspectiva é que o setor de tintas industriais e automotivas caminhe para soluções de altos sólidos, diminuindo a emissão de COV e sistemas bicomponentes de cura rápida. “A médio e longo prazos, acreditamos que soluções base água, principalmente para proteção anticorrosiva, crescerão consideravelmente”.

A posição da Olin é relativamente confortável, como única produtora de epóxi na América Latina, com cerca de 400 produtos. “A fábrica no Guarujá-SP está preparada para atender o Brasil e outros países da América do Sul. Temos aumentado o portfólio de produtos para atender as necessidades de compradores grandes, médios e pequenos”, comunica Gândara.

A unidade fabril tem buscado eficiência nos processos produtivos, com redução de custos e melhora na competitividade. “Além disso, estamos aprimorando ainda mais os níveis de serviço, como pontualidade de entrega e tempo de resposta”, adiciona.

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Avanços – Indagado se o segmento está avançando técnica e comercialmente, em que pesem as pressões ambientais, econômicas e exigências de desempenho dos clientes mais importantes, Fortunato, da Oswaldo Cruz, respondeu afirmativamente: sempre houve um progresso técnico.

Química e Derivados - Lagrotta: tecnologia precisa usar insumos com eficiência
Lagrotta: tecnologia precisa usar insumos com eficiência

Mas, essa ascensão “acelerou nos últimos anos, principalmente pela demanda por mais qualidade e com produtos que sejam viáveis economicamente”. E agregou: “Com o nosso corpo técnico presente nos comitês técnicos, conseguimos prestar um serviço melhor”. A firma está sempre atualizada em relação às normas e requisitos para aplicar nos produtos e embalagens.

Considerando que o segmento de resinas está cada vez mais exigente em qualidade, tais como lavabilidade, imposto pelo programa instituído pela Abrafati, e a tendência também é por produtos que agridam menos o meio ambiente, com baixo odor, VOC e Apeo Free, Myrian conta que a Wana investe em produtos que atendam essa demanda sem esquecer do custo-benefício.

“Entendemos que é preciso o uso eficiente de matérias-primas e investimos em tecnologias que melhoram e facilitam a aplicação das tintas”, assinala Lagrotta, da Dow. “Nós somos os primeiros a desenvolver uma emulsão à base de água (com baixo nível de VOC e Apeo), que proporciona à tinta um desempenho muito menos poluente, com ótima qualidade de acabamento”.

Em termos técnicos, o mercado brasileiro está em sintonia com os produtos desenvolvidos e utilizados em outros países do mundo, conceitua Marion, da Evonik. “De forma geral, os formuladores sabem que o aperfeiçoamento das resinas proporciona melhores produtos finais, além de aumentar o campo de utilidades. Esta realidade gera constante evolução nos quesitos qualidade, tecnologia e inovação”.

Luiza observa que o movimento em direção ao desenvolvimento de produtos mais sustentáveis e de melhor qualidade é uma realidade na área de tintas industriais e automotivas. “Os clientes estão nos dando a oportunidade de atuar como parceiros no desenvolvimento de produtos que melhoram a produtividade, permitem formulações de alto sólidos, diminuindo a emissão de compostos orgânicos voláteis, e alternativas base água para sistemas convencionalmente base solvente. A sustentabilidade e a inovação são pilares fundamentais da Basf e nosso compromisso é oferecer soluções em resinas”. A corporação possuí um portfólio amplo em resinas para tintas industriais e automotivas.

Química e Derivados - França: pintura industrial evolui com regulamentações
França: pintura industrial evolui com regulamentações

Marcos França, diretor de pesquisa e desenvolvimento para a América Latina da Olin, sustenta que o ramo de pinturas industriais avança continuamente, seguindo as tendências mundiais. “Entretanto, na América Latina, nota-se uma menor exigência de mudanças em função de pressões regulatórias e normatizações que ocorrem em outras regiões, como a Europa, por exemplo. Mesmo assim, uma vez que as multinacionais adotam certas tecnologias em suas matrizes, é apenas uma questão de tempo até que ocorra a conversão em suas filiais na América Latina”.

Esse movimento é gradual, pondera o executivo, “mas pode ser acelerado dependendo da atitude dos usuários finais, em relação à adoção destas tecnologias, mesmo não havendo uma legislação que obrigue a sua adoção. Multinacionais como nós, com centros de pesquisa nos Estados Unidos, Europa e China, trabalham para se antecipar às tendências e desenvolver linhas de produtos à frente da demanda. Assim sendo, quando há procura na América Latina, em geral, os produtos já estão prontos para o consumo, contanto que a área seja considerada uma área de interesse para a organização e que exista um espaço para a sua comercialização”.

Uma das metas da Oswaldo Cruz é buscar mais desmpenho, “sem abrir mão da sustentabilidade ambiental e econômica”, afiança Márcio Gitti, coordenador dos laboratórios de aplicação técnica. Para citar alguns exemplos, “temos resinas de baixo odor e VOC, como a Fortcryl 6116, que proporciona alta lavabilidade e brilho, sendo também adequada para sistemas tintométricos; e resinas para texturas de alta performance, como a Fortcryl 6028, que proporciona excelente hidrorepelência e durabilidade para estes revestimentos”.

Na Abrafati 2019, a Wana lançou uma resina de tecnologia inovadora, especialmente desenvolvida para demarcação viária. A Viawan RD 57 apresenta “excelente secatividade em câmara úmida, boa compatibilidade com diferentes gramaturas de cargas minerais, resistência a tráfego intenso e ótima resistência a água em teste de imersão”, explica Myrian. Além disso, possui um amplo portfólio de emulsões acrílicas, que contemplam diversos tipos de aplicações e exigências.

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A Dow está trabalhando no Brasil com a Primal DC-420, uma emulsão estireno acrílica livre de Apeo que possui uma tecnologia “emprestada” do seu segmento industrial. Proporciona alto poder de cobertura, alta resistência à lavabilidade, permitindo, em alguns casos, a redução de até 30% de uso em fórmula, reduzindo custos e melhorando a performance, salienta Lagrotta. Outro destaque é a Primal AH5000 LO, emulsão 100% acrílica para ambientes externos, que evita a formação das bolhas e o descascamento. A companhia informa que possui “carteira completa para tintas e revestimentos da América Latina”, contemplando desde tecnologias simples até as mais sofisticadas. Produz todos os tipos de emulsão: acrílica, vinil acrílica, estireno acrílica e híbridas.

Inovação é um dos pilares fundamentais da Evonik, proclama Marion. O seu catálogo é composto por resinas de silicone (recomendadas para aplicações que requerem alta resistência à temperatura) e resinas híbridas de silicone, que permitem adicionar propriedades adicionais aos sistemas de resinas orgânicos comumente utilizados.

“Este ano estamos trazendo para o mercado nacional alguns lançamentos globais, como o Silikoftal HTW 3, uma resina de silicone base água que atende todos os requisitos de uma formulação sustentável. Recomendado para aplicações que requerem resistência à temperatura, este material é isento de solventes orgânicos e apresenta uma redução significativa do conteúdo de COV da produção para a aplicação. Esta resina é adequada para contato com alimentos como constituinte do revestimento externo. Já a nova resina híbrida de silicone poliéster Silikoftal HTL 1 apresenta o balanço ideal de performance e custo, contendo 10% de resina de silicone, que confere proteção confiável e duradoura para utensílios de cozinha, como panelas e frigideiras.

A Basf tem foco no desenvolvimento de inovações e, para o setor de resinas para tintas industriais e automotivas, trabalha continuamente para viabilizar tendências e necessidades de consumo. “Em relação às tintas poliuretânicas base solvente, tem soluções em polióis acrílicos de altos sólidos e alternativas de cura rápida aumentando a produtividade em aplicação. Recentemente, lançamos mais alternativas de soluções base água para sistemas de proteção anticorrosiva. Os nossos especialistas técnicos estão, constantemente, desenvolvendo novos projetos e ouvindo as demandas”, ressalta Luiza.

A Olin atua “fortemente” nas áreas de tecnologias amigáveis ao meio ambiente, antecipando-se às regulamentações cada vez mais estritas no campo das pinturas industriais. “Temos trabalhado em melhorias nos sistemas epóxi base água para pinturas industriais, modificações em vários endurecedores para resinas epóxi, reduzindo ou eliminando o conteúdo de bisfenol-A livre, bem como alternativas para tecnologias menos amigáveis ao meio ambiente, que cumpram funções específicas, como cura em baixas temperaturas (ou cura rápida em temperatura ambiente) ou tecnologias de pinturas intumescentes para proteção contra chama”, sintetiza França.

Investimentos – Recentemente, a Oswaldo Cruz investiu na parte fabril. “Agora, as inversões estão voltadas para o centro de pesquisa e aplicações, onde desenvolvemos novas metodologias de avaliação dos produtos atuais e também daqueles que ainda serão lançados, assevera Gitti.

Tendo em mente que, normalmente, “a curva de crescimento dos negócios aumenta a partir do segundo semestre”, Myrian anuncia que a Wana está investindo nas equipes comercial e técnica. O desejo é de expansão.

A Dow aplica anualmente em pesquisa e desenvolvimento, pois “acredita que empresas que promovem uma prática consistente de inovação entregam maior valoração para a cadeia”. Mais do que isso – prossegue Lagrotta – “os investimentos também propiciam um diferencial competitivo para stakeholders, para a comunidade e para o público interno. Nesta área, seguiremos investindo em inovação e tecnologia, a fim de proporcionar soluções que atendam às necessidades de sustentabilidade e funcionalidade. Ou seja, emulsões e resinas que propiciem baixo odor, alto poder de cobertura e lavabilidade”.

Lembrando que as crescentes demandas de avanços regulatórios para revestimentos em relação a considerações ambientais, sustentabilidade ou conteúdo de Compostos Orgânicos Voláteis continuam a impulsionar mudanças de formulação e adoção de tecnologias de revestimento novas e mutáveis, Marion expõe que “as inversões são constantes em pesquisa e desenvolvimento na Evonik, incluindo a área de resinas. Atualmente, mais de 250 especialistas trabalham em todo o planeta desenvolvendo novos insumos e otimizando as formulações da clientela. São 16 laboratórios de serviços técnicos em todo o mundo, que trabalham de forma muito próxima aos consumidores”.

Fiel ao seu viés inovador, “a Basf tem investido muito na digitalização de processos de desenvolvimento e na relação com os consumidores. E continuará investindo no uso de plataformas digitais, bancos de dados e no aperfeiçoamento de técnicas de design de experimentos”, garante Luiza.

Na Olin, os recursos destinados à pesquisa e desenvolvimento são programados a longo prazo. E “as atualizações tecnológicas nas unidades produtivas ocorrem também de maneira contínua e incremental”, nas palavras de França.

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De acordo com Gitti, os planos da Oswaldo Cruz “estão voltados para a parceria cliente/fornecedor, na qual os nossos laboratórios e o corpo técnico serão a extensão dos laboratórios dos clientes, ajudando a desenvolver novas aplicações, solucionar problemas e reduzir custos”.

“Os desafios para crescimento estão cada vez maiores para todos, independente do segmento”, avalia Myrian, da Wana: “Nós estamos focando em desenvolvimentos e aplicações em diversas formulações, procurando trazer soluções inovadoras e com custos competitivos”.

Lagrotta revela que uma das estratégias da Dow, este ano, é o Centro de Inovação, que “tem como diferencial servir como um local de geração de ideias e colaboração com compradores e outros parceiros”. O centro está localizado em Jundiaí-SP e consolidou o laboratório de aplicações e as atividades de pesquisa e desenvolvimento. O objetivo é estimular um ambiente de inovação colaborativa entre os funcionários de diferentes unidades de negócios, permitindo o desenvolvimento de novas tecnologias e o fomento a sinergias comerciais e tecnológicas.

Marion narra que, “além de desenvolver novas tecnologias e abrir as portas dos laboratórios, um outro diferencial da Evonik é oferecer treinamento técnico frequente. No Brasil, os clientes contam com o apoio do Laboratório de Aplicação de Coating Additives, instalado em Americana-SP. O espaço tem por objetivo tratar as necessidades e desafios dos formuladores, oferecendo a solução mais adequada de produto, otimizando as formulações e aumentando a competitividade”.

A Basf, discorre Luiza, através da parceria com a clientela e intenso investimento em inovação, trabalha para ser sempre pioneira no desenvolvimento de soluções: “A nossa principal estratégia é manter o foco no consumidor para atender as necessidades atuais e futuras analisando as tendências mercadológicas”.

Líder global em resinas epóxi, a Olin busca antecipar as mudanças tecnológicas, não somente na área de pinturas. “Temos, por exemplo, uma grande ênfase em pesquisa na área de compósitos para fabricação das turbinas eólicas, em decorrência da crescente demanda por energias renováveis. A mesma tecnologia é utilizada para outras aplicações de materiais compostos visando redução de peso e maior durabilidade em substituição a metais”, descreve França.

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