Energia

Tintas antichamas – Mesmo sem normas nacionais, uso de tintas de proteção passiva contra incêndio registra avanço

Marcelo Fairbanks
27 de novembro de 2012
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    A Sherwin-Williams desenvolveu com um parceiro tecnológico um programa capaz de calcular rapidamente a área exposta de estrutura metálica e calcular a quantidade de tinta necessária para cobri-la. “Basta que o cliente nos envie a planta digitalizada”, disse Silva.

    Plataformas e refinarias – Na classe de fogo hidrocarboneto, os especialistas apontam duas situações diferentes de aplicação de proteção estrutural: estruturas onshore e offshore. O primeiro grupo é formado por refinarias de petróleo, tanques, esferas, petroquímicas e indústrias que operam com hidrocarbonetos. Nesse caso, o mercado nacional ainda dá preferência aos revestimentos cimentícios.

    “A aplicação de concreto ou argamassa sobre metal é mais barata, mas o epóxi dura mais e protege melhor contra a corrosão, além de representar menos peso aplicado sobre a estrutura”, comentou Silva, da Sherwin-Williams. Segundo ele, a Petrobras está adotando a tendência mundial de substituir o concreto refratário pelo epóxi intumescente. Com o epóxi, as peças podem ser pintadas na fábrica antes da montagem, enquanto o concreto precisa ser aplicado no local, com a construção de formas.

    “De cinco anos para cá, todas as novas construções onshore estão usando tintas intumescentes no setor de petróleo”, comemora Zenobi, da AkzoNobel International. Apenas alguns itens, como válvulas, usam proteções feitas de material flexível. Segundo informou, essas tintas ganharam espaço por atender a situações como ambientes corrosivos e também pela vida útil mais longa dos revestimentos, em comparação com os cimentícios. Nas unidades mais antigas, o concreto predomina.

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    Bunker para testar tinta intumescente sob fogo

    Zenobi explica que o concreto piora a proteção anticorrosiva pelo fato de curar por alcalinização. “Porém, com o passar dos anos, o pH do revestimento vai se acidificando e começa a corroer o aço que deveria proteger”, comentou. Além disso, como o isolamento térmico promovido por essa alternativa é derivado da evaporação da água residual, quando há um acúmulo grande de umidade na massa a geração de vapor é tão intensa que racha o revestimento e o derruba.

    Silva, da Sherwin-Williams, aponta casos de esferas de armazenamento de gás cujas pernas metálicas revelaram alto grau de corrosão mesmo estando sob grossa camada de concreto fire proof revestida com elastômero. “O concreto não tem boa aderência ao aço e permite a entrada de água em contato com o metal”, afirmou.

    A abertura do mercado onshore depende de uma aproximação com o cliente final antes mesmo da elaboração do projeto, para apresentar o conceito de proteção. No Brasil, o maior usuário é a Petrobras, cuja norma interna respectiva ao tema é a N-1756, atualmente na revisão C. A revisão B, anterior, nem admitia revestimentos outros que os cimentícios. A norma atual incluiu o item 6.3 para outros tipos de revestimento, que precisam atender às normas API 2218 e Ansi/UL 1709 (ensaios de fogo), estabelecendo que a temperatura média na superfície metálica não pode passar de 538ºC, em nenhum ponto superior a 649ºC. “Essa norma não fala em tempo de proteção, mas, para onshore, usa-se duas horas como padrão”, comentou Zenobi. Ele disse que a norma está em fase de revisão.

    A vantagem é clara. Segundo Silva, da Sherwin-Williams, uma proteção de 50 mm de espessura de concreto pode ser substituída por uma camada de 2 mm de epóxi. A linha Firetex para fogo de hidrocarbonetos destaca os tipos M-90 (duas horas de proteção) e M-93 (três horas). A seleção dos produtos deve levar em conta vários aspectos adicionais, entre eles se há previsão de a estrutura ser atingida por um jato de fogo (jet fire) ou pelas chamas alimentadas por uma poça ou piscina de combustíveis (pool fire). “São situações diferentes que precisam ser bem avaliadas”, comentou.

    A AkzoNobel oferece a linha Chartek, iniciada em 1974 pela Texlon, pioneira em epóxi intumescente, segundo Zenobi. “O Chartek 59 foi criado pela Texlon a pedido da Nasa para proteger a cápsula espacial durante a reentrada na atmosfera terrestre”, informou. A AkzoNobel comprou essa divisão de produtos mais tarde. Para fogo de hidrocarbonetos, a linha compreende os tipos 7, 8 e 1709, todos eles epóxis bicomponentes.

    O Chartek 7 é o mais versátil, podendo suportar até duas horas em pool ou jet fire, oferecendo intumescência de cinco a oito vezes a camada inicial, com aplicações também em corpos de esferas, vasos de pressão e outros. O Chartek 8 suporta uma hora de pool fire a 400ºC, com a vantagem de constituir uma camada única inicial de até 7,2 mm sem malha de reforço. Sua expansão chega a 18 vezes a espessura inicial. Os tipos 7 e 8 são mais adequados para uso offshore, contando com certificação Norsok M-501. O tipo 1709 tem certificação UL 1709, suportando pool fire por quatro horas, com intumescência de 18 vezes. “Temos tintas com intumescência até 70 vezes para fogo celulósico”, comentou Zenobi.

    Petroleo & Energia, Pistola de alta pressão aplica tinta com rapidez, Tintas antichamas - Mesmo sem normas nacionais, uso de tintas de proteção passiva contra incêndio registra avanço

    Pistola de alta pressão aplica tinta com rapidez

    Offshore exige mais – Plataformas e navios usados na exploração e produção de petróleo e gás natural offshore (longe da costa) carregam um risco adicional considerável, exigindo critérios mais rígidos de prevenção e de reação ao fogo. A proteção passiva de estruturas metálicas precisa atender a esses requisitos.

    Gabriel Zenobi, da AkzoNobel International, aponta diferenças marcantes entre os mercados onshore e offshore, ambos para fogo de hidrocarbonetos. “As instalações offshore não contam com normas de proteção no desenho, o que vale são os certificados das classificadoras, como Lloyds, DNV, ABS e outras”, comentou. Enquanto as classificadoras cuidam dos projetos, os fornecedores de tintas precisam oferecer produtos certificados que supram as necessidades apontadas por elas. “As classificadoras aprovam cada tinta e em cada situação diferente de aplicação; é preciso investir tempo e dinheiro para conseguir isso.” E cada alteração ou adaptação de formulação pede nova aprovação.

    Isso se explica pelas exigências das companhias seguradoras, interessadas em manter as operações no mais alto nível de segurança. “As medidas de prevenção acabam se refletindo na redução de sinistros e, indiretamente, no valor dos prêmios de seguro”, explicou Silva, da Sherwin-Williams. Dessa forma, a oferta de tintas intumescentes para offshore precisa começar pelas companhias seguradoras.

    Apesar de as exigências das clas sificadoras muitas vezes superarem os requisitos das normas usuais para onshore, a aceitação das tintas intumescentes nas plataformas offshore é mais fácil. “A redução do peso sobre a estrutura é facilmente percebida nas plataformas, bem como a melhor proteção anticorrosiva”, afirmou Silva.

    A aplicação das tintas também é vantajosa, podendo ser feita em instalações adequadas (paint shops) antes da montagem final. Os fabricantes pedem que seja feito o preparo adequado da superfície a proteger, jateando-a até quase o metal branco, proporcionando ancoragem suficiente para um primer (quando necessário) e a camada de tinta intumescente. O preparo mecânico manual é aceito apenas para pequenas áreas. “O primer precisa ser compatível com a tinta que o recobrirá e também com a aplicação, porque ele não pode descolar do substrato sob alta temperatura”, considerou. A International testa ambos antes de recomendá-los. Segundo Zenobi, a cotação é geralmente feita do conjunto completo, incluindo ou não o acabamento.

    A AkzoNobel inaugurou em 2011 um centro de excelência na Inglaterra que conta com um moderno laboratório de produtos contra fogo. “Lá se consegue simular curvas de fogo para cada ensaio específico de cada norma, com controle computadorizado, podendo testar o produto também com carga sobre a viga, para avaliar o comportamento do revestimento com deformação”, informou Zenobi.

    A linha Chartek, para fogo de hidrocarbonetos, só é vendida para empresas qualificadas para a sua aplicação, realizada normalmente por meio de pistolas. “Como a tinta é viscosa, é preciso usar um equipamento de alta pressão”, explicou Zenobi. A camada mínima aplicada de tinta intumescente é de 2 mm, mas ela tem tixotropia baixa, permitindo produzir camadas de 5 mm em uma única demão. Ele explicou que essas tintas também podem ser aplicadas com colher de pedreiro e espátula, mas essa operação não é recomendada por apresentar baixa produtividade.

    A linha Firetex, da Sherwin- Williams, conta com uma lista de primers pré-aprovados, para uso quando necessário. Os acabamentos, idem. Segundo Silva, o preparo da superfície, no caso do aço, é o convencional.

    Leia também: Aditivos retardam a propagação das chamas e as extinguem



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