Energia

Tintas antichamas – Mesmo sem normas nacionais, uso de tintas de proteção passiva contra incêndio registra avanço

Marcelo Fairbanks
27 de novembro de 2012
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    Berto explica ser necessário estabelecer previamente o fator de risco para cada situação, correspondente ao tipo de construção e à quantidade de material combustível presente em cada ambiente. Uma residência difere de um escritório comercial, que também é diferente de um galpão de armazenamento ou uma indústria. A altura e o número de pavimentos também são considerados. Existem orientações, elaboradas pelo Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, exigidas para a aprovação de construções, bem como normas oficiais a respeito.

    “De modo geral, as estruturas metálicas precisam ser protegidas, seja pela cobertura com alvenaria, ou pela aplicação de mantas isolantes, argamassa leve projetada, ou pela pintura intumescente”, recomendou. A escolha dos revestimentos deve ser orientada pelo desempenho técnico e econômico em cada caso. São formas de proteção passiva contra incêndio, eficientes quando bem dimensionadas e aplicadas.

    As tintas intumescentes representam uma alternativa interessante, especialmente por apresentar baixo peso e fácil aplicação. “A partir de 200ºC, essas tintas começam a se expandir e formam uma camada que proporciona isolamento térmico para a estrutura metálica, de modo que retarde o seu aquecimento, com a intenção de preservá-la”, explicou.

    Petroleo & Energia, Antonio Fernando Berto, pesquisador do laboratório de segurança ao fogo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), Tintas antichamas - Mesmo sem normas nacionais, uso de tintas de proteção passiva contra incêndio registra avanço

    Antonio Fernando Berto com amostra de piso após ensaio de resistência à chama

    Ele entende que o mercado das tintas ignífugas e das intumescentes tende a crescer no Brasil. “É um mercado que precisa ser desenvolvido, mas não explorado, a normalização é absolutamente necessária”, afirmou. As aplicações industriais seguem normas estabelecidas pelos usuários (Petrobras, por exemplo), ou internacionais, como UL, ASTM e ISO. O laboratório de segurança ao fogo do IPT está equipado para desenvolver os ensaios necessários para avaliar o comportamento de materiais sob fogo, e também tem sido mais procurado por empresas que pretendem exportar seus produtos, como pisos, divisórias e portas. Os ensaios também avaliam a geração de fumaça, em volume e em constituição química, a fim de prevenir a formação de obstáculo visual e a intoxicação das pessoas presentes.

    Berto também é coordenador do subcomitê de proteção passiva do CB-24 (segurança contra incêndio) da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Já existem normas nacionais nesse quesito para pisos, divisórias e portas corta-fogo. “Gostaríamos muito de contar com a participação de todos os envolvidos nessa cadeia produtiva, principalmente os fabricantes de tintas”, afirmou, embora reconheça que a produção de tintas intumescentes ainda seja incipiente no país, dependendo de importações. Ele recomenda que os ensaios sejam feitos em conformidade com normas específicas, nas condições estipuladas para cada aplicação. “Queimar uma peça pintada com maçarico não quer dizer nada, isso não reproduz as condições de incêndio em ambiente confinado”, salientou.

    O custo de implantação de medidas de proteção passiva contra incêndios em obras civis representa entre 1% e 4% do investimento total em edificações novas, enquanto a adaptação de prédios antigos a essas medidas pode consumir entre 10% e 40%. “O montante envolvido em relação aos incêndios representa 1% do PIB nos Estados Unidos. Desses recursos, em números aproximados, a proteção contra incêndios fica com 30%, os seguros com 15% e as perdas com mais 30%”, informou o pesquisador do IPT. No Brasil, faltam estatísticas, mas estima-se que ocorram entre 50 mil e 60 mil incêndios (de toda a natureza e tamanho) por ano apenas no estado de São Paulo, numa contabilidade conservadora. “É provável que o valor das perdas econômicas seja muito superior ao dos investimentos em proteção, sem falar nas vidas perdidas”, criticou.

    Proteção estrutural – Estruturas metálicas contam com a proteção de tintas intumescentes para que o calor dos incêndios não as aqueça acima de 500ºC, comprometendo a sua resistência. Diferentemente dos Estados Unidos e da Europa, as construções prediais no Brasil usam com mais frequência estruturas de vergalhões de aço recobertas de concreto. Talvez pelo custo das vigas de aço, a técnica de construção em frame (molduras) demorou a ganhar espaço por aqui, mas está sendo cada vez mais empregada nos prédios novos.

    Além disso, as estruturas comerciais e industriais usam com mais frequência elementos metálicos. Isso inclui uma gama ampla de modalidades construtivas, dos shopping centers aos complexos petroquímicos, passando pelas plataformas de exploração de petróleo offshore. É preciso dividir esse mercado em duas categorias, conforme o tipo de carga combustível presente. 



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