Energia

27 de novembro de 2012

Tintas antichamas – Mesmo sem normas nacionais, uso de tintas de proteção passiva contra incêndio registra avanço

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Publicado por: Marcelo Fairbanks
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    Petroleo & Energia, Tintas antichamas - Mesmo sem normas nacionais, uso de tintas de proteção passiva contra incêndio registra avanço

    Ensaio de resistência de tinta contra jatos de fogo

    Um grande incêndio sempre chama a atenção. A potência impressionante das chamas prenuncia a dor causada pelas perdas de vidas e pelos prejuízos econômicos decorrentes. Felizmente, existem estratégias bem desenvolvidas para reduzir o risco dessas ocorrências e, caso elas se iniciem, há produtos capazes de retardar o avanço do fogo ou, na pior das hipóteses, de minorar os danos dos incêndios às estruturas das construções.

    As tintas podem apresentar sua contribuição em três frentes distintas. A mais conhecida é a incorporação de aditivos retardantes nas formulações, fazendo com que esses revestimentos parem de queimar tão logo deles se afaste a chama. Sem eles, a propagação inicial do fogo seria bem mais rápida. É possível também formular tintas de baixo poder de combustão, que não contribuam para a formação do incêndio. Outra contribuição possível está no campo das tintas intumescentes, produtos especiais, cuja composição é ativada por temperaturas acima de 200°C, desencadeando reações químicas que resultam em uma camada incombustível de dez a 100 vezes mais espessa que a película seca aplicada originalmente. Essa camada é suficiente para impedir ou retardar o aquecimento das estruturas metálicas por ela isoladas durante intervalo de tempo suficiente para permitir a evacuação segura das instalações atingidas, permitir a entrada de equipes de combate ao incêndio e, em muitos casos, impedir o colapso das estruturas atingidas.

    “As tintas podem atuar nessas três frentes ou, ao contrário, contribuir para piorar a reação ao fogo dos materiais que revestem”, comenta Antonio Fernando Berto, pesquisador do laboratório de segurança ao fogo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Ele explica que todo incêndio pode ser representado por uma curva, definida pela produção de calor em relação ao tempo decorrido (ver gráfico). A fase inicial gera pouco calor e representa o intervalo de tempo no qual o fogo pode ser contido. A segunda fase começa ao se atingir o ponto de inflamação generalizada e vai durar até que aproximadamente 80% do material combustível tenha sido consumido. Nessa fase, é praticamente impossível deter o incêndio. “Nesse ponto, os bombeiros se esforçam para evitar que o fogo se espalhe por outros ambientes ou outros prédios vizinhos”, comenta Berto. A terceira fase é a da extinção do fogo.

    Como explica o especialista, caso as construções usem materiais de acabamento que tenham boa reação ao fogo (pouco contribuam ao desenvolvimento do incêndio), é possível prolongar a fase inicial do incêndio aumentando as chances de controlá-lo. “Quando se opta, por exemplo, pelo uso de um forro de madeira, será necessário promover o seu tratamento superficial, adotando as pinturas com tintas ignífugas”, comentou. A madeira, na construção civil, é o grande cliente dessas tintas (ou vernizes). Ele comenta que as tintas de parede geralmente têm base aquosa e são aplicadas em baixa camada, não constituindo uma carga combustível importante. Porém, algumas tintas são aplicadas em alta camada e podem contribuir para o incêndio.

    Berto explica que os estudos relativos à reação ao fogo dos materiais empregados na construção de edificações começaram nos Estados Unidos na década de 1940, quando começaram a ser definidos os métodos de ensaio para a sua avaliação. O desenvolvimento desses estudos e a sua aplicação nas construções têm contribuído para evitar tragédias. Casos como os dos edifícios Joelma e Andraus, famosos em São Paulo, poderiam ter sido evitados se os materiais de acabamento fossem mais adequados. “Naquela época, era comum o uso de forros feitos de material celulósico altamente inflamável e isso contribuiu muito para a instalação desses incêndios”, comentou Berto.

    Ele defende a adoção de medidas que impeçam ou dificultem muito o início do fogo. Apesar disso, o uso de alternativas que melhorem a resistência ao fogo, quando já instalado, não pode ser ignorada. Um incêndio em um prédio comercial chega a atingir temperaturas de 750ºC a 1.100ºC, como informou. “Em situação de incêndio, o aço da estrutura tem sua resistência mecânica comprometida e pode não mais suportar a carga aplicada, entrando em colapso”, salientou.

    Ele comenta que os estudos sobre a resistência das estruturas começaram ainda antes, na década de 1920. “Há muito tempo se sabe que isso precisa ser resolvido na fase do projeto das edificações”, comentou. Como explicou, o aquecimento da estrutura metálica depende do tempo, da temperatura e do fator de forma da peça metálica (relação entre o perímetroexposto e a área da seção do perfil). Os ensaios de resistência determinam por quanto tempo, pelo menos, a amostra suporta uma temperatura. Daí ser comum se referir ao tempo como parâmetro de avaliação das medidas de proteção.


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