Terceiro maior produtor de petróleo, Espírito Santo não investe em inovação

Estado do Sudeste produz 8% do petróleo brasileiro

O estado do Espírito Santo é responsável pela produção de cerca de 8% do petróleo do Brasil, o que equivale a aproximadamente 200 mil barris por dia e o título de terceiro maior produtor de petróleo. Desde 1998, os contratos de concessão de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural incluem uma cláusula que determina que entre 0,5% e 1% da receita bruta das empresas seja destinada à pesquisa, desenvolvimento e inovação. No ano passado, foram investidos R$ 4,4 bilhões nesse sentido.

Esses recursos são utilizados em projetos conduzidos tanto pelas petroleiras quanto por empresas brasileiras e instituições credenciadas em todo o país. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis é responsável por regulamentar e fiscalizar a aplicação desses recursos. No entanto, historicamente, a maior parte desses investimentos tem sido direcionada para o Rio de Janeiro, enquanto o Espírito Santo recebe uma parcela muito menor. Apesar de ser o terceiro maior produtor de petróleo, o estado não está entre os dez mais beneficiados por esses recursos.

De acordo com a ANP, entre 1998 e 2022, foram financiados 13.013 projetos de pesquisa no Brasil, totalizando R$ 24,5 bilhões. No Espírito Santo, apenas 94 projetos foram financiados, sendo a maioria destinada à Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Para promover o protagonismo do estado na transição energética, o Fórum Capixaba de Petróleo, Gás e Energia, que reúne diversos atores do setor público e privado, pretende focar em avançar nas pesquisas nessa área.

Segundo Rúbya Salomão, secretária executiva do Fórum, é necessário que os projetos sejam benéficos tanto para as empresas que recebem os recursos da cláusula, quanto para a ANP, que busca promover o desenvolvimento, e para o próprio estado. Ela ressalta a importância de aprimorar o sistema para melhor aproveitamento desses investimentos.

Fórum Capixaba de Petróleo e Gás foi reformulado

O Fórum Capixaba de Petróleo, Gás e Energia foi criado em 2013 com o objetivo de impulsionar a indústria do petróleo no Espírito Santo. Desde então, tem desempenhado um papel importante na aproximação das grandes empresas produtoras, especialmente a Petrobras, com os fornecedores locais. No entanto, com a entrada das produtoras independentes nos últimos anos, a entidade e seus membros precisaram se adaptar. As empresas independentes, de menor porte e atuando principalmente em terra, possuem demandas específicas que só podem ser resolvidas por meio de uma atuação conjunta. Por isso, o estatuto da entidade foi completamente reformulado.

“Anteriormente, o Fórum tinha um foco nos fornecedores locais e em como conectá-los às grandes empresas de petróleo e gás. Agora, com a Petrobras encerrando suas atividades em terra, muitas empresas independentes de menor porte surgiram no Estado. O Fórum, cujo objetivo é articular e apoiar as ações das organizações para gerar negócios no Espírito Santo, passou a prestar mais atenção também às operadoras. A nova realidade da indústria capixaba de petróleo e gás nos obrigou a mudar nossa perspectiva”, afirmou Rúbya Salomão, secretária executiva do Fórum Capixaba de Petróleo, Gás e Energia.

A Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), o governo do Estado e as empresas que atuam na região têm assento no Fórum. Os principais temas em discussão são: inovação, desenvolvimento de fornecedores, capacitação de mão de obra, meio ambiente, transição energética, gás, questões tributárias, eventos e oportunidades.

O setor de petróleo, gás e energia não é uma área qualquer. Ele representa cerca de 5% do PIB do Espírito Santo, 20% da indústria local e emprega 12 mil pessoas. Até 2027, o Observatório da Indústria já identificou quase R$ 9 bilhões em investimentos previstos.

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Imagem ilustrativa

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