Petróleo e Energia

Sondas – Licitação cancelada para reduzir custos em ambiente eufórico

Bia Teixeira
28 de janeiro de 2012
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    O cancelamento pela Petrobras, no apagar das luzes de 2011, do pro- cesso de licitação para a contratação de serviços e afretamento de 21 sondas de perfuração marítima, que devem ser construídas no Brasil, convulsionou, mais uma vez, a indústria naval brasileira.

    O setor, que desde o início desse século vivencia uma retomada da produção depois de duas décadas de estagnação, graças à forte expansão da cadeia produtiva de óleo e gás, navega agora em uma nova onda. O incre- mento das atividades exploratórias e de produção e, consequentemente, as necessidades crescentes de serviços na área de drilling provocaram uma verdadeira explosão no segmento de sondas.

    Com uma demanda maior por esse tipo de unidade, para operar em águas profundas e ultraprofundas, o mercado de sondas entra em uma fase jamais vista no país. “A construção das sondas de perfuração em estaleiros brasileiros será um marco para a indústria que se preparou muito para atender a esse segmento de mercado”, afirma o presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), Ariovaldo Rocha.

    Segundo o dirigente, desde 2008, as empresas se prepararam, formando parcerias e investimentos na construção de novos estaleiros, a fim de conquistar as encomendas de naviossonda. “São equipamentos com alto valor agregado e que colocam a indústria naval brasileira em um novo patamar tecnológico”, observa.

    “Esse processo representa um desafio para a capacidade empresarial brasileira não somente de articular recursos financeiros, como também de aprimorar a tecnologia existente no país, incorporando aquela que será obtida com os parceiros internacionais”, conclui Rocha.

    Boom naval – Prevendo um aumento significativo da demanda por bens e serviços no Brasil, por conta da implantação dos projetos na Bacia de Santos, assim como das atividades exploratórias nas demais bacias produtoras pelas quais se estende a camada do pré-sal, como a de Campos e a do Espírito Santo, a Petrobras vem implementando uma ampla estratégia com foco na área naval.

    O setor foi inicialmente alavancado pelo Programa de Modernização da Frota (Promef), da Transpetro, que criou a maior carteira de encomendas de navios do planeta, assim como pelo Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado do Polo Pré-sal da Bacia de Santos (Plansal), que previa a construção seriada de unidades de produção, na chamada “Fábrica de FPSOs” – com cascos sendo construídos no Polo Naval de Rio Grande, no Rio Grande do Sul.

    Sob os ventos da bonança, a indústria naval passou a navegar em ‘mar de almirante’ – ou seja, sob as mais promissoras condições. Em2010, afrota da Petrobras chegou a 190 navios, entre próprios e afretados, além de 240 barcos de apoio e 54 sondas. Mas a previsão da empresa é receber, até 2012, outras 88 embarcações.

    Depois da explosão de encomendas por navios, plataformas, barcos de apoio e outras unidades, o setor ‘entrou em uma nova onda’ após a decisão da Petrobras, em 2008, de contratar 40 sondas para suprir suas necessidades de perfuração. Uma demanda que vem crescendo a cada ano, conforme a estatal alavanca seus projetos, principalmente na área do pré-sal.

    Garantia de equipamentos – No ano passado, a Petrobras recebeu nove sondas de perfuração. Outras quatro estão em fase de recebimento e testes de aceitação. Neste ano, a estatal espera colocar em operação pelo menos doze sondas de perfuração, já contratadas. Com licitações e contratações em ritmo acelerado, a companhia quer garantir equipamentos que deem a ela respaldo no crescente esforço exploratório e também no aumento da produção. A estatal prevê perfurar pelo menos 66 poços exploratórios no mar em 2012: 18 na Bacia de Santos, 16 na de Campos, 11 na do Espírito Santo, nove em Sergipe, cinco na margem leste (sendo dois na bacia do Jequitinhonha e três em Camamu/ Almada) e sete na margem equatorial (dois na bacia de Barreirinhas, três na do Potiguar, um na Foz do Amazonas e outro na do Ceará).

    Há sondas trabalhando no pré-sal da Bacia de Santos (em Sapinhoá, antigo Guará), onde o projeto piloto, com capacidade para produzir 120 mil barris de petróleo dia (bpd), deve entrar em produção até o final do ano. Outras sondas estão no pré-sal de Campos (Baleia Azul) e no pós-sal da Bacia de Santos (Tiro/Sidon), para possibilitar que os pilotos entrem em operação já no terceiro semestre: Baleia Azul, com capacidade de 100 mil bpd e Tiro/ Sidon, 80 mil bpd.

    Para assegurar o aumento da produção em campos ativos, há sondas em ação na Bacia de Campos, perfurando novos poços para conectá-los à P-56,em Marlim Sul, que deverá atingir seu pico de produção (100 mil bpd) no primeiro trimestre, e também em Jubarte, para a P-57 atingir sua produção máxima (180 mil bpd) no terceiro trimestre. Novos poços também serão conectados ao FPSO Cidade de Angra dos Reis (no piloto de Lula), que está previsto para atingir o pico de produção (100 mil bpd) no decorrer deste ano.

    O pré-sal é alto demandante de sondas, graças à grande quantidade de poços que serão perfurados, de acordo com estimativas feitas pela companhia no final do ano passado. A previsão inicial é que nas primeiras fases do planejamento uma média de 20 poços seja interligada a cada unidade de produção instalada.


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