Energia

Smart Grid – Distribuidoras estudam redes inteligentes para melhorar serviços

Nelson Valencio
5 de agosto de 2011
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    Outro contrato também assinado este ano é o de fornecimento de equipamentos para automação e proteção de subestações da Light. Segundo a ABB, a modernização deve aumentar a confiabilidade da malha de distribuição e preparar a rede da concessionária para os megaeventos esportivos, como a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016. O projeto de US$ 16 milhões envolve 25 subestações e deve aumentar a estabilidade da rede, além de permitir o monitoramento e controle remoto das unidades.

    Petróleo & Energia, Marcelo Prado, Diretor de Marketing da GE, Smart Grid - Distribuidoras estudam redes inteligentes para melhorar serviços

    Prado: sistemas ajudam a integrar fontes de energia

    Previsto para ativação em 2013, a modernização vai empregar mais de 1.250 relés da família Relion, que são dispositivos eletrônicos inteligentes. Eles serão complementados por relés modulares e por sistema de supervisão chamado de MicroScada. Assim como em outras empresas que estão modernizando suas subestações, a Light adota tecnologia que opera com protocolo que atende à norma IEC 61850. Com isso, os equipamentos têm a garantia de interoperabilidade, independentemente de a concessionária vir a adotar outro fornecedor no futuro.

    A Siemens, por sua vez, tem uma estratégia internacional na área de smart grid na qual alguns fatores são considerados determinantes para as mudanças tecnológicas: o primeiro deles é o salto na demanda de energia mundial, que passa dos atuais 20,3 terawatts-hora (TWh) para 33 TWh em 2030. O segundo direcionador é a necessidade de substituir a infraestrutura de energia envelhecida e ultrapassada. O terceiro fator é a pressão pela adoção de práticas sustentáveis.

    No Brasil, a empresa tem vários projetos, entre eles a rede de gerenciamento do próprio sistema elétrico brasileiro. A empresa ganhou a licitação, feita em 2010, para atender o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Ela faz parte do consórcio que é integrado também pelo Centro de Pesquisas de Energia Elétrica do Sistema Eletrobras (Cepel), cuja missão é implantar uma plataforma unificada de supervisão e controle em quatro centros de operação da ONS, localizados em Brasília, Florianópolis, Recife e Rio de Janeiro.

    Os novos sistemas trabalham com o conceito multi-site, que envolve o acesso de todos os centros aos recursos comuns e também a segurança de um deles poder assumir a operação de outro, em caso de falha. Além do contingenciamento entre os centros, o projeto usa uma base de dados global, que garante a atualização, em tempo real, e a consistência das informações entre todos os centros de operação. O projeto adota quatro produtos, incluindo o Spectrum PowerCC Information Model Manager, da Siemens, e o Sage, da Cepel, que é um sistema aberto de gerenciamento de energia.

    Para Marcelo Prado, diretor de Marketing da GE para a América Latina, os desafios de integrar outras fontes de energia estão dentro do conceito de geração distribuída e as concessionárias vão precisar incluir inúmeros dispositivos geradores que hoje não fazem parte da sua rede. “É necessário desenvolver não somente formas seguras de integrar esse fornecimento como também mecanismos de cobrança pelos serviços.” Além da questão regulatória – em definição no Brasil –, ele adianta que a mão de obra para adoção das novas tecnologias deve ser um gargalo no processo.

    Petróleo & Energia, Medidor inteligente, Smart Grid - Distribuidoras estudam redes inteligentes para melhorar serviços

    Um dos medidores inteligentes da GE

    Prado destaca o forte papel que os fornecedores tradicionais da área energética desempenham na evolução do smart grid. No caso da GE, a empresa detém soluções não só de hardware como avança no desenvolvimento de softwares que permitam a integração de vários equipamentos, de banco de capacitores ao controle georreferenciado de ativos. No Brasil, a GE participa de forma direta e indireta de projetos de smart grid. Direta, ao prover sistemas de automação e digitalização de equipamentos. Indiretamente em casos como o da AES Eletropaulo, onde a empresa é uma das fornecedoras de medidores inteligentes para o teste piloto da concessionária, com módulos de comunicação fabricados pela Trillant.

    A multinacional tem dois projetos mais amplos em negociação avançada no Brasil: um na área de medidores inteligentes e outro na área de softwares de gerenciamento. “Acreditamos que haverá uma grande integração, e como as concessionárias investiram em plataformas como ERP (de gestão empresarial), além dos próprios sistemas de automação, de rede, não deve haver um descompasso entre o que existe de legado e os novos softwares para gestão da rede inteligente”, diz ele. Fora do Brasil, a GE tem projetos destacados como os de Miami, onde existem 2 milhões de medidores inteligentes instalados, eem San Diego, onde avalia a aplicação de rede distribuída e de formas de eficiência energética.

    O CPqD, um dos centros de referência em telecomunicações no Brasil, também participa ativamente dos projetos de smart grid. Para Luís Hernandes, coordenador interno do grupo de smart grid da instituição, a escolha da tecnologia de telecomunicação mais adequada para cada concessionária é vital na ativação do smart grid, que é um processo feito por etapas. “Temos um cenário em que a comunicação é mais ampla, envolvendo integração de sistemas, sensoriamento e telemedição, entre outros”, destaca.



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