Energia

Smart Grid – Distribuidoras estudam redes inteligentes para melhorar serviços

Nelson Valencio
5 de agosto de 2011
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    Na avaliação da IBM, dois aspectos estão sendo estudados com maior cuidado: a melhor arquitetura de comunicação, uma vez que ela deve suportar, por exemplo, não só a transmissão atual dos medidores, mas estar preparada também para atender o avanço de novos dispositivos que venham a ser integrados ao monitoramento. Outra questão se refere à rede de telecomunicações. Ela precisará dar conta da transmissão de vários dados que vão permitir que o centro de operações da CPFL possa até mesmo antecipar prováveis falhas de fornecimento de energia. Ou seja, para avançar no seu projeto, a concessionária precisa de um meio de comunicação adequado e barato.

    Petróleo & Energia, Van Erven, Smart Grid - Distribuidoras estudam redes inteligentes para melhorar serviços

    Van Erven: Aneel não definiu ainda o padrão dos medidores

    O segundo ponto destacado pela IBM é o gerenciamento de medição de energia. Isso significa não só monitorar os medidores inteligentes na ponta do cliente como também coletar os vários dados de coletores, de subestações e de outros componentes. Considerando que o Brasil ainda não definiu a regulação sobre o assunto, a consultoria da IBM deve antecipar tendências baseando-se na sua experiência em outros projetos de smart grid ao redor do mundo. Para Newton Tanaka, diretor do segmento de energia da IBM Brasil, a CPFL também se prepara para introduzir novas fontes de energia na sua rede, caso da geração eólica. “A compra da Ersa, geradora de energia eólica, é um bom exemplo dessa tendência da CPFL”, argumenta.

    A AES Eletropaulo, por sua vez, acaba de lançar um piloto no bairro do Ipiranga, na capital paulista, com dois mil medidores inteligentes instalados. A concessionária usará esse teste de campo – com duração de um ano – para validar vários de seus conceitos. Além dos medidores, a empresa vai controlar remotamente 39 transformadores na região coberta, cruzando informações em tempo real e avaliando questões como balanceamento energético e identificação de fraudes. Duas tecnologias de medidores estão sendo avaliadas pela concessionária: os da GE e os da brasileira Elster. Em termos de rede de transmissão de dados captados, a AES Eletropaulo vai avaliar não somente a aplicação de redes RF como também a infraestrutura de terceira geração das operadoras móveis.

    O piloto, no entanto, não é a única iniciativa da empresa na área de smart grid. Assim como outras concessionárias, ela investiu na automatização de suas subestações, que hoje é total. A telemedição também não é estranha à AES Eletropaulo, que já possui cerca de 65 mil pontos de medição remota, principalmente em grandes edifícios ou condomínios residenciais, onde a entrada de um leiturista se tornou necessária. No teste piloto, citado acima, a empresa vai avaliar ainda uma leitura remota, que pode ser feita da rua, sem que o profissional precise entrar na residência. Se não é uma telemedição, pelo menos evita o risco real de ataque de animais.

    Petróleo & Energia, Sérgio Gomes, Vice-presidente da Alstom Grid, Smart Grid - Distribuidoras estudam redes inteligentes para melhorar serviços

    Gomes: IDMS aumenta eficiência energética das distribuidoras

    Smart grid é mais do que uma medição remota – Para os players tradicionais do setor elétrico, o smart grid tem vários eixos de desenvolvimento, mas alguns deles ganham maior destaque, caso da automação avançada da Alstom. A empresa lembra que essa tecnologia é direcionada para os centros de controle e para concessionárias de distribuição e uma de suas vertentes é a solução chamada de IDMS, sigla em inglês para sistema de gerenciamento distribuído integrado. “Trata-se de uma solução focada na eficiência energética e na disponibilidade de distribuição de energia”, explica Sérgio Gomes, vice-presidente da Alstom Grid para a América Latina.

    De acordo com o executivo, o IDMS permite a redução de perdas técnicas e a melhoria em indicadores que medem a qualidade da rede e são determinados pela Aneel. No primeiro caso, ele avalia que a tecnologia pode diminuir as perdas técnicas entre 1% e 4%. Outro ganho da plataforma seria a redução do indicador DEC (Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora), que indica o número médio de horas que o consumidor fica sem energia elétrica durante um determinado período. “Temos casos com queda de 30% no DEC”, explica Gomes.

    Ele lembra que vários centros de controle no Brasil, como os da AES Eletropaulo e da Light, já possuem versões mais simples do IDMS e estão preparados para uma evolução. Fora do Brasil, a Alstom destaca que seus sistemas gerenciam cerca de 40% da energia gerada nos Estados Unidos. Um exemplo de aplicação total do IDMS é a Florida Power & Light, que controla suas operações de distribuição integrando desde o call center até sistemas de informação geográfica, passando pela medição eletrônica e pela gestão das equipes de campo.

    Roberto Falco, vice-presidente para a América Latina da divisão Ventyx, da ABB, argumenta que o smart grid está finalmente sendo reconhecido como algo mais do que uma medição inteligente e sendo visto como uma série de soluções tecnológicas para automação de rede. Para o executivo, o avanço das telecomunicações também é um fator importante ao viabilizar vários projetos de integração e controle, caso da automação dos religadores. “Há um aumento da adoção desses dispositivos, que aumentam a capacidade de manobra das empresas do setor elétrico”, avalia.

    Para ele, a adoção intensa de religadores é uma das etapas que mostram o avanço do smart grid, ao lado da modernização das subestações, envolvendo até mesmo a digitalização. No caso da ABB, um dos exemplos mais recentes foi o contrato de US$ 80 milhões com a Itaipu Binacional. O valor envolve a construção de uma subestação no Paraguai e a reforma de outra unidade no Brasil. No caso da nova subestação, a construção envolve um moderno sistema de telecomunicações com cerca de100 kmde OPGW, um cabo óptico especial, além de sistema de automação.



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