Smart Grid – Distribuidoras estudam redes inteligentes para melhorar serviços

Outro exemplo de inteligência na rede, segundo Pinheiro, é a metodologia de construção física da infraestrutura. “Há dois anos, aplicamos um novo modelo de engenharia de construção e manutenção de rede, usando equipamentos importados. São veículos com dispositivos de carga operados por controle remoto e que conseguem movimentar um poste e colocá-lo no lugar específico em menos de três minutos”, detalha.

A Elektro já digitalizou 70% das suas subestações e vai finalizar a digitalização de todo o seu parque nos próximos três anos. “Quando acontece algum problema com uma delas, existe inteligência interna que nos permite, remotamente, realizar a recuperação”, afirma Pinheiro. Além da automatização e digitalização das subestações, a concessionária investe na instalação de religadores. Os mais de 500 atuais são todos telecontrolados pelo centro de operações da empresa,em Campinas-SP. Com chaves inteligentes, a concessionária consegue delimitar uma área afetada por falha.

Petróleo & Energia, Smart Grid - Distribuidoras estudam redes inteligentes para melhorar serviços
Informação rápida agiliza os serviços de manutenção

Pinheiro informa que a Elektro possui dois pilotos para testar novas tecnologias ligadas ao smart grid. Um deles é o de Brasilândia-MS, no projeto que envolve 1,2 mil clientes atendidos por medidores inteligentes. Embora distante800 kmdo centro de operações da empresa, a concessionária consegue medir em Campinas os parâmetros da rede e ligar e desligar os medidores remotos. Para a transmissão de dados, o piloto adota o Power Line Communications (PLC), que usa a própria rede elétrica interna e externa como canal de comunicação.

Outra experiência da concessionária acontece em Campos do Jordão-SP, onde cem clientes estão sendo monitorados via telemedição remota. O monitoramento inclui ainda o controle remoto dos religadores. Do seu centro de operação em Campinas, a Elektro consegue controlar tanto os medidores como os religadores. Cada equipamento envia seus dados usando uma rede sem fio com tecnologia RF Mesh. A concessionária usa a telefonia móvel celular para a transmissão de dados de religadores para o centro de controle. De acordo com o diretor de operações, a situação da Elektro se repete em outras congêneres, que testam vários tipos de canais de telecomunicações, mas ele não acredita que a concessionária construa uma infraestrutura própria para atender a iniciativas de smart grid.

Na Ampla, distribuidora do grupo Endesa com atuação no interior do Rio de Janeiro, a ordem de priorização aparentemente estabelecida foi invertida. Ela tem cerca de 400 mil medidores eletroeletrônicos em atividade, número capaz de colocá-la no topo do ranking nessa categoria. A informação é de André Moragas, diretor de Relações Institucionais. Há cinco anos, a empresa resolveu adotar a tecnologia, com autorização da Aneel, para reduzir suas perdas não técnicas, nome que engloba, entre outras iniciativas, o famoso “gato”.

Para adotar os medidores inteligentes em parte de sua rede de clientes residenciais, a empresa usou a experiência que já tinha desde 2005, quando passou a fazer a medição remota em clientes industriais. Para avançar na instalação dos equipamentos nas áreas mais críticas, onde a perda era maior, a Ampla desenvolveu o projeto em conjunto com a Landis + Gyr e com a CAM, ambas com tecnologia e casos reais de ativação na América Latina. O resultado da ação foi impressionante, pois a empresa reduziu a média de perda não técnica de 80% para 2% nessas áreas críticas. O índice de perda total da empresa na região monitorada, que era de 26% a 27%, caiu para 20%. Os dispositivos que permitem a leitura remota e o corte e a religação também remotos incentivaram a Ampla a ir mais longe: testar uma nova tecnologia.

“Vamos ter dois pilotos usando os medidores inteligentes que são adotados atualmente na Itália e na Espanha, respectivamente, um parque de 35 milhões e um de 13 milhões de dispositivos”, explica Moragas. De acordo com ele, um dos pilotos está em uma área de Fortaleza-CE, sob comando da Coelce, empresa pertencente ao mesmo grupo da Ampla. O segundo piloto será montadoem São Gonçalo-RJ. Ambosenvolvem a ativação de cem medidores, dos quais a empresa espera tirar as lições para aplicar fatores como tarifas diferenciadas ou mesmo iniciativas como geração distribuída, com fornecimento de energia não só da concessionária para o usuário final como vice-versa.

Petróleo & Energia, André Moragas, Diretor de Relações Institucionais, Smart Grid - Distribuidoras estudam redes inteligentes para melhorar serviços
Moragas: smart grid baixou de 80% para 2% as perdas com “gatos”

Além deles, a Ampla também possui um projeto de cidade digital em Búzios-RJ, onde avaliará remotamente o gerenciamento de energia, caso da iluminação pública, e também o uso de fontes renováveis – solar ou eólica. A empresa ainda deve testar formas de restabelecimento mais rápido das subestações. “Outras avaliações envolvem o efeito do abastecimento de carros elétricos na rede e a análise de formas de iluminação mais eficientes, como as que usam o LED”, adianta Moragas.

Antes mesmo de lançar mão dos projetos citados, a Ampla fez sua lição de casa, ao automatizar todas as suas subestações, que são monitoradas no seu centro de controle. A empresa consegue enxergar toda a rede de alta tensão e as subestações e pode cruzar esse tipo de informação com a localização de sua frota de campo. Com os veículos monitorados por GPS, ela ganha agilidade no atendimento em casos de emergência. Assim como a Elektro, a Ampla é ecumênica na adoção de tecnologias de telecomunicações que permitem a transmissão de dados entre subestações e outras unidades de rede: ela adota o PLC (controlador lógico-programável) e a infraestrutura sem fio de radiofrequência, além de utilizar as redes de terceira geração das operadoras móveis.

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