Indústria Naval

Setor sofre com demora de leilões e mudanças na Petrobras

Bia Teixeira e Fernanda Rodrigues
20 de fevereiro de 2013
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    O mundo não acabou, contrariando os vaticínios do calendário maia. E tampouco o ano de 2012. Pelo menos para o setor de óleo e gás no país, que aguarda, com ceticismo e mau humor, algumas definições cruciais para definir objetivos e planejar investimentos. E também se estruturar para aumentar a competitividade dos seus produtos e serviços, em um mercado no qual a concorrência é cada vez mais acirrada, a despeito do conteúdo nacional exigido para o fornecimento nesse setor.

    O ano de 2012 acabou emperrado por uma série de impasses políticos e pela queda da eficiência operacional da Petrobras, responsável por mais de 90% da produção de óleo e gás no país. No âmbito político, ficou para o apagar das luzes de 2012 uma definição quanto à redistribuição dos royalties, questão que há dois anos mobiliza os poderes Executivo e Legislativo – federais, estaduais e municipais – de todo o país. Até mesmo de regiões onde nunca se fez uma sísmica sequer.

    Sem o consenso em torno dessa questão, o ano se encerra sem ficar claro se a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) irá dar prosseguimento a todos os trâmites para realizar a 11ª rodada de licitações de blocos exploratórios em maio, como estava previsto. A diretora-geral da ANP, Magda Chambriard, afirmou que a agência precisa de 120 dias para organizar um leilão, mas a sua realização dependia da definição em torno dos royalties. A pergunta é: se a decisão em torno dos royalties não agradar e o caso chegar a extremos jurídicos, vai haver novos leilões, inclusive o do pré-sal, anunciado para o final do ano?

    Essa definição é aguardada por todas as petroleiras que atuam no país e outras companhias internacionais aguardam há mais de três anos. Assim como a cadeia de fornecedores de bens e serviços, abrangendo todas as etapas da exploração e produção de hidrocarbonetos. Novas concessões representam oportunidades para as empresas que atuam na etapa exploratória, sinalizando grandes demandas futuras para o resto da cadeia produtiva quando são realizadas descobertas economicamente viáveis.

    Mercado cético – Mas o foco do mercado, nesta última década, tem sido a volumosa e crescente carteira de projetos da Petrobras, que prevê mais de US$ 236 bilhões em investimentos entre 2012 e 2016. No entanto, o mercado sentiu o impacto das mudanças ocorridas na gestão da estatal, que detectou a queda da eficiência operacional da maior região produtora de óleo e gás do país, a Bacia de Campos. Isso se refletiu na revisão do plano de investimentos, que passou a exigir maior disciplina financeira e eficácia na execução dos projetos por parte dos gestores das diversas áreas. O que significa também maior nível de cobrança em relação ao cumprimento de prazos e a exigência de preços mais competitivos dos fornecedores.

    O nível de investimentos foi mantido, segundo os relatórios financeiros da estatal: no período de nove meses, findo em 30 de setembro de 2012, a empresa afirma ter investido um total de US$ 31.131 milhões, principalmente no aumento da capacidade produtiva, na modernização e ampliação do parque de refino e na integração e expansão dos sistemas de transporte. No ano passado, nesse mesmo período, os investimentos somaram US$ 31.785 milhões.

    Os resultados consolidados no terceiro trimestre deste ano, ainda que melhores do que o anterior, indicam uma queda expressiva no desempenho operacional e financeiro da estatal. E, consequentemente, no fluxo de demandas por bens e serviços. A despeito dos diversos programas implementados pela Petrobras para reverter esse desempenho – o de eficiência operacional (Proef), e os de otimização de custos (Procop) e de infraestrutura logística (Infralog) –, a expectativa é a de que a estatal tenha, talvez, o pior resultado em uma década.

    Todos esses fatores levam o mercado a fazer um balanço mais comedido dos avanços e impasses deste ano, ansiando por um horizonte mais claro em 2013; por enquanto, ainda uma grande incógnita. Boa parte das empresas procura evitar o pessimismo, relembrando os bons resultados consolidados em 2012, apesar dos problemas no setor e da crise internacional, que, aliás, não impediu algumas empresas de buscar oportunidades no exterior, diante das indefinições no mercado interno.

    Recorde de produção – A paulista Flexomarine, fabricante nacional de mangotes marítimos, é uma das empresas que fecha o ano com bons resultados: ela mais do que dobrou suas vendas em 2012, em comparação com o ano anterior. Na realidade, a empresa tem a expectativa de fechar o ano com 1.200 mangotes marítimos, dos tipos flutuante e submarino, fabricados e entregues. A alta na produção deverá posicionar a Flexomarine em terceiro lugar no ranking mundial em capacidade de produção de mangotes marítimos, com liderança isolada no mercado brasileiro.

    A empresa também contabilizou pontos positivos com o maior cliente local, a Petrobras, ficando em 2º lugar na premiação dos melhores fornecedores de bens de 2012 para a Unidade de Operações de Exploração e Produção da Bacia de Campos (UO-BC), a maior e mais importante do Sistema Petrobras, na Categoria Grandes Compras. Em agosto a empresa fechou contrato de R$ 64 milhões com a estatal, para fornecimento de 512 mangotes marítimos, do tipo flutuante, de dupla carcaça, de 20 polegadas de diâmetro interno e 10,7 metros de comprimento, na média de 64 unidades por mês até abril de 2013.



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