Segurança

Segurança de Processos Químicos – Coluna ABEQ

Petroleo e Energia
8 de junho de 2020
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    Química e Derivados -Química e Derivados -

    Olá, leitoras e leitores. Quando escrevi o último texto, sobre biorrefinaria, já tinha decidido que o próximo seria sobre Segurança de Processos Químicos (Chemical Process Safety, CPS). Quando me deparei com o texto de James E. Klein (Sustaining Effective Process Safety Programs) na Chemical Engineering Magazine de fevereiro, lembrei da definição original de meme. Richard Dawkins, no livro O Gene Egoísta de 1976, criou a palavra meme para definir uma “unidade de transmissão cultural, ou de imitação e replicação”, próxima da ideia de inconsciente coletivo de Carl Gustav Jung. Sendo menos chato, a Segurança de Processos está em alta, como deveriam saber produtores da cerveja Belorizontina (voltarei a ela).

    Embora a preocupação com segurança devesse estar sempre presente na indústria química, foi uma sequência de desastres que motivaram a mudança de postura. Podemos destacar Flixborough (Inglaterra, 1974), Three Mile Island (1979), Bhopal (Índia, 1984), Chernobyl (Ucrânia, 1986), além da nave Challenger (1986) e do petroleiro Exxon Valdez (1989). No Brasil, o acidente na Vila Socó, em Cubatão-SP (1984), também foi muito importante.

    Ligados especificamente à indústria química, os acidentes de Flixborough e de Bhopal motivaram a criação do CPS, que são uma série de princípios que visam a supressão de acidentes desastrosos. Na cidade inglesa de Flixborough, em 1974, 50 toneladas de ciclohexano foram lançados da planta da Nypro, levando à emissão de uma nuvem de vapor e à sua detonação. Houve perda total da planta (Figura 1) e morte de 28 funcionários. A descarga foi causada pela falha de uma tubulação temporária (Figura 1) instalada para substituir um reator quebrado. A tubulação temporária não era capaz de conter as condições operacionais (10 bar, 150°C). Em 1984, na cidade de Bhopal, na Índia, um vazamento de água no tanque de estocagem de MIC (metil isocianato) levou à ebulição e emissão de 25 t de vapor tóxico de MIC, matando mais de 3.800 civis e ferindo dezenas de milhares de outros (números estimados, os reais devem ser muito maiores). O vapor de MIC vazou porque o sistema de refrigeração que esfriaria o tanque de 100 t de MIC foi desligado, o scrubber não estava disponível e o flare não estava em operação. A planta da Union Carbide era uma bomba-relógio, cheia de instrumentos quebrados, o que fez com que os operadores simplesmente ignorassem a leitura de todos os instrumentos em geral.

     

    Química e Derivados - Figura 1: imagem do dia seguinte em Flixborough

    Figura 1: imagem do dia seguinte em Flixborough

    Química e Derivados - Figura 2: Um esquema da causa do acidente

    Figura 2: Um esquema da causa do acidente

    Em 1984, moradores de uma vila de Cubatão-SP perceberam o vazamento de gasolina em um dos oleodutos da Petrobrás que ligava a Refinaria Presidente Bernardes ao Terminal de Alemoa. A tubulação passava em um alagadiço em frente à vila constituída por palafitas. Um operador alinhou inadequadamente e iniciou a transferência de gasolina para uma tubulação, que se encontrava fechada, gerando sobrepressão e ruptura da mesma, espalhando cerca de 700 mil litros de gasolina pelo mangue. Muitos moradores, visando conseguir algum dinheiro com a venda do combustível, coletaram e armazenaram parte do produto vazado em suas residências. Com a movimentação das marés o produto inflamável espalhou-se pela região alagada e cerca de 2 horas após o vazamento, aconteceu a ignição, seguida de incêndio. O fogo se alastrou por toda a área superficialmente coberta pela gasolina, incendiando as palafitas. O número oficial de mortos é de 93, porém algumas fontes citam um número extraoficial superior a 500 vítimas fatais (baseado no número de alunos que deixou de comparecer à escola e a morte de famílias inteiras sem que ninguém reclamasse os corpos), dezenas de feridos e a destruição parcial da vila (Cetesb, 2020).



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