Indústria Naval

Santos Offshore: Cresce o interesse em participar da cadeia produtiva da bacia de Santos

Antonio Carlos Santomauro
23 de agosto de 2014
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    Petróleo & Energia, Salas e corredores lotados comprovaram o aumento dos visitantes

    Salas e corredores lotados comprovaram o aumento dos visitantes

    A Santos Offshore deste ano gerou números mais animadores do que a edição a edição anterior, de 2012. A feira de negócios focada na cadeia produtiva de óleo e gás da Bacia de Santos registrou crescimento tanto na quantidade de visitantes e no espaço dedicado aos expositores, quanto nos indicadores dos negócios ali realizados.

    Um desses indicadores provém da rodada de negociações promovida pela Onip (Organização Nacional da Indústria do Petróleo), em parceria com o Sebrae-SP, na qual 15 grandes empresas qualificadas como âncoras – caso de Petrobras, BR Distribuidora, BW Offshore, Concert Technologies, Saipem, Engemetal, GE Oil & Gas, Shell, Techint e MRM Logistics, entre outras – estabeleceram conversações comerciais com 78 fornecedores durante dois dias.

    Este ano, essa rodada gerou a expectativa de realização de um total de negócios de R$ 112,5 milhões durante os próximos doze meses, valor 30% superior ao alcançado em 2012. Esse índice de expansão foi qualificado como “uma agradável surpresa” por Bruno Musso, superintendente da Onip.

    É difícil, pondera Musso, comparar os números de rodadas realizadas em épocas diferentes, pois fatores conjunturais, a exemplo da chegada de novas empresas aos blocos de exploração, podem tornar determinado momento mais ou menos propício à concretização de negócios. “Mas tanto os resultados da rodada quanto os da feira permitem perceber o mercado aquecido”, diz. “Talvez não tanto quanto já esteve no passado, ou quanto poderá estar no futuro, mas está efetivamente aquecido”, ressalta o superintendente da Onip.

    Em relação a 2012, a edição deste ano da Santos Offshore, realizada em abril, também registrou aumento na área comercializada para empresas interessadas em ali montar estandes: ela passou de 2,2 mil para 3 mil m² (considerando também outros espaços, reservados para entidades oficiais e setoriais e para empresas de mídia, a área total da feira chegou a 8 mil m²).

    Petróleo & Energia, Cilindros hidráulicos extragrandes (XL), exibidos pela Eaton

    Cilindros hidráulicos extragrandes (XL), exibidos pela Eaton

    Para Igor Tavares, diretor de energia da Reed Exhibitions Alcantara Machado, organizadora do evento, essa expansão da área vendida para expositores sinaliza uma retomada das expectativas com os negócios relacionados ao pré-sal existentes antes de 2012 (quando, após algum tempo euforia, o entusiasmo com o potencial de negócios amainou). “Talvez não haja ainda uma expectativa como aquela verificada em 2009 ou 2010, mas há agora uma perspectiva mais realista, decorrente, por exemplo, do leilão do campo de Libra”, pondera Tavares.

    Segundo ele, expandiu-se também a quantidade de visitantes da feira, que saltou quase 13 mil, em 2012, para cerca de 18,6 mil na edição deste ano. “Houve ainda maior índice maior de satisfação dos expositores, e mais visitantes comparecerem mais de uma vez ao evento”, complementa Tavares.

    Para ele, a Santos Offshore – cuja oitava edição acontecerá em 2016 –, ganhará a cada ano mais relevância para a indústria brasileira de O&G: “Já se consolida na região da Bacia de Santos uma cadeia de fornecedores de terceiro, quarto e quinto níveis de fornecimento, por enquanto preponderantes na feira, e até 2020 também os fornecedores de primeiro e segundo níveis dessa indústria deverão estar lá”, justifica o diretor da Reed, referindo-se a diferentes categorias e níveis de sofisticação dos componentes dessa cadeia (no primeiro nível, por exemplo, aparecem os operadores, como a Petrobras e a Shell, enquanto no segundo estão os epecistas, caso de FMC, Baker e Saipem, entre outros).

    Novas fábricas – Entre as expositoras dessa mais recente edição da Santos Offshore estava a Eaton, cuja divisão hidráulica fornece ao setor de O&G itens como mangueiras submarinas – utilizadas em jumpers hidráulicos de árvores de natal –, e umbilicais para BOP (blow out preventer) e para intervenção em poços de petróleo, além de cilindros para compensação de movimentos de plataformas.

    A Eaton, relatou Pedro Cortonesi, diretor de vendas da divisão hidráulica da empresa, investe na produção local desses equipamentos para atender aos requisitos de conteúdo nacional propostos pela Petrobras. Seus investimentos incluem a construção, no município paulista de Guaratinguetá, de uma fábrica para a produção de mangueiras: inicialmente, das mangueiras single line – como aquelas utilizadas nos jumpers –, e futuramente talvez também para os demais modelos de mangueiras, por enquanto importados dos Estados Unidos. “Estamos na fase de try out (testes) dessa planta, cuja produção deve ter início no segundo semestre”, contou Cortonesi.

    Simultaneamente, a fábrica da Eaton em Guarulhos-SP está sendo adaptada para produzir os cilindros XL (extra large), utilizados na estabilização de plataformas. A produção nacional desses equipamentos deve começar no segundo semestre deste ano.



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