Logística e Transporte

Santos Offshore 2014: Estatal prevê produzir 2 milhões de barris por dia na região em 2020

Antonio Carlos Santomauro
25 de agosto de 2014
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    Daqui a seis anos, quase a metade do petróleo produzido pela Petrobras terá como origem a Bacia de Santos: essa foi uma das informações apresentadas em palestra proferida na Santos Offshore por Osvaldo Kawakami gerente geral da UO-BS (Unidade de Operações de Exploração e Produção da Bacia de Santos), da estatal. Segundo ele, em 2020 a Petrobras deverá estar produzindo diariamente cerca de 4,2 milhões de barris de petróleo por dia. Sozinha, a Bacia de Santos – aproveitando os poços do pré-sal –, contribuirá com cerca de dois milhões de barris diários (atualmente, essa produção atinge apenas um décimo desse valor, ou seja, perto de 200 mil barris por dia).

    Petróleo & Energia, Kawakami: 23 novas plataformas FPSO serão instaladas até 2022

    Kawakami: 23 novas plataformas FPSO serão instaladas até 2022

    Para subsidiar esse processo de expansão, a empresa elaborou um programa de investimentos que prevê a instalação na região, até 2022, de 23 novos FPSOS: um deles, o primeiro localizado no campo de Libra, arrematado pela Petrobras, em parceria com empresas europeias e chinesas, em leilão realizado no ano passado. Atualmente, ela ali mantém duas plataformas, quatro FPSOs e seis navios-plataformas itinerantes, dedicados ao levantamento de informações sobre locais de exploração antes da instalação das estruturas definitivas.

    Ainda este ano ali passarão a operar outras duas FPSOs: a Cidade de Ilhabela e a Cidade de Mangaratiba (localizadas, respectivamente, nos campos de Sapinhoá Norte e Mangaratiba Sul). Com isso, apenas no pré-sal e até o final deste ano, a Bacia de Santos já estará produzindo diariamente algo entre 340 mil e 360 mil barris diários de petróleo. “Em 2015 teremos mais um FPSO na região, e em 2016 serão instalados outros sete”, relatou Kawakami.

    Segundo ele, a Petrobras hoje investe também para dar vazão ao gás produzido na Bacia de Santos e já trabalha na ampliação dos atuais 10 milhões de metros cúbicos para 20 milhões de m³ da capacidade de armazenamento da plataforma de Mexilhão, agora definida como uma espécie de hub para o recebimento desse combustível é essa a planta produtiva mais próxima da UTCGA –Unidade de Tratamento de Gás Monteiro Lobato, em Caraguatatuba, onde a empresa recebe e processa a maior parte de seu gás natural.

    E em abril último o FPSO Cidade de São Paulo, posicionada no campo de Sapinhoá, seria interligada ao gasoduto que une a região do pré-sal a Mexilhão (de onde prossegue até a UTGCA). “Ainda neste semestre, também a FPSO Cidade de Paraty – no campo Lula Nordeste –, será interligada a esse gasoduto”, complementou.

    Além disso, lembrou o gerente da UO-BS, a Petrobras já contratou a empresa Saipem para a construção de um novo gasoduto, denominado Rota 2, que interligará o pré-sal de Santos ao município fluminense de Cabiúnas. “Também já fizemos uma licitação para o Rota 3, mas os preços vieram muito elevados e estamos trabalhando em um novo processo de seleção de fornecedores”, acrescentou Kawakami, referindo-se a um gasoduto projetado para ir dessa região até o município de Maricá-RJ nas proximidades de onde está sendo construído o Comperj.

    E o plano de investimentos na Bacia de Santos inclui também a montagem de uma infraestrutura de fibra ótica submarina, composta por cerca de 2 mil quilômetros de cabos e 41 hubs, com a qual será possível controlar remotamente as plataformas e, assim, reduzir a quantidade de profissionais que nelas permanecem. Por enquanto, essa rede ainda é basicamente um projeto: “Mas já estamos realizando, por sinais de rádio e de satélite, estudos de controle de algumas utilidades, como bombas d’água e compressores da plataforma de Mexilhão”, destacou Kawakami.

    Pesquisa e porto – Em seu projeto de exploração do petróleo do pré-sal de Santos, a Petrobras reservou também uma verba de R$ 77 milhões para a montagem de um ambiente de pesquisas denominado Centro Tecnológico da Baixada Santista, que ela administrará em parceria com a prefeitura dessa cidade, a Fundação Parque Tecnológico de Santos, e as três universidades estaduais paulistas: USP (Universidade Estadual de São Paulo), Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), e Unesp (Universidade Estadual Paulista).

    Ainda em outubro, a empresa iniciará a transferência dos profissionais da UO-BS – hoje espalhados por sete endereços –, para a nova sede que constrói na região santista do Valongo. Inicialmente, será inaugurado apenas o primeiro dos três prédios projetados para esse novo centro administrativo. Porém, ele será suficiente para abrigar todos os 1,1 mil funcionários atuais da UO-BS. “Em 2018, essa unidade terá aproximadamente 3,7 mil profissionais”, projetou Kawakami.

    A Petrobras busca também alternativas capazes de reduzir os impactos da sua operação na sobrecarregada estrutura portuária de Santos, tendo inclusive iniciado o desenvolvimento de um processo de licitação com a qual pretende contratar dois berços exclusivos de atração de embarcações. Além disso, a empresa destinou R$ 14 milhões para a melhoria da infraestrutura de um aeroporto localizado na cidade de Itanhaém, próxima a Santos.

    Em conjunto com instituições como o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequenas Empresas) e com empresas com as quais desenvolve projetos conjuntos, como Shell e BW Offshore, trabalha para formar uma base de fornecedores locais, seja na própria cidade de Santos, seja em municípios próximos, como os do ABC paulista.

    Nessa região, ele destaca, já há um vasto grupo de empresas capacitadas para se integrar ao conjunto de fornecedores da Petrobras: muitas delas, com know how adquirido no atendimento a grandes empresas de logística e transporte marítimos, e que para atuarem em uma plataforma precisariam basicamente adequar-se às normas específicas de segurança desse espaço produtivo (na abertura do evento, Kawami já havia revelado que, nos últimos quinze meses, a Petrobras realizou valor superior a R$ 17 milhões em negócios com fornecedores da região, e esperava estabelecer contato com outros 250 durante a Santos Offshore).

    De acordo com Kawakami, a montagem da estrutura projetada para a exploração do pré-sal da Bacia de Santos será garantida pelos vultosos investimentos programados pela Petrobras, especialmente nos US$ 154 bilhões assinalados na rubrica “exploração e produção” do plano de investimentos anunciado pela empresa para o quinquênio 2014-2018. Mais de metade dessa quantia, exatamente, US$ 80 bilhões, irá para o pré-sal. Haverá ainda recursos de empresas parceiras: “É justamente no pré-sal que a Petrobras mais tem parceiros, que nesse período devem investir cerca de US$ 40 bilhões”, enfatizou.

    Tais investimentos, combinados com os já realizados, tornam o pré-sal, na definição de Kawakami, “uma realidade”. Realidade, segundo ele, manifesta em fatos cada dia mais significativos, como a recente produção, em dos poços dessa região, no campo de Sapinhoá, de 36 mil barris em um único dia. “Foi um número recorde para um poço do pré-sal, cuja média de produção se situa na faixa entre 25 mil e 30 mil barris diários”, observou.



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