Rússia e exportações de petróleo: corte voluntário continua até o final do ano

Falas do vice-primeiro-ministro repercutem também em preços

Rússia e as exportações de petróleo: corte voluntário continua até o final do ano

Segundo o vice-primeiro-ministro Alexander Novak, a Rússia manterá a redução voluntária adicional de 300.000 barris por dia em suas exportações de petróleo e produtos petrolíferos até o término de dezembro de 2023, como já havia sido anunciado anteriormente.

A Rússia concordou em realizar dois cortes distintos na oferta de petróleo: em abril, decidiu cortar a produção de petróleo em 500.000 barris por dia até o final de 2024, enquanto em agosto anunciou que reduziria as exportações em 300.000 barris por dia até o final deste ano. Novak afirmou que a redução voluntária adicional tem como objetivo fortalecer as medidas adotadas pelos países da Opep+ para manter a estabilidade e o equilíbrio dos mercados petrolíferos.

De acordo com suas declarações, no próximo mês a Rússia irá avaliar a possibilidade de aprofundar os cortes voluntários nas exportações ou aumentar a produção. No domingo, um representante oficial do Ministério da Energia afirmou que a Arábia Saudita manterá seu corte voluntário de produção de 1 milhão de barris por dia (bpd) até o final de dezembro.

Preços do petróleo e consequências das falas de Rússia e Arábia Saudita

O preço do petróleo está subindo cerca de 1,5% nesta segunda-feira (6), devido a declarações de autoridades sauditas e russas que reafirmaram o compromisso de manter os cortes na oferta até o final de 2023, que foram implementados no primeiro semestre deste ano.

Por volta das 12h24 (horário de Brasília), o barril de petróleo WTI – referência nos Estados Unidos – com entrega programada para dezembro, estava com alta de 1,88%, alcançando US$ 82,06. Enquanto isso, o barril de petróleo Brent – referência global – para janeiro estava avançando 1,53%, chegando a US$ 86,20.

Ontem, a Saudi Press Agency informou, citando uma autoridade do Ministério de Energia da Arábia Saudita, que o país continuará reduzindo sua produção em 1 milhão de barris por dia (bpd) em dezembro, totalizando uma produção de cerca de 9 milhões de bpd.

Em seguida, o vice-primeiro-ministro da Rússia e principal representante do país na OPEP+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados), Alexander Novak, reiterou o compromisso de manter o corte mensal de 300 mil bpd até o final de 2023, de acordo com a imprensa internacional.

Esses anúncios surgem em meio às preocupações do mercado em relação à demanda global, considerando o enfraquecimento das principais economias do mundo, especialmente os Estados Unidos e a China – embora a economia americana continue robusta, conforme indicado pelos últimos dados. Além disso, o impacto potencial do conflito no Oriente Médio na oferta de petróleo tem diminuído nas últimas semanas. Nesse contexto, os analistas Warren Patterson e Ewa Manthey, do ING, afirmam que “a confirmação desses produtores de que continuarão com os cortes não deve ser uma grande surpresa”.

No entanto, o mercado está interessado em saber se esses cortes serão estendidos até o início de 2024. De acordo com nossas análises de petróleo, prevemos um excesso de oferta no primeiro trimestre, o que pode ser suficiente para convencer sauditas e russos a manterem os cortes durante esse período de demanda sazonalmente mais fraca.

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