Rio Pipeline 2013: Malha de dutos precisa crescer para suportar a expansão de óleo & gás

Petróleo & Energia, Gasoduto com 954 km liga Cacimbas a Catu
Gasoduto com 954 km liga Cacimbas a Catu

Com malha de dutos muito aquém da existente em outros países, com cerca de 25 mil quilômetros de extensão, o Brasil ainda enfrenta inúmeros desafios nesta área, a despeito das metas crescentes de produção de óleo e gás no país, a maior parte em bacias offshore, em águas profundas e ultraprofundas.

Dutos submarinos, novos materiais, automação e controle remoto, monitoramento em tempo real, revestimentos para as mais severas condições offshore, integridade de estruturas, manutenção, meio ambiente e segurança operacional são alguns dos aspectos deste segmento da indústria que serão abordados na 5ª edição da Rio Pipeline Conference and Exposition.

Organizado pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (IBP), realiza-se entre os dias 24 e 26 de setembro, no Centro de Convenções SulAmérica, no Rio de Janeiro, sendo consagrado como o maior evento de dutos do país.

Petróleo & Energia, Rennó: desafios ligados à eficiência logística e econômica
Rennó: desafios ligados à eficiência logística e econômica

“A Rio Pipeline já se tornou referência para o setor”, afiança Marcelo Rennó, coordenador do Comitê Organizador do evento, que tem o apoio do Sistema Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), lembrando que a exposição reúne os principais fornecedores de bens e serviços, além de operadores do transporte dutoviário.

“A indústria de óleo e gás ocupa um espaço fundamental no cenário mundial e precisa de constante renovação. Por isso, temas como integridade, inovação, tecnologia e a sustentabilidade são o carro-chefe de qualquer encontro do gênero”, observa Rennó.

Realizada a cada dois anos, desde 2005, a Rio Pipeline se tornou um importante foro para o debate e a troca de experiências na sua conferência, que reuniu, na última edição, mais de 1.500 congressistas e teve um número recorde de 342 trabalhos inscritos, oriundos de 27 países.

Na edição deste ano, com 224 trabalhos aprovados (veja quadro de trabalhos inscritos por tema), a Rio Pipeline vai colocar no centro das discussões: a questão da expansão da malha de distribuição de gás no Brasil, a inovação tecnológica em dutos, regulação e logística da atividade dutoviária, e as práticas de gestão dessa indústria, entre outros assuntos.

Trata-se de temas que ganharam maior destaque após a conclusão, em maio, dos estudos de elaboração do Plano Decenal de Expansão da Malha de Transporte Dutoviário do País (Pemat), realizados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). No entanto, o plano que estabelece a construção e a ampliação de gasodutos para o escoamento de gás natural ainda não teve grande número de projetos em razão da pouca oferta do insumo.

Gasodutos como o Santo Antonio dos Lopes-Barcarena, para escoar a produção da Bacia do Parnaíba, que já foi descartado pela Petrobras, dutos paralelos ao Gasbol (Gasoduto Bolívia-Brasil), para atendimento ao interior dos estados da Região Sul, e empreendimentos de reforço da malha do Sudeste estavam entre os projetos em estudo.

“Mas eles só poderão se concretizar quando a oferta for comprovada. Gasodutos possíveis hoje são muito poucos”, já disse o presidente da EPE, Mauricio Tolmasquim, reconhecendo que a malha brasileira de gasodutos cresceu “exponencialmente” nos últimos anos, mas que continua sendo pequena em relação às de outros países. “Um crescimento mais expressivo vai depender da comprovação do tamanho das reservas de gás no país”, contrapôs Tolmasquim.

“As características geográficas e a vasta extensão do território nacional tiveram uma grande influência no desenho desta malha”, observa Maurício Rennó, do IBP, lembrando que a malha de dutos existente foi desenvolvida e construída atendendo à demanda. “O aumento da produção, motivada principalmente pela descoberta do pré-sal, vai ser atendido por uma logística especial, voltada para a interligação dos campos produtores, em terra e no mar, com a malha de dutos existente para atender à também crescente demanda de petróleo, derivados e gás natural em todo o território nacional.”

Eficiência é ponto nevrálgico – Segundo Rennó, os principais desafios da indústria de dutos no Brasil e do mundo estão ligados à eficiência logística e econômica do transporte por dutos, sempre observando a preservação do meio ambiente, a segurança operacional e a responsabilidade social. “Neste aspecto é fundamental a continuidade operacional com a garantia da inexistência de vazamentos”, acrescenta.

Ele ainda aponta outros desafios, de ordem econômica: “A otimização do Capex com novas tecnologias, como o emprego de materiais mais resistentes nos tubos, novos critérios de cálculo de projeto com melhor aproveitamento das características mecânicas e metalúrgicas dos materiais, novos métodos construtivos e avanços na seleção de novas diretrizes e rotas para os dutos, é um aspecto importante.”

No âmbito socioambiental, Rennó destaca que a monitoração incessante no caminho do “vazamento zero” é o grande desafio: “Estatísticas mundiais demonstram uma queda significativa dos números de falhas e acidentes em dutos, mas a concretização do vazamento zero tem de ser uma obsessão desta indústria.” Segundo ele, as operadoras vêm investindo em desenvolvimento tecnológico buscando minimizar a ocorrência dos escapes. “Há a intensificação nas metodologias de prevenção de falhas, como o aumento da precisão e a capacidade de detecção das ferramentas de inspeção de dutos, os pigs. Outro desafio é aumentar a capacidade de apontar vazamentos com o uso de softwares, instrumentos e meios de detecção mais sensíveis”, complementa o executivo.

Tudo isso estará no foco das atenções da Rio Pipeline, ponto de encontro da comunidade mundial de dutos. “É um evento aguardado pelos operadores de dutos, para discutir e trocar experiências; pelos fornecedores de bens e prestadores de serviços, para apresentar seus produtos; pelos acadêmicos, para submeter seus trabalhos técnicos voltados à inovação e ao desenvolvimento tecnológico; além dos empreendedores, que veem na Rio Pipeline a oportunidade para realizar negócios no ramo da indústria dutoviária”, detalha Rennó.

Este ano haverá a apresentação de um grande número de trabalhos voltados para a inovação tecnológica. Entre os temas a serem destacados, estão o emprego de materiais poliméricos para gasodutos de distribuição de gás natural e o aumento da capacidade de prevenção de falhas pelo emprego de ferramentas de inspeção interna de dutos (PIGs) mais sensíveis.

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FEIRA
Área de exposição – 2.560 m2
Expositores – 150
Países – 20
Visitantes  – 3.500

CONFERÊNCIA
Congressistas – 1.500
Trabalhos  – 342
Países – 27

Serviços
Local
Centro de Convenções SulAmérica
Rio de Janeiro-RJ

Horário de funcionamento
Feira – Terça a quinta-feira,
das 10 às 19 horas
Conferência – Terça a quinta-feira,
das 8 às 18 horas

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CTDUT vai mostrar seu Loop Multifásico

O Centro de Tecnologia em Dutos (CTDUT), já estabelecido como um laboratório compartilhado de testes na área de dutos e terminais do setor de óleo e gás, também conhecido por suas instalações em escala real, vai divulgar a sua mais ousada instalação: o Loop Multifásico, um duto pigável de 12 polegadas para P&D de soluções para esse mercado.

Petróleo & Energia, Bylaardt: demanda é crescente por ensaios no Loop Multifásico
Bylaardt: demanda é crescente por ensaios no Loop Multifásico

Raimar van den Bylaardt, presidente do CTDUT, destaca que a Rio Pipeline será uma boa oportunidade para a indústria agendar e programar o uso deste loop, uma vez que a agenda dele está cada vez mais apertada. “Estamos negociando um teste de longa duração, de seis meses. Por isso, é bom as empresas se programarem desde já para que tenham a oportunidade de testar suas soluções no Loop”, alertou.

Dotado de um sistema Scada, a instalação permite o treinamento de operadores pela simulação de condições usuais ou de emergência em um duto. “Sua concepção atende a três diferentes configurações, todas pigáveis e dotadas de carretéis removíveis para testes”, explica Bylaardt.

O Loop Menor, com 200 m de comprimento, opera com uma variação máxima em elevação de 3 m. O Loop Maior vai a 2,5 km, com uma variação vertical de 60 m. “Ao utilizar os dois loops simultaneamente, temos uma configuração com 2,7 km que incorpora as características de ambos, mas consistindo em um circuito fechado para PIG, que poderá circular indefinidamente sem interrupção”, explica.

Num primeiro momento, sua operação será feita com óleo cru, água e nitrogênio, por limitações de sua estrutura inicial de separação destes fluidos. Em uma segunda fase do projeto, ele poderá receber um separador mais eficiente e operar com gás natural no lugar do nitrogênio. O CTDUT já dispõe de um ponto de acesso de 100 bar e de uma estação redutora de pressão para gás natural.

Além dos loops, o CTDUT conta com outros laboratórios, como o de Proteção Catódica e o Laboratório de Integridade Estrutural, onde são estudadas as rupturas de dutos. Com a intenção de atender às necessidades do mercado dutoviário e de terminais, o centro também está se estruturando para a construção de laboratórios de vazão de líquidos, de tanques e de certificação de válvulas.

[toggle_box title=”TABELA: Trabalhos inscritos por tema” width=”530″]

Automação, sistemas supervisórios e medição – 14      
Bases de distribuição, terminais, estações de compressão e de bombeamento – 3    
Confiabilidade e avaliação de risco -14
Corrosão – 18
Distribuição de gás – 17
Dutos para produtos especiais – 4
Dutos submarinos – 28
Gis e mapeamento – 6
Integridade estrutural – 26
Logística e operação – 17
Manutenção e reabilitação – 10
Meio ambiente e segurança operacional – 9
Minerodutos – 14
Projeto, construção, implantação de faixa de dutos e materiais – 19
Responsabilidade social – 6
Técnicas de inspeção e dutos não pigáveis – 16
Transporte de biocombustíveis – 3

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