Rio Pipeline 2013: Expansão da malha dutoviária requer mão de obra qualificada

Petróleo & Energia, Tubos prontos para instalação em linha de transporte de gás natural
Tubos prontos para instalação em linha de transporte de gás natural

Texto: Fania Rodrigues

Com malha de menos de 30 mil quilômetros de dutos e gasodutos e uma taxa média de crescimento de apenas 2% por ano, o Brasil ainda tem um enorme potencial de expansão desse setor. Mas terá de investir pesado na qualificação e na retenção de mão de obra, bem como para aumentar a produtividade e a eficiência logística para não deixar que essa oportunidade se torne uma situação de risco.

São vários os fatores, externos ou inerentes à sua utilização, que podem afetar a integridade de dutos que transportam desde álcool, petróleo e derivados até gás e minérios, provocando incidentes com forte impacto sobre o meio ambiente e a vida humana, além da sustentabilidade das empresas.

Petróleo & Energia, Rio Pipeline 2013Esses aspectos foram debatidos pelos quase mil congressistas que participaram da Rio Pipeline Conference & Exposition 2013, realizada entre os dias 24 e 26 de setembro, no Centro de Convenções SulAmérica, no Rio de Janeiro. A nona edição do evento recebeu 2.200 visitantes, que foram conferir as novas tecnologias e os serviços oferecidos pelos 150 expositores. “Nossa indústria tem grandes desafios e um deles é monetizar novas descobertas. Para isso, a infraestrutura deve ser capaz de escoar a produção, além de distribuir os derivados de petróleo e gás para o consumo da sociedade”, frisou Milton Costa Filho, secretário-geral do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), que promove a Rio Pipeline desde 1995.

Ele destacou também a importância de reforçar a comunicação com as ‘gerações Y e Z’, para conectá-las à indústria do petróleo, a fim de atrair novos quadros para o setor. Daí a razão de o IBP ter levado pela primeira vez para a Rio Pipeline o programa Profissional do Futuro, que recebeu mais de 400 estudantes de 14 universidades e centros tecnológicos. Promovida em parceria com o Centro de Empreendedorismo Universitário (CEU), a iniciativa tem por objetivo orientar os jovens quanto ao planejamento da carreira e a qualificação profissional, apresentando-os ao mercado de óleo e gás. “O programa busca melhorar a eficiência profissional ao levar às universidades e aos trabalhadores conhecimentos que nem sempre estão disponíveis. A visita à feira não pode ser só um percurso pelos estandes”, ressaltou Alfredo Laufer, diretor do CEU.

Petróleo & Energia, Ampliação da oferta de óleo e gás demandará mais dutos
Ampliação da oferta de óleo e gás demandará mais dutos

Desafios permanentes – “O setor de energia enfrenta grandes desafios para atender às demandas existentes. Para solucioná-los, é fundamental ter as pessoas certas na mesa de discussões”, afirmou Madiha Kotb, presidente da Sociedade Americana de Engenheiros Mecânicos (Asme), que realizou a reunião de seu comitê durante o evento. O mesmo foi feito pela Associação Regional de Empresas de Petróleo, Gás e Biocombustíveis na América Latina e Caribe (Arpel).

De acordo com a dirigente, um dos grandes desafios técnicos do cenário atual da indústria de óleo e gás é a integração da indústria dutoviária com as atividades de exploração offshore, em meio às crescentes exigências globais de políticas ambientais mais efetivas. Se a logística, a eficiência operacional e a segurança ambiental são as diferentes faces de um mesmo desafio, a integridade dos dutos é um ponto chave para que este modal de transporte se consolide, tanto em terra como no mar, como a melhor forma de transportar hidrocarbonetos e outros recursos naturais.

Dessa forma, a corrosão é uma das principais preocupações do setor, que hoje conta com uma gama diferenciada de soluções, incluindo novos materiais e técnicas de revestimento, alguns ainda em teste no Brasil e no exterior, como foi discutido na feira.

Solução integrada – A Bredero Shaw, do grupo canadense ShawCor Ltd., destacou o conceito de solução integrada para a proteção de dutos. Segundo o gerente técnico da empresa no Brasil, Normando Cunha, um dos maiores desafios enfrentados no setor offshore é a capacidade de entender as necessidades de cada projeto específico. “Isso é fundamental para que a empresa possa propor ao cliente um sistema de revestimento adequado para suportar profundidades consideráveis, temperaturas elevadas e diferentes métodos de instalação, sem afetar a integridade do revestimento aplicado”, afirmou.

A empresa, que fornece soluções em revestimentos externos e internos, de anticorrosivos a isolantes térmicos, destacou, entre outros produtos, o Thermotite Ultra. “Trata-se de um sistema de isolamento térmico inovador, com ilimitada capacidade para operação em profundidade, composto por uma combinação de materiais poliméricos com propriedades mecânicas e térmicas únicas, tecnologia desenvolvida nos nossos centros de pesquisa e desenvolvimento no Canadá e na Noruega”, ressaltou Cunha.

A empresa também apresentou um novo produto ao mercado: o RPC, um revestimento polimérico reforçado. “Esse revestimento oferece desempenho superior aos sistemas de tripla camada utilizados atualmente, porém com a metade da espessura, além de ser compatível com diferentes materiais utilizados em juntas de campo”, destacou. O produto demorou cerca de quatro anos para ser desenvolvido e já passou por vários testes de validação, conforme as principais normas de revestimento conhecidas no mercado. O próximo passo é a sua aplicação no Brasil, prevista para 2014.

Com planta industrial em Belo Horizonte desde o ano de 1999, a Bredero Shaw tem atuado em projetos importantes em parceria com Vallourec, Tuper, Petrobras, Saipem, Technip, Subsea7, entre outras. Atualmente está em fase de qualificação dos sistemas de 3LPP e isolamento térmico com polipropileno sintático para o projeto de Sapinhoá Norte, na Bacia de Santos, que tem uma profundidade de aproximadamente 2.100 metros e está a 310 km da costa brasileira.

Petróleo & Energia, Miranda: soluções customizadas para inspecionar dutos no setor
Miranda: soluções customizadas para inspecionar dutos no setor

Tecnologia nacional – Assim como grandes multinacionais buscam negócios por aqui, empresas brasileiras prospectam oportunidades no mercado externo. É o caso da PipeWay Engenharia, que nasceu como uma incubada na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), com tecnologia do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento (Cenpes) e da Petrobras.

Os donos da PipeWay são pesquisadores e engenheiros que desenvolveram os primeiros projetos da empresa e, em 1998, decidiram se lançar no mercado. Deu certo. “Atualmente estamos presentes na Argentina, México, Estados Unidos, Europa e, em 2012, conquistamos o mercado asiático e, desde então, atuamos em um projeto da Petronas, na Malásia”, destaca o coordenador comercial da PipeWay, Raphael Miranda.

Ele atribui o sucesso da empresa, a única brasileira que fabrica e opera ferramentas para inspeção de dutos de óleo e gás, à sua ‘flexibilidade’. “A Pipe é conhecida por oferecer serviços que se adaptam ao cliente. As grandes fornecedoras, em geral, possuem um formato de projeto macro que não pode ser aplicado em alguns casos. Nós nos adaptamos e customizamos nossas ferramentas, podemos propor soluções específicas para cada caso”, afirmou Miranda.

Sua especialidade são os pigs, que verificam anomalias como ovalizações, amassamentos e corrosões, contribuindo para evitar vazamentos que redundam em acidentes ambientais. A empresa também desenvolveu um sistema para inspeção de linhas “não-pigáveis”, usando tecnologia de fuga de campo magnético.

Os principais contratos com a Petrobras se concentram em Macaé-RJ e nas unidades operacionais do Espírito Santo, Sergipe/Alagoas e Rio Grande do Norte/Ceará. Mas é na Bacia de Santos que a PipeWay pretende vencer barreiras tecnológicas e elevar a expertise nacional a um novo patamar. “Estamos nos projetos que são realmente desafiantes. É diferente trabalhar em alta pressão e profundidade, e ainda com água salgada. Para qualquer sistema elétrico essas são condições agressivas”, explicou Raphael Miranda.

A PipeWay, que agora se prepara para uma nova jornada tecnológica em direção ao pré-sal, continua desafiando o domínio das grandes multinacionais desse segmento. Mas, para quem começou em uma sala de 30 m² e hoje opera em 1.500 m², em São Cristóvão-RJ, energia e vontade de crescer é o que não falta.

Expertise global – No Brasil desde 1995, a Weatherford também se apresenta em todos os eventos do setor de óleo e gás para destacar suas soluções que acompanham praticamente toda a vida do duto, desde a instalação até o reparo e manutenção. A empresa teve participação em projetos emblemáticos, como os dos campos de Mexilhão e Lula (antigo Tupi), ambos na Bacia de Santos, e vem reforçando a expertise em dutos offshore, em águas ultraprofundas.

“Temos capacitação para atuar em 2.300 a 3.000 metros de profundidade”, frisou Santiago Galisteo, gerente de dutos e especialidades de serviços para a América Latina da Weatherford. Uma das soluções destacadas por ele é um equipamento multitarefa, para comissionamento de novos dutos, com desenvolvimento próprio, patenteado em todo o mundo. “Ele foi desenvolvido na Inglaterra, em Aberdeen, e já realizou projetos de comissionamento em todos os níveis de complexidade. Por ser um equipamento multitarefa, dispensa outros, resultando em economia e redução de tempo”, afiançou o executivo. “Estamos falando de dutos de 300, 400 quilômetros, de diferentes polegadas, que são instalados em profundidades que variam de cem a três mil metros”, disse. “Temos as ferramentas necessárias para atuar nos mais severos ambientes, inspecionando a espessura do duto, pois há uma degradação natural do ativo, incidência de corrosão, incrustação e outros fatores que colocam em risco a sua integridade”, concluiu Galisteo.

Petróleo & Energia, Fernandes: suporte de tubulação ganhou prêmio internacional
Fernandes: suporte de tubulação ganhou prêmio internacional

Liderança brasileira – Uma das patrocinadoras da Rio Pipeline, a brasileira Liderroll expôs os maiores roletes do mundo para suporte permanente de tubulações de grandes diâmetros, que já estão sendo usados na Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco. A solução recebeu o Global Pipeline Award 2011, concedido pela Asme, por apresentar a tecnologia mais inovadora na última edição, há dois anos. Prêmio e produto foram apresentados ao público lado a lado. A brasileira, sediada em Duque de Caxias-RJ e com apenas seis anos de existência, foi a primeira companhia nacional a receber o prêmio.

“Foram consumidas muitas horas de engenharia no desenvolvimento desta solução. E vamos usar o mesmo conceito para superar novos desafios, tendo em vista as finas espessuras de paredes versus os grandes diâmetros dos tubos que vêm sendo usados em outros projetos, como o flare de 84 polegadas do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj)”, destacou o presidente da Liderroll, Paulo Fernandes.

Os roletes estão sendo usados na tubulação de água da Rnest. “O projeto envolve tubulações de 56, 60 e 72 polegadas, que precisavam ter uma base especial para garantir a integridade das finas paredes dos tubos, dada a acomodação natural deles e as prováveis tensões geradas por recalques diferenciais de todo o sistema, considerando ainda as grandes massas de água a serem transportadas”, explicou.

A meta é eliminar os riscos – Quando o assunto é gasoduto ninguém melhor que a Optec para avaliar o mercado e suas expectativas. “O que precisamos, e essa sempre foi uma de nossas metas, é garantir a integridade do duto e aumentar sua vida útil com menor impacto ambiental. Isso exige máxima eficiência nas operações”, afirma o diretor Luiz Octávio Fonseca Junior.

A empresa, uma das maiores fornecedoras da Transpetro e representante de grandes marcas como Trenton, Furmanite e Washs, oferece equipamentos e serviços para perfuração e biselamento de dutos para soldagem. E tem entre as suas especialidades a trepanação (furação) e o bloqueio de dutos, tendo sido pioneira nesta operação no país.

“Temos capacidade para fazer a manutenção da linha sem interromper a operação em dutos de meia polegada até 72 polegadas. Nós executamos o serviço e provemos equipamentos e acessórios no Brasil”, afirmou o executivo. Quando o diâmetro do duto é fora dos padrões usuais, ele explicou, os materiais são trazidos do exterior.

Em fevereiro de 2002 a empresa ganhou destaque no mercado brasileiro por haver protagonizado a primeira parada de fluxo sob alta pressão. “O feito foi realizado na rede de gás natural da Companhia de Gás de São Paulo (Comgás), a maior distribuidora do Brasil”, contou Fonseca Junior.

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