Logística e Transporte

Rio Pipeline 2013: E&P mundial busca derrame zero

Petroleo e Energia
26 de dezembro de 2013
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    Texto: Fania Rodrigues

    Desde o acidente da Deepwater Horizon, no Golfo do México, em 2010, as regras para exploração de petróleo endureceram em vários países. O governo dos Estados Unidos, por exemplo, estabeleceu em 2011 a meta de “derrame zero” para suas empresas. “Algumas pessoas dizem que é impossível, mas temos que ter isso como horizonte e trabalhar duro para alcançá-lo”, afirmou o norte-americano Cliff Johnson, presidente do Pipeline Research Council International (PRCI), no seminário de Inovação Tecnológica realizado durante a Rio Pipeline.

    O PRCI desenvolve pesquisas para a indústria de óleo e gás e é uma referência mundial no desenvolvimento de novos materiais e dutos. Mas seu diferencial está no fato de muitos projetos serem frutos de acordos de cooperação e, além disso, as suas informações são compartilhadas com a indústria em geral.

    “Estamos trabalhando muito próximos ao mercado brasileiro. Nenhuma empresa pode alcançar sozinha metas tão ambiciosas como essa de derrame zero. É preciso cooperação mútua se quisermos acabar com a percepção de que os dutos não funcionam bem. Já tivemos falhas catastróficas nesse setor”, salientou Johnson.

    Uma das inovações desenvolvidas pelo PRCI é o laboratório de teste de dutos com imagens em 3D. “Podemos observar e acompanhar de forma mais eficaz o que está acontecendo durante os testes, identificamos falhas e vemos coisas que no passado não eram visíveis, pois trabalhamos com amostras de situações reais”, afirmou Johnson.

    O coordenador do Programa Tecnológico de Transporte do Cenpes, Pedro Altoé, conta que a Petrobras também tem o vazamento zero por meta. “Já progredimos, mas muitas coisas ainda devem melhorar. Temos que criar um plano B nos projetos de duto”, sugeriu Altoé. O pesquisador defende ainda a criação de uma rede descentralizada de conhecimento, com grupos regionais atuando de forma integrada com equipes internacionais em um ambiente colaborativo.

    Alinhado com essa perspectiva da indústria, o Rosen Group investe pesado em tecnologias de inspeção para lidar com os mais diferentes tipos de ameaças. “Desenvolvemos sensores que identificam e mapeiam as condições no interior dos dutos. Também temos um sofisticado sistema contra sabotagem, que é acionado como um dispositivo de emergência”, destacou o diretor corporativo de marketing de dutos do Rosen Group, Thomas Beuker.

    Guerra às corrosões – O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, também desenvolve estudos sobre sistemas de dutos. “Além da integridade dos dutos, é preciso avaliar uma série de variáveis, como a topografia do terreno por onde ele passa, formação geológica, condições climáticas, entre outras”, observou o presidente do IPT, Fernando Landgraf. “Precisamos melhorar a eficiência e a confiabilidade dos dutos. Nos últimos dois anos, trabalhamos em vários projetos e já começamos a entregar os resultados”, afiançou Landgraf.

    Com o Cenpes e a Petrobras, o IPT desenvolveu recentemente uma metodologia inédita para avaliar a corrosão por meio de corrente alternada. O IPT é um dos pioneiros em pesquisas que utilizam campos magnéticos para modificar a estrutura do carbonato de cálcio, substância que incrusta no interior dos dutos com o passar do tempo.

    O instituto possui um dos mais modernos laboratórios especializados em corrosão e proteção externa de dutos. Além disso, conta com uma longa experiência na área de corrosão interna, com destacada atuação do Laboratório de Corrosão e Proteção, especializado em soluções tecnológicas para a prevenção e o gerenciamento da corrosão em materiais e estruturas para as mais diversas aplicações.

    Considerado um dos maiores institutos de pesquisas do Brasil, o IPT conta com laboratórios, equipe de pesquisadores e técnicos altamente qualificados. Atualmente desenvolve 59 projetos no setor de dutos.



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