Rio Oil & Gas: Geopolítica do petróleo sinaliza novos desafios para a indústria

Somente em 2013, um total de US$ 35 bilhões foram gastos em embarcações, entre navios de apoio e plataformas para o mercado de óleo e gás offshore. Segundo a entidade, apesar de os investimentos da Petrobrás em exploração e produção terem crescido mais de 509% em dez anos, a indústria local de peças e equipamentos navais viu menos de um décimo desse índice, registrando alta de apenas 41% na sua produção.

“O nosso setor fatura R$ 80 bilhões por ano. A Petrobras, sozinha, investe anualmente em torno de R$ 40 bilhões, mas vendemos apenas entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões para essa indústria. Esses números indicam que o conteúdo local fica restrito a soldas de chapa e pintura, mas o recheio dos navios, que gera valor agregado, é importado”, calcula Velloso.

“Só temos uma indústria de casco. Se os benefícios acabarem, o setor não se mantém, pois não tem consistência, não tem capacidade e competitividade para vender uma embarcação completa para o exterior, é uma indústria subsidiada. E os elos da cadeia produtiva naval não foram beneficiados e estão fragilizados”, conclui o dirigente.

Estrangeiros a postos – Dois países com forte atuação no setor offshore, em águas profundas, vão levar a expertise de suas empresas para os pavilhões internacionais. Um deles é a Noruega, uma das 15 maiores produtoras de petróleo do mundo, no ranking que inclui também os países da Opep, vindo logo em seguida ao Brasil (que praticamente divide o 12º lugar com a Nigéria).

Organizado pela Innovation Norway, Agência de Promoção do Governo da Noruega, que dá suporte às companhias daquele país que buscam se estabelecer no Brasil ou firmar parcerias locais, o Pavilhão da Noruega abrigará mais de 20 empresas, entre elas a petroleira Statoil.

Uma das companhias petrolíferas com forte expertise em águas profundas e altíssimo grau de aplicação de novas tecnologias submarinas na exploração e produção de petróleo offshore, a Statoil tem dado suporte à cadeia produtiva para expandir suas atividades além das fronteiras.

Até porque a petroleira norueguesa precisa dessas tecnologias nos países onde atua, principalmente nas Américas, nas quais vem reforçando sua posição no mar e até em terra firme (nos Estados Unidos). No Brasil, já é a terceira maior produtora de óleo e gás, com uma produção diária em torno de 75 mil barris de óleo equivalente (boe).

Além de Peregrino, o principal projeto em produção, a norueguesa tem três ativos em exploração em águas rasas e profundas nas bacias de Campos, oito na do Espírito Santo e um na de Jequitinhonha. A empresa tem planos de incrementar os números de sua produção nos próximos anos.

Essa é a mesma expectativa das fornecedoras de bens e serviços de pequeno, médio e grande portes que se apresentarão na ROG. “O Brasil sempre foi um mercado de grande importância para a Noruega”, afirma a gerente de projetos da Innovation Norway, Renata Costa Prado.

Ela salienta que as empresas norueguesas estão comprometidas com o mercado brasileiro, buscando construir e manter sólidas parcerias no país. “O momento atual pode apontar certas restrições, porém a indústria está em constante desenvolvimento”, diz ela, lembrando que o setor de petróleo é crucial para o desenvolvimento econômico do Brasil e que, até 2017, há previsão de investimentos totais de R$ 458 bilhões nesse segmento.

De olho nestas oportunidades, o pavilhão norueguês vai abrigar não somente fornecedoras de bens e serviços já estabelecidas no mercado, como também pequenas e médias empresas (PME) que buscam oportunidades no país.

“O Brasil apresenta conjuntura favorável para desenvolvimento tecnológico e formação de parcerias. Durante a ROG, as empresas tendem a prospectar clientes e também considerar possíveis parcerias”, conclui Renata.

Força britânica – Com o mesmo objetivo, o United Kingdom Trade and Investment (UKTI), departamento de comércio e investimento internacional do Consulado Britânico do Rio de Janeiro, está preparando uma ampla programação para as empresas do Reino Unido que participarão da ROG.

Há algumas edições o UKTI participa da feira como parceiro da empresa britânica Subsea UK e do grupo Energy Industry Council (EIC), uma associação que presta suporte às companhias de energia do Reino Unido que realizam negócios internacionais e que organiza o Pavilhão Britânico.

“A Subsea UK é uma entidade especializada em engenharia e construção submarina e terá um estande separado, no qual abrigará nove empresas especializadas na área submarina”, explica Matt Woods, cônsul-adjunto do Reino Unido no Rio de Janeiro e chefe do UKTI Rio.

Segundo ele, a UKTI vai dar suporte às quase 60 empresas britânicas que visitarão a feira. “No dia 15, organizamos um seminário sobre Oportunidades com Grandes Empreiteiros no Brasil e uma recepção, à noite, no hotel Windsor Barra. Nosso objetivo é promover o networking entre empresários britânicos e brasileiros e gerar oportunidades de negócios entre os dois países”, detalha.

Matt Woods observa que, no Brasil, e especificamente no setor de óleo e gás, perspectivas de longo prazo e relações pessoais são aspectos muito importantes do processo de fazer negócios. “É importante também notar que a magnitude do mercado brasileiro permite que as empresas britânicas analisem o potencial de investimento por aqui calmamente, já que estas companhias são detentoras de tecnologia e possuem grande potencial no setor de óleo e gás brasileiro”, avalia.

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