Rio Oil & Gas: Geopolítica do petróleo sinaliza novos desafios para a indústria

A Onip também pretende dar maior visibilidade ao CadFor, principal cadastro de fornecedores utilizado pelas companhias de petróleo com projetos no Brasil, além de grandes empresas do setor. Atualmente as empresas-membro do CadFor são Anadarko, BG Brasil, BP, BW Offshore, FMC Technologies, Modec, Repsol-Sinopec, SBM, Schlumberger, Shell, Statoil, Teekay e Total. E também vai fazer uma apresentação do projeto Platec (Plataformas Tecnológicas), voltado ao desenvolvimento de tecnologia no Brasil.

Analisando o cenário atual, Bruno Musso afirma que não se pode trabalhar com foco no curto prazo. “Temos pela frente todo o desenvolvimento de campos gigantes do pré-sal, além de outras áreas importantes, que representam oportunidades para 10 a 20 anos”, salienta o superintendente.

Ele frisa que é preciso insistir no desenho de uma política industrial específica para o setor petróleo que considere a “agenda da competitividade”, fruto de um estudo coordenado pela entidade em 2010. “A história da indústria do petróleo é marcada pela superação de desafios e dificuldades, é preciso considerar o atual momento sob esta perspectiva, que é positiva para nós”, conclui Musso.

De vento em popa – Sem estande na feira, a Associação Brasileira das Empresas de Construção Naval e Offshore (Abenav), recém-saída da Navalshore, realizada ano Rio um mês antes da ROG, pretende aproveitar a feira offshore para reforçar contatos.

“Para a Abenav é um excelente meio de ganhar visibilidade dentro do mercado offshore, além de uma ótima oportunidade para promover a indústria nacional e dinamizar as relações entre clientes, stakeholders e fornecedores de âmbitos nacional e internacional”, comenta Augusto Mendonça, presidente da entidade.

Segundo ele, o país vive um momento privilegiado em sua história no setor de óleo e gás, que continua tendo grande impacto no Produto Interno Bruto (PIB), com previsões de aumentar e até duplicar sua participação na economia nacional.

“O Brasil continua sendo um dos principais países que vêm recebendo investimentos do setor e a exploração da camada pré-sal é um catalisador de uma série de projetos que estimularão praticamente todos os setores da economia brasileira, atraindo também a participação de novos e grandes players”, afiança o dirigente.

Petróleo & Energia, Muller chama a atenção para a falta de projetos em terra
Muller chama a atenção para a falta de projetos em terra

Menos otimista – É assim que se mostra Antonio Muller, presidente da Associação Brasileira de Engenharia Industrial (Abemi), destacando que mais além do pé-sal e do pós-sal, há muito ainda a fazer em terra firme, na exploração das bacias terrestres.

“A nossa grande preocupação é a falta de empreendimentos no segmento onshore de óleo e gás, pois um número expressivo de empresas associadas tem forte capacitação na área de projeto em engenharia”, destaca o dirigente, reiterando a necessidade de estruturação de uma política industrial que tenha como pilar o fortalecimento da engenharia industrial brasileira, a fim de aumentar a competitividade do setor. É para reforçar essa discussão que a Abemi vai à ROG com um estande na área das associações, no qual vai destacar projetos executados, aspectos da tão propalada questão da produtividade e de qualificação profissional. “O principal objetivo da Abemi neste evento é propiciar aos seus membros a oportunidade de promover, por meio de parcerias, aporte de tecnologia para o segmento de óleo e gás”, conclui Muller.

Mais incisivo e pessimista, José Velloso Dias Cardoso, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), pretende, acima de tudo, apresentar na ROG “a indignação do setor de máquinas, equipamentos e navipeças com relação à sua participação no setor de óleo e gás”.

“O conteúdo local continua sendo muito baixo nestes setores”, critica. “Os estaleiros se apropriaram de todos os benefícios concedidos, ampliando sua margem de lucro, e não repassando os benefícios para a cadeia local”, afirma, citando dados de um levantamento da Abimaq que apurou os gastos do setor naval e offshore nos últimos três anos.

De acordo com Velloso, o estudo mostra que o País importou US$ 141 bilhões em máquinas, peças e embarcações. Os dados referentes às importações beneficiadas pelo regime especial de tributação Repetro são da Receita Federal, obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação.

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