Rio Oil & Gas: Geopolítica do petróleo sinaliza novos desafios para a indústria

Petróleo & Energia, FPSO Cidade de Ilhabela, no estaleiro Brasa, de Niterói-RJ
FPSO Cidade de Ilhabela, no estaleiro Brasa, de Niterói-RJ

Participação de empresas e congressistas de pelo menos 30 países reflete o interesse crescente na América Latina, com destaque para Brasil e México

Com o tema “Novo Cenário Geopolítico: Superando os Desafios”, a 17ª Rio Oil & Gas Expo and Conference 2014 ressalta a nova correlação de forças da indústria mundial de energia, na qual a produção crescente de hidrocarbonetos nos Estados Unidos e Brasil, assim como a perspectiva de crescimento desse setor no México, se contrapõem ao predomínio de quase meio século dos membros da Organização dos Países Exportadores do Petróleo (Opep).

Essa transformação do mapa-múndi do petróleo, que deverá sofrer mudanças substanciais na próxima década, está refletida tanto na participação de um número recorde de congressistas, visitantes e expositores estrangeiros – são 14 os pavilhões internacionais –, como nos debates e palestras que vão ocorrer durante os quatro dias do evento que se realiza entre os dias 15 e 18 de setembro no Riocentro, maior centro de convenções do Rio de Janeiro.

Shell, Total, Petrobras e Pré-Sal Petróleo Brasil S.A (PPSA) são o ‘cardápio’ dos quatro almoços-palestras – com ingressos comercializados à parte e disputados pelos visitantes do segundo maior evento de petróleo do mundo –, promovido e organizado pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP).

A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, que vem enfrentando críticas e denúncias contra a administração da Petrobras na última década, deverá aprticipar da cerimônia de abertura, acompanhado pelo ministro de Minas e Energia, Edson Lobão.

“Vivemos um momento interessante na indústria do petróleo e, por isso, precisamos trocar experiências e conhecimentos no que diz respeito às mudanças no cenário mundial, como também na capacitação de profissionais e sustentabilidade dos processos”, pontua o presidente do IBP, João Carlos de Luca, afirmando que o instituto tem o papel de agente provocador desse diálogo entre o Brasil e o restante do mundo.

Petróleo & Energia, Rio Oil & Gas: Geopolítica do petróleo sinaliza novos desafios para a indústriaPoder jovem – Com esse intuito, foram convidados para participar das plenárias e palestras previstas durante o evento (uma de cada, por dia) representantes das principais organizações do setor de energia no mundo, como o diretor-chefe da Agência Internacional de Energia (IEA), Fatih Birol, e o presidente do Conselho Mundial de Petróleo (World Petroleum Council – WPC), József Toth.

“Preparamos novidades para o evento deste ano, como os almoços-palestra, e ampliamos algumas atividades que foram sucesso em outras edições, como o Fórum de Sustentabilidade e o Profissional do Futuro”, acrescenta Milton Costa Filho, secretário-geral do IBP.

A formação dos profissionais do futuro é uma das prioridades de Costa Filho que, durante o congresso anual do WPC, realizado em junho passado, em Moscou (Rússia), foi eleito vice-presidente de Youth and Gender (Juventude e Gênero), responsável pela definição das estratégias e atividades relacionadas ao tema na entidade.

Costa Filho deverá divulgar na ROG uma das mais recentes conquistas do IBP: a escolha do Brasil para sediar, pela primeira vez, o WPC Youth Forum, evento dedicado aos estudantes e jovens profissionais até 35 anos. Marcado para março de 2016, no Rio de Janeiro, será organizado pelo IBP em parceria com o Comitê Nacional Brasileiro (CNB) do WPC. A última edição do Youth Forum aconteceu em 2013, em Calgary (Canadá), e promoveu um debate sobre inovação tecnológica, sustentabilidade e liderança empresarial.

Geopolítica em debate – Em paralelo à feira, que tem cerca de 1.300 expositores, o congresso tem uma programação ampla, com sessões técnicas nas quais serão apresentados 651 trabalhos, divididos em sete blocos temáticos: Exploração & Produção; Gás Natural e Energia; Abastecimento e Petroquímica; Biocombustíveis; SMS & Responsabilidade Social; Regulação, Direito e Economia; e Gestão e Cenários da Indústria.

A programação dos quatro dias de conferência prevê ainda 18 painéis, quatro palestras e quatro plenárias. Diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Magda Chambriard vai discorrer sobre “Os Desafios do Brasil na Próxima Década” ao proferir a palestra de abertura da ROG 2014.

Encerrando o primeiro dia de trabalhos, o presidente do WPC József Tóth comandará a plenária “Óleo e Gás: Perspectiva da Autossuficiência Norte Americana, o Aumento de Consumo na Ásia e as Consequências na Geopolítica Energética Mundial”. O debate reunirá, ainda, o economista chefe e diretor de Economia Energética Global do IEA, Fatih Birol, e do vice-presidente de Exploração para Upstream Américas da Shell, Mark Shuster.

A petroleira anglo-holandesa Shell dominará os eventos mais concorridos do primeiro dia, patrocinando o almoço-palestra, no qual o vice-presidente executivo comercial, desenvolvimento de novos negócios e gás integrado do portfólio Upstream para as Américas Jorge Santos Silva falará sobre “Determinantes de Interesse Comercial para Investimentos em Petróleo e Gás”.

Nos outros dias, os almoços-palestras têm o patrocínio e apresentações de petroleiras e entidades, com o vice-presidente sênior para as Américas – E&P da francesa Total, Ladislas Paszkiewicz, falando sobre os Desafios na Exploração da Margem Equatorial (dia 16), e o diretor de E&P da Petrobras, discorrendo sobre o Pré-Sal Brasileiro – O Papel da Tecnologia no Crescimento da Produção (dia 17). O ‘prato principal’ do último dia serão os Novos Contratos do Pré-sal e a Consolidação do Regime de Partilha, tema da palestra do diretor-presidente da PPSA Oswaldo Pedrosa Junior.

Competitividade da indústria de óleo e gás no Brasil, o uso de novas tecnologias na exploração em águas profundas, a consolidação do modelo de partilha no pré-sal, a importância do gás natural na matriz energética brasileira, as perspectivas de exploração não convencional, biocombustíveis e desafios socioambientais nas atividades desse setor são alguns dos temas dos 18 painéis que se realizarão no congresso, que tem mais de quatro mil inscritos.

Petróleo & Energia, Reis: Firjan apoia capacitação de pessoal e avanço tecnológico
Reis: Firjan apoia capacitação de pessoal e avanço tecnológico

Indústria quer reforçar posição – Competitividade e produtividade são as palavras de ordem da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), que vai levar uma pauta ampla para a ROG 2014. “O Sistema Firjan é expositor na Rio Oil & Gas desde as primeiras edições do evento, tendo em vista a importância do setor offshore para o estado do Rio de Janeiro, responsável por 72% da produção de petróleo do país”, destaca Alexandre dos Reis, diretor de relações com o mercado do Sistema Firjan.

Ele pontua que o papel da federação industrial é contribuir com o desenvolvimento do estado fluminense, atuando como parceiro estratégico das empresas locais, ao longo de toda a cadeia produtiva de petróleo e gás. “Envidamos esforços na oferta de soluções tecnológicas e de qualificação profissional adequada às exigências desse mercado, por isso vamos levar para a Rio Oil & Gas um portfólio muito alinhado com as reais demandas dessa indústria”, frisa o dirigente.

Segundo ele, o estande foi estruturado para destacar as atividades do Serviço Social da Indústria (Sesi) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai),para mostrar de que forma todos podem contribuir para a capacitação profissional e industrial não só do mercado offshore, mas também de toda a cadeia produtiva.

“Vamos destacar nossas competências tecnológicas reunidas em três centros que atuam nas linhas de Automação e Simulação; Ambiental; e União de Materiais. Além disso, daremos um enfoque em saúde e segurança do trabalho, como forma de evitar acidentes, que por muitas vezes acarretam paradas de produção e perda de produtividade”, detalha Reis.

O principal objetivo dessa participação é mostrar como o Sistema Firjan trabalha nas questões estratégicas dessa indústria. “A Rio Oil & Gas é uma excelente oportunidade para fortalecer nosso relacionamento com os principais players do setor, acompanhar as tendências do mercado e as novidades apresentadas pelas empresas locais e globais. Por isso vamos ocupar todos os espaços que nos cabem, da Feira ao Congresso, nas Rodadas de Negócios e no Projeto Profissões de Futuro”, conclui Reis.

Petróleo & Energia, Musso: competitividade deve orientar a política industrial
Musso: competitividade deve orientar a política industrial

Rodada gigante de negócios – Superar os números da última edição da Rio Oil & Gas, quando a rodada gerou uma expectativa de negócios de R$ 152,8 milhões. É com essa expectativa que trabalha a Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), que com o Sebrae promove o evento que reúne empresas da cadeia produtiva, de operadoras a fornecedores de bens e serviços.

“Teremos este ano a maior rodada de negócios já realizada pela Onip em edições da ROG, com 32 empresas-âncoras”, afirma Bruno Musso, superintendente da organização, detalhando outras ações da entidade que serão destacadas durante a ROG.

“Vamos intensificar as ações do MultiFor, programa da Onip voltado ao desenvolvimento de fornecedores que reúne uma série de iniciativas, levando alguns exemplos de conquistas consolidadas, como o convênio firmado com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), com foco nos segmentos de navipeças e subsea, com o objetivo de aumentar o conteúdo local através de parcerias com empresas estrangeiras”, cita Musso.

Segundo ele, a parceria com a Apex visa oferecer ao mercado um canal para aproveitar o interesse de fornecedores de outros países pelo mercado brasileiro, mas com foco no desenvolvimento e participação da indústria nacional. “Vamos apresentar o projeto para potenciais interessados durante a ROG”, antecipa.

A Onip também pretende dar maior visibilidade ao CadFor, principal cadastro de fornecedores utilizado pelas companhias de petróleo com projetos no Brasil, além de grandes empresas do setor. Atualmente as empresas-membro do CadFor são Anadarko, BG Brasil, BP, BW Offshore, FMC Technologies, Modec, Repsol-Sinopec, SBM, Schlumberger, Shell, Statoil, Teekay e Total. E também vai fazer uma apresentação do projeto Platec (Plataformas Tecnológicas), voltado ao desenvolvimento de tecnologia no Brasil.

Analisando o cenário atual, Bruno Musso afirma que não se pode trabalhar com foco no curto prazo. “Temos pela frente todo o desenvolvimento de campos gigantes do pré-sal, além de outras áreas importantes, que representam oportunidades para 10 a 20 anos”, salienta o superintendente.

Ele frisa que é preciso insistir no desenho de uma política industrial específica para o setor petróleo que considere a “agenda da competitividade”, fruto de um estudo coordenado pela entidade em 2010. “A história da indústria do petróleo é marcada pela superação de desafios e dificuldades, é preciso considerar o atual momento sob esta perspectiva, que é positiva para nós”, conclui Musso.

De vento em popa – Sem estande na feira, a Associação Brasileira das Empresas de Construção Naval e Offshore (Abenav), recém-saída da Navalshore, realizada ano Rio um mês antes da ROG, pretende aproveitar a feira offshore para reforçar contatos.

“Para a Abenav é um excelente meio de ganhar visibilidade dentro do mercado offshore, além de uma ótima oportunidade para promover a indústria nacional e dinamizar as relações entre clientes, stakeholders e fornecedores de âmbitos nacional e internacional”, comenta Augusto Mendonça, presidente da entidade.

Segundo ele, o país vive um momento privilegiado em sua história no setor de óleo e gás, que continua tendo grande impacto no Produto Interno Bruto (PIB), com previsões de aumentar e até duplicar sua participação na economia nacional.

“O Brasil continua sendo um dos principais países que vêm recebendo investimentos do setor e a exploração da camada pré-sal é um catalisador de uma série de projetos que estimularão praticamente todos os setores da economia brasileira, atraindo também a participação de novos e grandes players”, afiança o dirigente.

Petróleo & Energia, Muller chama a atenção para a falta de projetos em terra
Muller chama a atenção para a falta de projetos em terra

Menos otimista – É assim que se mostra Antonio Muller, presidente da Associação Brasileira de Engenharia Industrial (Abemi), destacando que mais além do pé-sal e do pós-sal, há muito ainda a fazer em terra firme, na exploração das bacias terrestres.

“A nossa grande preocupação é a falta de empreendimentos no segmento onshore de óleo e gás, pois um número expressivo de empresas associadas tem forte capacitação na área de projeto em engenharia”, destaca o dirigente, reiterando a necessidade de estruturação de uma política industrial que tenha como pilar o fortalecimento da engenharia industrial brasileira, a fim de aumentar a competitividade do setor. É para reforçar essa discussão que a Abemi vai à ROG com um estande na área das associações, no qual vai destacar projetos executados, aspectos da tão propalada questão da produtividade e de qualificação profissional. “O principal objetivo da Abemi neste evento é propiciar aos seus membros a oportunidade de promover, por meio de parcerias, aporte de tecnologia para o segmento de óleo e gás”, conclui Muller.

Mais incisivo e pessimista, José Velloso Dias Cardoso, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), pretende, acima de tudo, apresentar na ROG “a indignação do setor de máquinas, equipamentos e navipeças com relação à sua participação no setor de óleo e gás”.

“O conteúdo local continua sendo muito baixo nestes setores”, critica. “Os estaleiros se apropriaram de todos os benefícios concedidos, ampliando sua margem de lucro, e não repassando os benefícios para a cadeia local”, afirma, citando dados de um levantamento da Abimaq que apurou os gastos do setor naval e offshore nos últimos três anos.

De acordo com Velloso, o estudo mostra que o País importou US$ 141 bilhões em máquinas, peças e embarcações. Os dados referentes às importações beneficiadas pelo regime especial de tributação Repetro são da Receita Federal, obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação.

Somente em 2013, um total de US$ 35 bilhões foram gastos em embarcações, entre navios de apoio e plataformas para o mercado de óleo e gás offshore. Segundo a entidade, apesar de os investimentos da Petrobrás em exploração e produção terem crescido mais de 509% em dez anos, a indústria local de peças e equipamentos navais viu menos de um décimo desse índice, registrando alta de apenas 41% na sua produção.

“O nosso setor fatura R$ 80 bilhões por ano. A Petrobras, sozinha, investe anualmente em torno de R$ 40 bilhões, mas vendemos apenas entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões para essa indústria. Esses números indicam que o conteúdo local fica restrito a soldas de chapa e pintura, mas o recheio dos navios, que gera valor agregado, é importado”, calcula Velloso.

“Só temos uma indústria de casco. Se os benefícios acabarem, o setor não se mantém, pois não tem consistência, não tem capacidade e competitividade para vender uma embarcação completa para o exterior, é uma indústria subsidiada. E os elos da cadeia produtiva naval não foram beneficiados e estão fragilizados”, conclui o dirigente.

Estrangeiros a postos – Dois países com forte atuação no setor offshore, em águas profundas, vão levar a expertise de suas empresas para os pavilhões internacionais. Um deles é a Noruega, uma das 15 maiores produtoras de petróleo do mundo, no ranking que inclui também os países da Opep, vindo logo em seguida ao Brasil (que praticamente divide o 12º lugar com a Nigéria).

Organizado pela Innovation Norway, Agência de Promoção do Governo da Noruega, que dá suporte às companhias daquele país que buscam se estabelecer no Brasil ou firmar parcerias locais, o Pavilhão da Noruega abrigará mais de 20 empresas, entre elas a petroleira Statoil.

Uma das companhias petrolíferas com forte expertise em águas profundas e altíssimo grau de aplicação de novas tecnologias submarinas na exploração e produção de petróleo offshore, a Statoil tem dado suporte à cadeia produtiva para expandir suas atividades além das fronteiras.

Até porque a petroleira norueguesa precisa dessas tecnologias nos países onde atua, principalmente nas Américas, nas quais vem reforçando sua posição no mar e até em terra firme (nos Estados Unidos). No Brasil, já é a terceira maior produtora de óleo e gás, com uma produção diária em torno de 75 mil barris de óleo equivalente (boe).

Além de Peregrino, o principal projeto em produção, a norueguesa tem três ativos em exploração em águas rasas e profundas nas bacias de Campos, oito na do Espírito Santo e um na de Jequitinhonha. A empresa tem planos de incrementar os números de sua produção nos próximos anos.

Essa é a mesma expectativa das fornecedoras de bens e serviços de pequeno, médio e grande portes que se apresentarão na ROG. “O Brasil sempre foi um mercado de grande importância para a Noruega”, afirma a gerente de projetos da Innovation Norway, Renata Costa Prado.

Ela salienta que as empresas norueguesas estão comprometidas com o mercado brasileiro, buscando construir e manter sólidas parcerias no país. “O momento atual pode apontar certas restrições, porém a indústria está em constante desenvolvimento”, diz ela, lembrando que o setor de petróleo é crucial para o desenvolvimento econômico do Brasil e que, até 2017, há previsão de investimentos totais de R$ 458 bilhões nesse segmento.

De olho nestas oportunidades, o pavilhão norueguês vai abrigar não somente fornecedoras de bens e serviços já estabelecidas no mercado, como também pequenas e médias empresas (PME) que buscam oportunidades no país.

“O Brasil apresenta conjuntura favorável para desenvolvimento tecnológico e formação de parcerias. Durante a ROG, as empresas tendem a prospectar clientes e também considerar possíveis parcerias”, conclui Renata.

Força britânica – Com o mesmo objetivo, o United Kingdom Trade and Investment (UKTI), departamento de comércio e investimento internacional do Consulado Britânico do Rio de Janeiro, está preparando uma ampla programação para as empresas do Reino Unido que participarão da ROG.

Há algumas edições o UKTI participa da feira como parceiro da empresa britânica Subsea UK e do grupo Energy Industry Council (EIC), uma associação que presta suporte às companhias de energia do Reino Unido que realizam negócios internacionais e que organiza o Pavilhão Britânico.

“A Subsea UK é uma entidade especializada em engenharia e construção submarina e terá um estande separado, no qual abrigará nove empresas especializadas na área submarina”, explica Matt Woods, cônsul-adjunto do Reino Unido no Rio de Janeiro e chefe do UKTI Rio.

Segundo ele, a UKTI vai dar suporte às quase 60 empresas britânicas que visitarão a feira. “No dia 15, organizamos um seminário sobre Oportunidades com Grandes Empreiteiros no Brasil e uma recepção, à noite, no hotel Windsor Barra. Nosso objetivo é promover o networking entre empresários britânicos e brasileiros e gerar oportunidades de negócios entre os dois países”, detalha.

Matt Woods observa que, no Brasil, e especificamente no setor de óleo e gás, perspectivas de longo prazo e relações pessoais são aspectos muito importantes do processo de fazer negócios. “É importante também notar que a magnitude do mercado brasileiro permite que as empresas britânicas analisem o potencial de investimento por aqui calmamente, já que estas companhias são detentoras de tecnologia e possuem grande potencial no setor de óleo e gás brasileiro”, avalia.

De acordo com o chefe do UKTI, ainda que fechar negócios no curto prazo seja mais difícil hoje do que foi há alguns anos, a recuperação do mercado é certa. “Quando esse momento chegar, as empresas britânicas que investiram em projetos, parcerias e relacionamento no Brasil terão grande destaque”, afiança.

Por isso, as empresas britânicas participam das principais feiras do setor para prospectar clientes ou eventuais parceiros para atender exigências de conteúdo local. “É sabido que conteúdo local é um fator importante e há um número expressivo de empresas britânicas buscando parcerias estratégicas ou já se estabelecendo no mercado brasileiro. Porém, ainda há espaço para equipamentos e serviços importados, além de mão de obra qualificada nos projetos de óleo e gás: muitas empresas estão buscando identificar essas oportunidades também”, conclui Woods.

Singapura – Líder mundial na construção de plataformas do tipo jack-up (unidades fixas como a do campo de Mexilhão, na bacia de Santos) e conversão de FPSOs, assim como um importante competidor na construção de plataformas semissubmersíveis e em reparo naval, Singapura participa pela primeira vez da Rio Oil & Gas.

O pavilhão do país asiático, organizado pela Associação das Indústrias Marítimas de Singapura e pela International Enterprise Singapore (IE Singapore), agência de oficial de fomento do país para o exterior, contará com a presença de dez empresas com grande expertise na área de petróleo e gás, naval e offshore, navipeças e serviços de engenharia.

Entre os expositores está o grupo Jurong, muito conhecido no Brasil: o Estaleiro Jurong Aracruz, no Espírito Santo, foi contratado pela Sete Brasil para produzir sete sondas e pela Petrobras, para construção e integração de duas FPSOs (P-68 e P-71), parte do pacote das oito replicantes.

Sob comando da jovem diretora Valenrina Soo há nove meses, o escritório da IE Singapore em São Paulo, que atende a maior parte da América Latina, tem o objetivo de promover investimentos e a internacionalização das empresas daquele país, que busca ser um parceiro estratégico do Brasil na área de óleo e gás.

Polônia reforça participação – Além do Pavilhão da Polônia, que trará empresas dos setores de petróleo e gás, naval e offshore (incluindo navipeças), o governo polonês reforçou a participação do país em eventos brasileiros desta cadeia produtiva.

No último dia da feira, promove na sede da Associação Comercial do Rio de Janeiro uma conferência que visa apresentar o potencial da economia polonesa e as possibilidades de cooperação de empresas daquele país com parceiros brasileiros. O evento reunirá, além de autoridades e empresários, especialistas das indústrias petrolífera, naval e offshore e de energia eólica, que falarão sobre as perspectivas do desenvolvimento do setor de petróleo e gás natural na Polônia.

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