Rio Oil & Gas – Economia estável e pré-sal atraem fornecedores globais

O fato é que as expectativas da indústria internacional dessa cadeia produtiva, concentrada majoritariamente no Hemisfério Norte Ocidental e na Ásia, voltam-se agora para abaixo da linha do Equador, no Atlântico Sul, onde o Brasil vem consolidando seu status de país|produtor de petróleo, devendo tornar-se exportador líquido já no próximo ano. Expectativa confirmada pela Agência Internacional de Energia (AIE), que destacou em seu relatório mensal, divulgado no dia 14 de setembro, que “2011 será o primeiro ano do Brasil como exportador líquido de petróleo, embora volumes mais significativos só devam ficar disponíveis para o mercado mundial nos anos seguintes”.

Novos leilões – Os atrativos são inúmeros: o início da exploração e produção nos campos do pré-sal, na Bacia de Santos; a aceleração dos projetos de desenvolvimento de blocos nessa área e em outras novas fronteiras; os US$ 224 bilhões em investimentos da Petrobras para 2010-2014 com vistas a mais que dobrar a produção brasileira, para superar os 5 milhões de barris em 2020. A cereja do bolo foi colocada pelo diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), Haroldo Lima, na abertura da Rio Oil & Gas. “Ainda neste ano, depois das eleições, poderemos ter condições de apresentar o edital da 11ª rodada de licitações, que pode acontecer no começo de 2011”, revelou.

O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia (MME), Marco Antônio Martins Almeida, amargou o assunto ao frisar que deverão ser licitadas apenas áreas terrestres e em águas profundas na margem equatorial brasileira (bacias de Pernambuco-Paraíba, Pará-Maranhão e Foz do Amazonas). Segundo ele, áreas em águas rasas de Campos, Santos e Espírito Santo (maiores produtores), enquanto houver pendências em relação à legislação ambiental do setor, que deve sofrer alterações não só no Brasil, mas também no exterior, devido ao acidente do Golfo do México, estarão fora da disputa.

Mas ele salvou o dia ao anunciar que as áreas de águas profundas das maiores bacias brasileiras (incluindo as três maiores produtoras, por onde se estende a chamada camada do pré-sal) entrarão no primeiro leilão do pré-sal, no qual será ofertada a área de Libra, com 8 bilhões de barris de petróleo. No leilão do pré-sal, que depende ainda da aprovação do novo marco regulatório no Congresso, leva o prêmio o consórcio que oferecer mais petróleo para a Pré-Sal Petróleo S.A., estatal criada para representar o governo nos contratos de partilha.

E com a expectativa de que os dois leilões sejam realizados no primeiro semestre do próximo ano, a Rio Oil & Gas foi encerrada, no dia 16, com a participação do diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, que fez um breve pronunciamento sobre os próximos desafios da estatal, envolvendo a capitalização (concluída uma semana depois). Foi ele quem colocou o assunto refino na pauta da feira, ao declarar, no segundo dia do evento (14), que, para fazer frente ao aumento da produção, as refinarias projetadas pela Petrobras poderiam ser antecipadas.

Ele também afirmou que um dos maiores desafios da indústria é a formação de recursos humanos para atender ao aumento acelerado da demanda por mão de obra qualificada, tema retomado pela gerente-executiva de Exploração e Produção da Petrobras, Solange Guedes, reforçando a necessidade de a indústria de óleo e gás atrair novos talentos, traçando ainda um panorama do setor até 2030, na plenária final da feira. Perspectiva complementada pelo diretor de Mercados de Energia e Segurança da Agência Internacional de Energia (IEA), Didier Houssin, que falou sobre o cenário energético mundial, no qual a demanda por petróleo deverá crescer cerca de 1,9 milhão de barris por dia neste ano e mais 1,3 milhão de barris por dia em 2011, prevendo que esse crescimento será atendido principalmente por países de fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Marcando posição– A afi rmação de que o mundo terá novas fontes de petróleo nos próximos anos, fora da Opep, foi entendida por muitos como uma indicação de que o Brasil já começou a galgar caminhos para ingressar no clube dos exportadores, respaldado nas reservas descobertas até agora no pré-sal, que, com a área de Libra, somariam mais de 20 bilhões de barris ainda a extrair. As descobertas nesse e em outros cenários já conhecidos, como as feitas pela OGX e a Petrobras na Bacia de Campos, e a necessidade de monetizar essas reservas implicam, acima de tudo, acelerar o desenvolvimento desses campos o mais rápido possível, assim como alavancar outros projetos dessa cadeia produtiva, como as refinarias, malha de dutos, sistemas de processamento e liquefação de gás etc.

Petróleo & Energia, Paulo Esteves, diretor-comercial da Solaris, Rio Oil & Gas - Economia estável e pré-sal atraem fornecedores globais|
Paulo Esteves oferece plataformas para grandes construções

Com essa demanda certa de produtos de alta tecnologia e serviços qualificados, além, é claro, de investidores e parceiros que arquem com os riscos inerentes a essa atividade, a Rio Oil & Gas abriu as portas para mostrar o que essa cadeia produtiva global de fornecedores tem a oferecer para um mercado em expansão, porém com gargalos evidentes em diversos segmentos, principalmente na área offshore, em que os desafios são maiores. Novidade ou não, o que se viu na feira foi alta tecnologia em exposição e uma disputa acirrada para garantir uma posição de destaque nessa vitrine.

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