Rio Oil & Gas 2012 – Expectativa com novos leilões garante o sucesso da feira

A Rio Oil & Gas 2012 começou efetivamente no dia 18 de setembro, quando foi anunciada pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, a aprovação da presidente Dilma Rousseff para a 11ª rodada de licitação de áreas exploratórias, depois de quatro anos de jejum. Na prática, o segundo maior evento mundial do setor, realizado no Rio de Janeiro, foi inaugurado no dia 17 por alguns dirigentes do setor, mas sem a presença do citado ministro, nem a do governador do Rio de Janeiro e sem o clima de exaltação em torno do pré-sal e ou do volume de investimentos previstos para os próximos anos, como nas edições anteriores.

Na abertura da ROG, a diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Magda Chambriard, parecia até antecipar o anúncio do leilão de maio, de áreas terrestres e no pós-sal (onde está a maior parte da produção, nas bacias de Campos e Espírito Santo), quando destacou o potencial petrolífero de outras bacias. “A ANP tem realizado estudos por todo o país, nos quais detectou o enorme potencial de petróleo e gás, convencional e não convencional, em nossas bacias”, afirmou Chambriard, lembrando as recentes descobertas na margem equatorial brasileira.

Com o anúncio da 11ª Rodada, que licitará 87 blocos onshore e 87 offshore na região denominada Margem Equatorial, durante o segundo dia da feira, os principais representantes da cadeia produtiva de petróleo e gás começaram a ter melhores expectativas de negócios para os próximos anos. Isso porque, sem leilões desde 2008, o país não vinha atraindo tantos investidores. O que ocorreu nestes quatro anos foi a negociação de ativos por farm in/farm out entre empresas do setor, que possibilitaram a entrada de alguns novos players.

O resultado final não poderia ser melhor para o Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), que comemorava 30 anos desse duplo evento, realizado a cada dois anos: a 16ª edição da Rio Oil & Gas recebeu, em quatro dias, mais de 53 mil visitantes, enquanto a conferência registrou 4.400 congressistas, que acompanharam de perto a apresentação dos trabalhos inscritos (cerca de 600 foram aprovados).

Mesmo longe dos números do maior evento do setor, a Offshore Technology Conference (OTC), realizada anualmente em Houston e que teve quase 90 mil visitantes na edição de maio deste ano, a ROG 2012 foi considerada “histórica” e a “melhor de todos os tempos” pelo presidente do IBP, João Carlos de Luca, que reconheceu o desânimo inicial. “No primeiro dia, a sensação era a de que a indústria estava voando e o anúncio do piloto era: ‘senhores tripulantes, preparados para o pouso’. O sentimento agora é: ‘portas em automático, vamos decolar’”, afirmou o dirigente na solenidade de encerramento do evento, no dia 20.

“É este o sinal que queríamos ter do governo. Um sinal extremamente positivo”, afirmou Carlos de Luca para um auditório lotado, que aguardava um pronunciamento da presidente da Petrobras, Maria das Graças Silva Foster, ausente na solenidade de inauguração, a despeito de a programação oficial indicar que ela comandaria a primeira plenária da ROG, sobre o Papel da Indústria do Petróleo na Promoção do Desenvolvimento Econômico Sustentável.

Metas e prazos devem ser cumpridos – Substituindo Foster no primeiro dia, o diretor Financeiro e de Relações com o Investidor, Almir Barbassa, chegou a ouvir do secretário do Ministério de Minas e Energia, Marco Antonio Almeida, que a rodada de licitações de petróleo dependia de projeto de lei. No dia seguinte, veio a liberação de Dilma Rousseff.

Para alguns, Graça Foster esperava esse sinal verde para então comparecer ao evento, pois ela manifestara recentemente que a petroleira brasileira precisava renovar seu portfólio. Trata-se de mudança substancial de posição em relação a fevereiro deste ano, ao assumir a presidência da Petrobras, quando afirmou que a companhia “não via necessidade de uma rodada de licitações de blocos tão cedo”.

Graça Foster foi mais longe, no dia 19, quando foi a Brasília para participar de audiência pública conjunta das comissões de Fiscalização Financeira e Controle (CFFC) e de Minas e Energia (CME) da Câmara dos Deputados. Ela afirmou, então, que a companhia não terá problemas de caixa para disputar áreas nos próximos leilões (um deles, de áreas no pré-sal, previsto para novembro de 2013).

Petróleo & Energia, Maria das Graças Silva Foster, Presidente da Petrobras, Rio Oil & Gas 2012 - Expectativa com novos leilões garante o sucesso da feira
Graça Foster: preocupada com as metas de produção

No encerramento da Rio Oil & Gas, a dirigente da estatal optou por falar dos projetos em andamento e do compromisso de atingir metas de produção. “Tudo na Petrobras gira em torno desta curva de produção. É a nossa prioridade”, reiterou. Em sua apresentação, similar à da divulgação do plano de negócios da companhia, ela ressaltou que atrasos não serão tolerados, mas amenizou: “vamos seguir com o passo de acordo com o que a nossa indústria pode dar”.

Para o presidente do IBP, João Carlos de Luca, a cadeia produtiva de óleo e gás está apta a dar resposta a este novo impulso. Otimista, o dirigente previu que essa rodada poderá atrair investimentos de mais de US$ 1 bilhão. E complementou: “ainda que a realização desses leilões dependa do equacionamento da questão dos royalties, o anúncio mostra o reconhecimento e o alinhamento do governo com as necessidades do setor”.

Rodadas para todos os gostos – Se os números da feira são recordes, o mesmo não se pode dizer da rodada de negócios da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), que gerou uma expectativa de R$ 152,8 milhões. Um volume bem aquém do registrado na 15ª edição da ROG (2010), que foi de R$ 438 milhões, mas que incluía a expectativa de negócios da rodada internacional (R$ 300 milhões), realizada pela primeira vez naquele ano.

Se comparado apenas à rodada tradicional da edição anterior, da ordem de R$ 138 milhões, houve crescimento de quase 11% (abaixo dos 16% registrados em 2010, em relação a 2008). O que reflete o achatamento do mercado, que teve não somente uma queda na demanda por bens e serviços como também redução de valores de contratos.

Petróleo & Energia, João Carlos de Luca, Presidente do IBP, Rio Oil & Gas 2012 - Expectativa com novos leilões garante o sucesso da feira
Luca: feira foi a melhor de todos os tempos

Em vez da rodada internacional, a Onip promoveu um “Encontro Joint Venture”, que realizou 34 reuniões entre 17 companhias nacionais e 13 estrangeiras, de países como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Argentina, Itália e França. Mas não houve anúncio de volumes de negócios esperados desse encontro, que tem o objetivo de reunir empresas estrangeiras e nacionais para a troca de tecnologias.

A Onip vai realizar pesquisas a cada seis meses, até completar um ano, para saber quais negócios foram, de fato, consumados em todas as rodadas. Segundo Bruno Musso, da Onip, 84% das empresas participantes acreditam que os negócios acordados serão concretizados. “Aquelas que já participaram de rodadas anteriores chegaram a ter um aumento de 25% em seus negócios”, revelou.

A falta de expectativas da cadeia produtiva era visível no primeiro dia. Mas tudo mudou com o anúncio do leilão da ANP, possibilitando um saldo positivo deste encontro de negócios, que somou 662 reuniões, entre 32 empresas âncora e 238 companhias fornecedoras de produtos e serviços para o setor de óleo e gás – contra 596 reuniões entre 27 empresas âncoras e 233 fornecedoras em 2010.

Entre as empresas âncoras estavam petroleiras como BP Energy, Chevron, Petrobras, Petro Recôncavo e Repsol, além de gigantes como Aker Solutions, AkzoNobel, Alusa, Delp, Estaleiro Mauá, Estaleiro Eisa, EBR – Estaleiros do Brasil, FMC, GE Oil & Gas, GE Energy, GE Wellstream, Mendes Júnior, Mills, Norskan – DOF Subsea, OSX, Orteng, Saipem, Sete-Brasil, STX, Sotreq, Technip, Tomé Engenharia, Transpetro, Transocean, Wärtsilä Brasil, UTC, Vanasa Multigas.

“Para esta edição reunimos grandes fabricantes e procuramos diversificar em relação às MPE (médias e pequenas empresas), com o intuito de dar mais oportunidades às empresas menores”, explicou Musso, agregando que havia representantes de empresas de 16 estados. Todas tinham que estar inscritas no Convênio Petrobras- Sebrae e cadastradas na Onip – ou ainda pertencer a uma Rede Petro.

Ninguém entendeu o que fazia a Chevron como âncora, uma vez que suas atividades no país estão praticamente paralisadas e se restringem à contenção do óleo que vazou no campo de Frade, na Bacia de Campos. E a presença massiva do grupo GE, com três divisões, mostrou também que ele vai continuar sua estratégia agressiva de ampliar a participação em todos os segmentos da exploração e produção de petróleo offshore.

Parcerias estratégicas– Outra novidade deste ano foi a Rodada Tecnológica, realizada no primeiro dia da feira, que reuniu empresas fornecedoras, universidades, agentes financiadores e centros de tecnologia. De acordo com o superintendente da Onip, Carlos Soligo Camerini (com longa trajetória na Petrobras, onde atuou em diversas áreas), o objetivo dessa iniciativa é avaliar a performance de projetos de aumento do conteúdo local identificados no Programa de Plataformas Tecnológicas (Platec), uma ação conjunta entre Onip e IBP.

Petróleo & Energia, Rio Oil & Gas 2012 - Expectativa com novos leilões garante o sucesso da feira
Ferreira comemorou contrato de R$ 2,28 bi com a Petrobras

“O objetivo principal é aumentar o conteúdo nacional em projetos de barcos de apoio, FPSO, entre outros, por meio de parcerias estratégicas”, destacou Camerini, explicando que a iniciativa tem apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). “Dos 130 projetos do Platec em andamento, 35 foram analisados nesse encontro. Agora estamos avaliando as dificuldades existentes em relação aos projetos analisados. Há produtos já em fabricação e que serão usados nos navios replicantes da Petrobras”, conclui o superintendente da Onip.

Aspectos tecnológicos – Ainda que continue sendo a grande vitrine de produtos e serviços da cadeia produtiva de óleo e gás para players do setor e fornecedores do mundo inteiro, a Rio Oil & Gas deste ano teve uma forte orientação técnica, tanto na conferência como nos estandes, nos quais foram realizados workshops, palestras, seminários e demonstrações de soluções tecnológicas.

Com isso, os organizadores da ROG buscam reforçar seu caráter mais técnico, até mesmo para não perder espaço para a Offshore Technology Conference (OTC), maior feira e fórum técnico desse setor no mundo, que será realizada pela segunda vez no Brasil – único país do mundo a ter um evento com essa marca. A OTC Brasil, que também acontecerá a cada dois anos (nos intervalos da ROG), e que agora passou a contar com o apoio do IBP, a única instituição do board do evento que não está sediada nos Estados Unidos.

Prova desse alinhamento é que o evento brasileiro seguiu o mesmo mote da OTC 2012, realizada em maio, em Houston, tendo entre os temas centrais das sessões plenárias a segurança operacional e o impacto ambiental das atividades de exploração e produção offshore, com um painel especial sobre proteção dos oceanos. Além dessas questões, aspectos técnicos como reservatórios não convencionais, produção de óleo pesado, novas fronteiras exploratórias em terra e no mar, revitalização de campos maduros onshore e offshore e desenvolvimento da produção no pré-sal também estiveram na pauta do evento.

Outros assuntos abordados se referem aos desafios dos grandes empreendimentos, parque de refino e petroquímico, mercado de gás e liquefação, shale gás, biocombustíveis e a nova geração de etanol, desenvolvimento tecnológico na indústria, e ainda, aspectos regulatórios e de financiamento da cadeia produtiva. Com vários painéis concentrados no período da tarde, mesmo horário em que a feira estava aberta a visitantes, era preciso se programar para acompanhar mais de um tema por dia.

Empresas anunciam contratos – Pela primeira vez em muitos anos, as companhias petrolíferas optaram por uma presença quase silenciosa na ROG, enquanto aguardam os leilões para renovar seu portfólio de ativos. Coube aos fornecedores dar o tom das expectativas do mercado:

GE– Quem tinha bons contratos ou projetos em implantação com a Petrobras aproveitou para destacar seus trunfos. Foi o caso da GE, que no mesmo dia em que o governo federal divulgava nova rodada de licitações, anunciou contrato recorde de R$ 2,28 bilhões com a Petrobras. “É o maior contrato do mundo para fornecimento de cabeças de poço”, exultava o presidente e CEO da GE Oil & Gas para a América Latina, João Geraldo Ferreira.

Petróleo & Energia, Rio Oil & Gas 2012 - Expectativa com novos leilões garante o sucesso da feira
Barbassa: secretário afirmou que rodada dependia de projeto de lei

Ele frisou que o negócio, no valor de US$ 250 milhões, contempla cerca de 380 sistemas de cabeças de poço e ferramentas de instalação, e é fruto do investimento contínuo da empresa no Brasil, dando suporte ao crescimento do mercado e habilitando a empresa a contratos deste porte.

Mais de 75% das peças serão feitas no Brasil, na unidade de Jandira-SP, na qual a GE investiu US$ 30 milhões para ampliar a capacidade de produção. Outros US$ 200 milhões estão sendo alocados na expansão da unidade de linhas flexíveis em Niterói-RJ, para atender os novos campos do pré-sal. Em junho deste ano, a empresa concluiu a ampliação de sua planta em Macaé-RJ, triplicando o tamanho das instalações, que consumiram investimentos da ordem de US$ 32 milhões para se tornar uma das mais modernas bases de serviços de sistemas submarinos da GE Oil & Gas.

Outras divisões do grupo participaram da feira e da rodada de negócios, como a GE Power Conversion, que mostrou um amplo portfólio de soluções, entre os quais o sistema de posicionamento dinâmico de plataformas para sondas e plataformas de perfuração, similar aos dos navios-aliviadores.

FMC – Com o slogan “Trocando água por óleo”, a FMC Technologies optou por destacar o que já entregou e está prestes a entrar em operação: o Separador Submarino Água-Óleo (SSAO), protótipo submarino com tecnologia mais avançada já produzido pela indústria de petróleo, desenvolvido em parceria com a Petrobras, que recebeu o prêmio “Spotlight on New Technology” da OTC – Offshore Technology Conference este ano.

Instalado no campo de Marlim, na Bacia de Campos, a 876 metros de profundidade, o SSAO deverá equacionar um dos grandes desafios da indústria offshore brasileira: aumentar a produtividade de óleo pesado, reduzindo custos, uma vez que faz a separação de água, óleo, gás e areia, no fundo do mar. Com29 metrosde comprimento,8,5 m de largura por 8,5 m de altura e pesando 407 toneladas, o SSAO foi instalado no início do ano e conectado à plataforma P-37 pela Petrobras, que conclui o comissionamento para colocá-lo em operação definitiva. O sistema tem capacidade para processar 22 mil barris de óleo e gás equivalente por dia (boed) – volume total do fluido antes da separação.

Petróleo & Energia, Nelson Leite, Presidente da FMC CBV, Rio Oil & Gas 2012 - Expectativa com novos leilões garante o sucesso da feira
Leite: 50% da produção do país passa por equipamentos FMC

O projeto do SSAO é visto por Nelson Leite, presidente da FMC CBV, como o coroamento de uma longa parceria. “A empresa investiu US$ 200 milhões nos últimos cinco anos para alavancar sua produção”, disse o executivo, lembrando que cerca de 50% da produção de petróleo do país no mar passa por equipamentos FMC, que detém uma quota de mercado de 80% em manifolds submarinos e cerca de 35% do mercado de árvores de natal molhadas.

Aker – Atuando no mesmo segmento do mercado e com um substancial portfólio de equipamentos entregues e em operação no fundo do mar – inclusive na Bacia de Santos –, a norueguesa Aker Solutions também destacou as tecnologias submarinas que vão fazer a diferença no E&P em águas profundas nos próximos anos.

A empresa instalou cinco maquetes de sistemas submarinos, entre os quais o da primeira árvore de natal molhada projetada para o pré-sal, em fase de fabricação em Curitiba-PR, onde está a principal planta fabril no país. Outra maquete mostrava um sistema de separação de água e óleo, utilizado em campos da petroleira norueguesa Statoil no Mar do Norte, que também recebeu prêmios por seu caráter inovador.

A ideia de levar maquetes que mostram as tecnologias mais avançadas, assim como promover palestras no estande, reforça a posição da empresa como uma das principais provedoras de soluções subsea para o mercado brasileiro. “Os olhos do mercado mundial de óleo e gás estão voltados para o Brasil”, afirmou o presidente da Aker Solutions no Brasil, Luís Araújo.

No início de setembro, foram entregues à também norueguesa Sevan Drilling 116 juntas de riser pela unidade Drilling Riser da Aker, única fábrica na América do Sul a produzir tais equipamentos. Eles serão usados em uma plataforma de perfuração cilíndrica da Sevan, que vai perfurar poços no pré-sal. “Com esse fornecimento, a Aker Solutions reforça sua estratégia de desenvolvimento e conteúdo local”, diz Araújo, lembrando que está em construção em Macaé-RJ outra unidade fabril, dedicada a equipamentos de perfuração.

Subsin – O segmento de mercado offshore também tem players brasileiros, como a empresa Subsin, 100% nacional, que desde 2008 é apoiada pelo Criatec, fundo de capital semente – destinado a fomentar startups – do BNDES. A empresa de engenharia utiliza a mais moderna tecnologia, combinando a inspeção física por robôs móveis, monitoração e pós-processamento dos resultados, por meio de sofisticadas ferramentas de engenharia, para aferir a integridade de equipamentos submarinos.

Com patentes registradas no Brasil e nos Estados Unidos, a Subsin mostrou suas soluções na feira e destacou os principais pontos de seu plano de negócios no Fórum de Investimentos Setorial de Óleo e Gás, promovido pela Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP), no Centro de Convenções da Bolsa, no Rio de Janeiro.

Com R$ 4,4 milhões em contratos no setor de óleo e gás, a empresa espera atingir R$ 53 milhões com a entrada de um novo investidor. Mas já programou investimento de R$ 20 milhões, para o caso de isso não ocorrer, respaldada nas expectativas de novos negócios com a retomada dos leilões. “A Subsin é a empresa investida pelo Criatec que mais recebe consultas sobre possibilidade de investimentos”, observa Melquisedec Santos, diretor executivo da Subsin.

“Os projetos na área de óleo e gás são de longo prazo. Portanto, a demora nos leilões para concessão de blocos impede o ciclo contínuo de investimentos no setor, afetando a cadeia de fornecedores na qual está inserida a Subsin”, comenta. A retomada dos leilões implicará novos projetos das operadoras, gerando mais negócios. “As novas rodadas possibilitam que mais operadoras demandem serviços, permitindo que empresas como a Subsin não concentrem toda a sua base de faturamento em um único cliente”, agrega Santos.

C&C Technologies – Há oito anos no Brasil, a C&C Technologies do Brasil também alimenta boas expectativas para os próximos anos, com os investimentos contínuos em atividades de exploração e produção de petróleo e gás. A empresa de serviços, especializada em levantamento hidrográfico e geofísico, destacou suas soluções para a indústria de óleo e gás nas áreas de Geologia, Geofísica Marinha e Posicionamento Dinâmico.

[toggle_simple title=”Epcistas debatem produtividade offshore e naval” width=”Width of toggle box”]

Criado em 2008, como uma das iniciativas do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp), o Centro de Excelência em EPC (CE-EPC) promoveu um debate sobre temas críticos para o setor: produtividade e competitividade, os quais têm relação direta com a curva de eficiência na execução dos principais empreendimentos do setor offshore e naval.

O seminário “A busca da produtividade”, realizado durante a ROG, no Riocentro, reuniu executivos do CE-EPC, da diretoria de Engenharia da Petrobras, da Associação Brasileira de Engenharia Industrial (Abemi) e da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). O tema está alinhado com as necessidades do quadro de associados, com pesos-pesados como Petrobras, Shell e Statoil, Keppel Fels Brasil, Iesa Óleo e Gás, Mendes Júnior, Odebrecht, Queiroz Galvão, Usiminas Mecânica, UTC Engenharia. Ou seja: organizações para as quais essa questão é estratégica.

Redução de custos e prazosem projetos EPC, programa de gestão de produtividade, integração da engenharia e cultura de comissionamento foram alguns dos aspectos discutidos no seminário, que atraiu executivos e gestores de grupos epecistas. “Temos trabalhado continuamente para o desenvolvimento da capacitação profissional e dos processos de EPC”, afirmou Antonio Muller, presidente do CE-EPC, na abertura do encontro.

Muller destacou a parceria com instituições internacionais, como o Construction Industry Institute (CII), que vai realizar seu primeiro evento fora dos Estados Unidos, em parceria com o CE-EPC: o workshop “Produtividade em Ação”, que acontecerá entre os dias 28 e 30 de novembro, no Rio de Janeiro.

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“Prestamos serviços de mapeamento e inspeção submarina em águas rasas e profundas. Em águas rasas, usamos o sistema convencional de batimetria, mas somos mais conhecidos pela aplicação da tecnologia AUV (Autonomous Underwater Vehicle). Este veículo autônomo não tripulado tem sido utilizado para gerar informações do fundo marinho para a construção de instalações, posicionamento de equipamentos submarinos e inspeção de dutos e outros sistemas subsea”, destacou o diretor-geral da empresa, Daniel Monroy.

Lembrando que a equipe local é formada por profissionais brasileiros de diversas áreas, ele comemora os bons resultados consolidados e os projetos de peso que agregou ao seu portfólio, depois do primeiro trabalho de mapeamento do leito marinho, realizado para a Petrobras em 2002. Razão pela qual, dois anos depois, abriu a sede brasileira. “Em 2010, fizemos a aquisição de 50 mil quilômetros de dados geofísicos utilizando AUVs”, pontua o executivo, apostando no potencial de crescimento desse segmento, pois o AUV pode operar a três mil metros de profundidade.

Clariant – A suíça Clariant Oil Services, com mais de 40 anos de fornecimento de especialidades químicas para o setor de óleo e gás, destacou as principais soluções desenvolvidas para as atividades de exploração e produção em águas profundas, incluindo inovações que vêm sendo testadas para aplicação no pré-sal, recuperação de campos maduros e produção de óleo pesado.

A empresa, que teve trabalhos apresentados na conferência, promoveu uma série de palestras técnicas no estande para falar sobre seus produtos e serviços, além de levar parceiros para visitar o centro tecnológico de óleo e gás, inaugurado no Rio de Janeiro em maio, e que vem realizando testes para aferição da aplicação de soluções Clariant em distintos cenários (incluindo o pré-sal).

“Temos um amplo portfólio de especialidades para as diversas etapas de exploração e produção offshore que vêm sendo utilizadas no mundo inteiro, garantindo não somente maior produtividade e eficiência como também segurança nas operações, uma vez que oferecemos soluções que garantem a integridade dos sistemas de injeção desses químicos”, destaca Carlos Tooge, vice-presidente para a América Latina da Clariant Oil Services.

A empresa destacou no evento produtos já consagrados no mercado, como o desemulsificante Dissolvan e as linhas Liberate e Reltreat para tratamento de poços de petróleo e gás. “Estamos sempre aprimorando as aplicações da tecnologia Liberate, um pacote de químicos que repara os danos decorrentes de incrustação inorgânica, parafinas e asfaltenos nos poços. A ação dessa solução, customizada para cada poço e reservatório, possibilita aumento da produtividade e redução da velocidade de declínio da produção”, conclui.

Dow – Para marcar posição na feira, a Dow Brasil criou um Business Center com o conceito “Desafie. Nós solucionamos”, recebendo tradicionais e potenciais clientes para os quais mostrou os principais lançamentos e tecnologias que disponibiliza para o mercado. “Oferecemos soluções para todas as etapas de processo da cadeia produtiva da indústria, desde a extração, produção, refino e tratamento de gás, até a distribuição de óleo e derivados”, afiança Regina Oliveira, diretora comercial da divisão de Oil & Gas da Dow para a América Latina.

[toggle_simple title=”BG e agência norueguesa fazem parceria no Brasil” width=”Width of toggle box”]

No momento em que as companhias de petróleo ainda estavam sob o impacto do tão esperado anúncio dos próximos leilões, a petroleira BG Brasil e a agência governamental Innovation Norway anunciaram uma associação inédita no país que prevê a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias na área de petróleo e gás, em parceria com organizações locais.

O memorando de entendimento firmado pela companhia britânica e a agência norueguesa de promoção internacional da indústria daquele país visa a atender às demandas tecnológicas do pré-sal no Brasil. E abre espaço para a transferência de conhecimento e o desenvolvimento de fornecedores no país, principalmente na área de perfuração, sistemas de produção submarina, operações integradas e tecnologia de monitoramento ambiental.

As duas partes, que têm forte atuação e expertise tecnológica em exploração e produção em águas profundas no Mar do Norte, vão trocar informações técnicas e promover estudos de viabilidade técnico-econômica nos próximos cinco anos. O acordo é baseado no Contrato de Pesquisa e Desenvolvimento Industrial da Innovation Norway (em inglês, Norwegian Industrial Research and Development Contract – IRD), por meio do qual é concedido apoio financeiro para empresas norueguesas – normalmente de pequeno e médio porte – para pesquisa de novas tecnologias.

A parceria vai possibilitar a essas empresas de nicho tecnológico maior acesso ao mercado brasileiro de óleo e gás, em segmentos em que o BG Group tem atividades locais. A diretora da Innovation Norway no Brasil, Helle Moen, observa que o BG Group, que possui negócios significativos na Bacia de Santos, em quatro blocos que incluem as grandes descobertas de Lula, Iracema, Sapinhoá, Iara e Carioca, acumula “experiência operacional e competência tecnológica, com foco em inovação, sustentabilidade e P&D que possibilitam superar os desafios no Brasil e em escala global”.

O presidente da BG Brasil, Nelson Silva, observa que o Centro Global de Tecnologia do BG Group no Rio de Janeiro apoia iniciativas de pesquisa e desenvolvimento no Brasil. “A Noruega é um grande hub global de tecnologia de ponta da indústria de óleo e gás. A sua experiência em águas profundas e campos maduros será fundamental para nossas operações no Brasil”, afirmou o executivo da empresa, que tem participação nos blocos BM-S-9 (30%), BM-S-10 (25%), BM-S-11 (25%) e BM-S-50 (20%), nos quais a Petrobras é a operadora.

Instrumento do governo da Noruega para a inovação e o desenvolvimento de empresas e da indústria norueguesa, a Innovation Norway apoia empresas no desenvolvimento de vantagens competitivas e aumento da inovação. Ela tem forte relação com a estatal norueguesa do petróleo, Statoil, que já se posiciona como a segunda maior produtora de óleo e gás no Brasil e tem investido continuamente no desenvolvimento de tecnologias em águas profundas.

Durante a ROG, a agência promoveu três seminários no Rio de Janeiro, dos quais participaram representantes da Petrobras, ANP, BNDES, o DNB e a Intsok – órgão governamental de suporte à internacionalização da indústria de óleo e gás da Noruega, que reúne mais de 220 empresas, dentre elas Technip, SubSea 7, Sevan Marine, SeaDrill, Odfjell, DOF, BW Offshore e Statoil, FMC Technologies e Sete Brasil.

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Segundo ela, o segmento de petróleo e gás é prioridade na estratégia da empresa, que vai investir US$ 1,6 bi em pesquisa e desenvolvimento nos próximos anos, sendo que, desse total, 30% vai para a área de energia (eólica, petróleo e gás e biocombustível) e mineração. “Some a isso os recursos alocados na expansão da capacidade produtiva das plantas paulistas de Jundiaí e de Santos”, complementa a executiva.

O grupo escolheu a ROG para fazer o lançamento mundial do Neptune, um sistema de isolamento térmico para aplicações submarinas. “É um avanço na garantia de escoamento de petróleo, pois pode ser aplicado desde o poço até o ponto de distribuição, incluindo tubos, juntas de campo e arquitetura submarina, admitindo grande variação de temperatura, 40ºC negativos, comum em instalações árticas, até160°C, temperaturas de produção de óleo em alguns casos”, destaca a executiva.

Outras soluções destacadas pela empresa foram as linhas de inibidores de incrustação Accent, polímeros que ajudam a inibir a formação de depósitos de diferentes combinações minerais; e de skids de ultrafiltração Dow IntegraPac, disponíveis em vários tamanhos para se ajustar às necessidades específicas de cada cliente.

AkzoNobel – O grupo holandês AkzoNobel, tradicional expositor da ROG, desta vez fez uma dupla apresentação: além da divisão International Paint, trouxe para o evento, pela primeira vez, a unidade de Surface Chemistry, que fornece produtos químicos para estimulação, cimentação, perfuração e “fracturing”, desemulsificantes, inibidores de corrosão e incrustação clarificadores, entre outros.

“A International Paint disponibiliza os melhores revestimentos de proteção anticorrosiva, anti-incrustantes e soluções de proteção passiva contra fogo para os mais diversos projetos”, afirma Fernando Macedo, gerente-geral da unidade.

O destaque da divisão foi a linha Enviroline, que atende à Norma Petrobras N-2912, para tintas do tipo I, II e III. “Essa linha tem uma série de atributos, como excelente resistência química e à alta temperatura, facilidade de aplicação e rápido retorno ao serviço, sendo ideais para revestimentos de tanques, tubulações, dutos, vasos de pressão e esferas em condições severas”, conclui Macedo.

Pentair Valves & Controls – Tema recorrente na indústria de petróleo e gás, a segurança operacional está no foco de fornecedores tradicionais como a Tyco Flow Control, segmento de controle de fluxo da Tyco Internacional, um dos principais fabricantes e distri- buidores mundiais de sistemas de válvulas e controles, sistemas hidráulicos e ambientais e soluções de gestão de calor para o setor de óleo e gás, entre outros.

A divisão Tyco Flow Control, que passou a se chamar Pentair após fusão com esta última, consolidada em outubro, levou para a ROG (ainda sob o nome Tyco) as principais soluções na área de válvulas e controles (hoje denominada Pentair Valves & Controls), ciente de que, independentemente ou não de novas rodadas, seus produtos têm demanda certa em atividades como a de exploração de petróleo e gás.

“Segurança operacional e certificação são o cenário no qual atuamos. E se constitui em um mercado com demanda certa, por conta das exigências cada vez maiores dessa indústria”, destaca Danilo Guerra, analista de Marketing da divisão Actuation & Controls. Ele lembra que a nova denominação abrange três marcas líderes no segmento: Biffi, fabricante de atuadores elétricos, pneumáticos, hidráulicos, gás/hidráulicos e subsea; Morin, fornecedora de válvulas industriais e de atuadores pneumáticos e hidráulicos de ¼ de volta; e Westlock Controls, líder no desenvolvimento e fornecimento de tecnologias inovadoras para sistemas de comando, controle e monitoramento de válvulas industriais, ponto a ponto e em rede.

Siemens – “O Brasil vive um grande momento no setor de petróleo e gás, para o qual a Siemens oferece soluções integradas, voltadas a todos os aspectos operacionais”, afirma Welter Benício, diretor da divisão de Óleo e Gás da Siemens no Brasil, que foi para a ROG com a missão de reforçar a posição da empresa no mercado. “Nossa experiência no mercado internacional e local nos habilita a fornecer serviços e produtos de alto desempenho para instalações de offshore e onshore”, afirmou o executivo.

Benício lembra que a empresa recentemente adquiriu a unidade da Expro Holdings UK, que projeta e fabrica componentes submarinos, como conectores de cabos, sensores e dispositivos de medição, abrindo novos horizontes no segmento subsea.

Nessa área, a Siemens apresentou, com destaque na ROG, o Subsea Powergrid, uma rede elétrica submarina que permite produção e processamento de óleo e gás utilizando módulos instalados a até 3.000 metros de profundidade. “Essa solução submarina pode ajudar a aumentar a capacidade de produção de um reservatório, assim como viabilizar a exploração de reservatórios de menor porte que, de outro modo, não seriam economicamente viáveis. Ao mesmo tempo, as novas tecnologias aumentarão a segurança e a confiabilidade das instalações”, conclui Welter Benício.

KSB– Em fina sintonia, as coligadas KSB Bombas Hidráulicas e KSB Válvulas reuniram em um único estande todos os produtos do grupo para o setor de petróleo e gás, considerado estratégico pela empresa, que tem uma nova fábrica em Jundiaí-SP. A empresa apresentou na feira a Válvula Esfera 24” – 600#, com atuador pneumático modelo DA 10 e vedação estanque bidirecional, sedes energizadas, mancais com lubrificação permanente, alívio automático interno de pressão e vedação resiliente ou metal-metal.

Esse modelo é indicado para as severas condições de operação nas áreas de petróleo e petroquímica, armazenagem e transferência de fluidos, gás natural, serviços corrosivos e serviçosem geral. Aválvula da KSB ainda opera sob pressão até 2.500 psi, com temperatura entre -101ºC até + 600ºC.

“Hoje, 80% de nossas vendas são representadas por válvulas engenheiradas, para o setor de óleo e gás”, afirma Igor Norris Nelsen, diretor executivo da KSB Válvulas, que assumiu o posto recentemente, para cuidar da transição entre a antiga unidade, em Barueri-SP, e a nova planta. “Com processos produtivos mais automatizados e conceitos mais modernos de produção, pretendemos ampliar nossa área de atuação”, destaca o executivo.

 

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