Energia

20 de Fevereiro de 2013

Reformas de usinas e novos projetos mantêm fabricantes em alta atividade

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Publicado por: Nelson Valencio
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    A geração hidráulica representa praticamente 82% da matriz elétrica brasileira, de acordo com o balanço mais recente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Essa longa tradição não poderia deixar de impactar a cadeia de produção de equipamentos, e a fabricação de turbinas é uma prova disso. Os três grandes players mundiais do setor – Alstom, Voith Hydro e Andritz – têm operações importantes no país, como explica o professor Geraldo Lúcio Tiago Filho, do Centro Nacional de Referência em Pequenas Centrais Hidrelétricas da Universidade Federal de Itajubá (Unifei). De acordo com ele, o trio de multinacionais se repete em outros continentes, disputando espaço cabeça a cabeça na Ásia e tendo poucos concorrentes menores no mercado norte-americano. “Na Europa, a briga é mais acirrada, mas de modo geral o mercado é concentrado”, comentou.

    Petróleo & Energia ouviu duas delas (procurada, a Andritz não se manifestou até o fechamento desta edição) e outros dois fabricantes nacionais com presença majoritária no segmento de PCHs. Tanto a Alstom como a Voith elencam uma série de projetos recentes, alguns deles indicando recordes mundiais em sua área, além de sinalizar que a carteira de serviços é bem mais ampla do que o fornecimento das turbinas. Um mercado aparentemente atraente é o de reforma/repotenciação de usinas, porém a atual discussão sobre a Medida Provisória 579, que estabelece as condições para renovação das concessões do setor elétrico com vencimento até 2017, engessou o setor. “Nos últimos anos surgiu um novo mercado decorrente de grandes reformas das principais usinas. Desde outubro, porém, ele está paralisado por conta de desdobramentos em relação às reformas”, ratifica Marcos Costa, presidente da Alstom do Brasil.

    O executivo destaca que a empresa tem grande interesse nesse tipo de serviço e uma estrutura técnica exclusiva que oferece desde pequenos reparos até grandes reformas, incluindo repotenciação, passando por sobressalentes, treinamento e consultoria técnica. A Voith, por sua vez, possui uma equipe especializada para tratar de modernizações e reformas desde 1995. De acordo com o presidente e CEO da unidade brasileira, Osvaldo San Martin, a empresa foi contratada para cuidar de quatro modernizações em 2012: as usinas de Água Vermelha, Xavantes, Santo Santiago e Passo Fundo. Fora do país, a filial executa o que seria o maior projeto de modernização mundial, a usina de Guri, na Venezuela. Mas San Martin também se manifesta preocupado com o encaminhamento da MP 579. “É importante que investidores e governo cheguem a bom termo para que os investimentos em modernização do parque gerador continuem.”

    Foto: Divulgação/Alston

    Costa: MP 579 engessou obras do setor

    Se o quadro das reformas ainda não está delineado, a construção de novas usinas movimenta os fabricantes de turbinas. A Voith tem presença em Santo Antônio, Jirau, Belo Monte, Teles Pires e Ferreira Gomes, todas no Brasil. No Chile estão dois dos outros grandes empreendimentos, as usinas de Alfalfal II e de Las Lajas. O braço brasileiro da empresa atende os países da América Latina e há projetos ativos desde o México até o Peru, passando pela já citada reforma na Venezuela. Isso significa que parte da produção de turbinas, geradores e sistemas vem das duas fábricas no país (São Paulo e Manaus).

    “Somos muito conhecidos como fabricantes de turbinas, mas nem todos sabem que a Voith produz uma série de outros produtos para hidrelétricas”, destaca San Martin. Ele lembra que o Brasil continua sendo um dos principais mercados mundiais para a corporação, ao lado da China e dos Estados Unidos. “Nos últimos dez anos, participamos dos principais projetos hidrelétricos brasileiros. Fornecemos as turbinas Kaplan de Estreito, Peixe Angical, Aimorés e Ferreira Gomes, e as turbinas bulbo de Baguari, Santo Antônio e Jirau, além das turbinas Francis de Belo Monte, Salto do Pilão e Serra do Facão”, lista o executivo. Na área de modernização, ele destaca a participação em Furnas, Cachoeira Dourada, Parigot de Souza, Ilha Solteira e Jupiá, além dos projetos em andamento.

    Foto: Divulgação/CEO

    San Martin: quatro grandes contratos de modernização em 2012

    A base brasileira da Alstom funciona como um polo para a América Latina e também atende projetos mundiais, caso da usina chinesa de Três Gargantas, da indiana Sunbasiri e da Merowe, no Sudão. De acordo com Costa, um quarto de toda a capacidade global instalada de energia elétrica com geração hidráulica detém tecnologia da empresa francesa, totalizando 400 GW. Já a unidade brasileira teria a participação no fornecimento de mais de 100 turbinas e geradores nos últimos dez anos. Sediada em Taubaté-SP, a fábrica local é considerada um centro de excelência em hidrogeração e figura entre as maiores plantas da multinacional.


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