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Turbinas – Reformas de usinas e novos projetos mantêm fabricantes em alta atividade

Nelson Valencio
27 de novembro de 2012
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    perfil hidráulico era determinada somente por meio de ensaios exaustivos de laboratórios especializados – no mundo existem cerca de 20, um deles no Brasil. “Por isso, os perfis hidráulicos eram desenvolvidos somente para grandes usinas, pois o custo desse processo, cujo resultado era o chamado modelo reduzido, é superior a US$ 250 mil”, detalha.

    Como isso inviabilizaria MCHs e PCHs, os fabricantes desse segmento adotam outro conceito para transpor – proporcionalmente – o perfil hidráulico de uma turbina maior para um equipamento menor: o de CFD, sigla para cálculo fluido dinâmico computacional. Na avaliação do diretor da Hisa, houve um avanço grande no desenvolvimento de CFDs nos últimos anos, com a liderança sendo tomada pelos centros de pesquisa europeus e americanos. “Apesar dos CFDs, os projetos de turbinas acima de 25 MW ainda exigem o desenvolvimento de protótipo (modelo reduzido) de laboratório, para definir e comprovar o melhor perfil hidráulico”, complementa Tenfen.

    No caso da Hisa, ele adianta que a modelagem CFD é feita internamente, mas a companhia possui acordos com centros europeus para verificar e referendar os modelos criados pela área técnica da empresa catarinense. Também fabricante de turbinas para PCHs, a Semi Industrial possui uma estratégia similar. “Temos um acordo com a Universidade de Gênova para a realização dos projetos hidráulicos, adotando o CFD. Depois de modelados na Itália, eles são enviados ao nosso escritório de engenharia, no Paraná, onde é feito o detalhamento da construção mecânica das turbinas”, esclarece Luiz Antônio Valbusa, diretor comercial da fabricante. “Obviamente, não utilizamos os ensaios em modelo reduzido, pois eles não se pagam com o investimento de uma usina pequena. A simulação por computador, no entanto, é muito precisa e nos dá uma segurança grande em termos de eficiência da turbina e ausência de cavitação”, complementa.

    Petroleo & Energia, Luiz Antônio Valbusa, diretor comercial , Turbinas - Reformas de usinas e novos projetos mantêm fabricantes em alta atividade

    Luiz Antônio Valbusa: acordo com universidade italiana garante construção de turbina

    Para contrabalançar o mercado em baixa das PCHs no Brasil, Valbusa adianta que a Semi avançou para o mercado latino-americano, com projetos recentes no Chile. A área de automação de pequenas usinas instaladas é outro segmento de atuação da empresa, com clientes importantes como a CPFL, que adota a plataforma da companhia no gerenciamento de cerca de 18 PCHs, centralizando o controle das unidades. Nesse nicho, ela já totaliza mais de 100 implementações no país. Outra frente possível é o ainda pouco explorado – de acordo com Valbusa – mercado de reforma. “Existem muitas turbinas antigas que são passíveis de um estudo para repotenciação. Com a mesma queda e vazão, podemos hoje instalar rotores mais eficientes que podem gerar mais energia”, detalha o especialista.

    Embora não forneça turbinas para UHEs, a Semi participa da montagem eletromecânica e do comissionamento nesse segmento como parceira da empresa líder. Do ponto de vista da tecnologia, Valbusa avalia que tanto as UHEs como as PCEs apresentam um processo amadurecido. “Não existem grandes avanços recentes na área de turbinas. O que estamos desenvolvendo são processos de fabricação mais eficientes e materiais mais econômicos para adequar as PCHs aos novos patamares de valores de energia praticados no mercado”, argumenta.

    Já San Martin, presidente da Voith, destaca que a empresa funciona como uma usina de inovação. Na área de turbinas, a empresa tem o equipamento do modelo Kaplan com a maior potência do Brasil. A máquina está em funcionamento na usina de Lajeado. Outra UHE possui a turbina Kaplan com o maior diâmetro do país, inaugurada recentemente na usina de Estreito. Aliás, o criador dessa tecnologia, Viktor Kaplan, desenvolveu o modelo de turbina em parceria com a multinacional alemã.

    “Acabamos de participar do desenvolvimento e fornecimento das maiores turbinas bulbo em geração de energia do mundo, adotadas em Santo Antônio e Jirau, no Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira”, diz. (Nessa mesma usina, a Alstom também participa com projeto e fornecimento de duas das maiores turbinas mundiais desse tipo). Voltando à lista da Voith, a empresa detém outro prodígio: a turbina Pelton para uma das maiores quedas d’água do mundo – superior a 1,1 km –, na usina de Alfalfal II (Chile).

    Para Costa, da Alstom, os grandes projetos brasileiros têm gerado desenvolvimentos importantes e o maior desafio atual são as usinas da Região Norte. “Por serem projetos a fio de água, elas impõem grandes variações de quedas e vazões, isso acaba impactando significativamente na tecnologia aplicada”, avalia. Nesse novo cenário, o presidente adianta que a Alstom Brasil foi escolhida para sediar o primeiro Centro Global de Tecnologia (GTC) na América Latina. “A partir de 2013, teremos uma instalação focada especialmente em turbinas Kaplan e com uma plataforma de testes para modelos de turbinas de alta tecnologia”, informa. Criado dentro da fábrica de  Taubaté, o GTC deve trabalhar com projetos mundiais, mas o foco serão as usinas latino-americanas.

    Petroleo % Energia, Turbinas - Reformas de usinas e novos projetos mantêm fabricantes em alta atividade

    Turbina Kaplan: maior potência do país

    Para viabilizar o centro, a multinacional terá ainda ajuda de especialistas externos e as duas primeiras parcerias já foram anunciadas. A Unifei, de Itajubá-MG, e a Universidade Estadual Paulista (Unesp) devem receber financiamento de programas de mestrado e doutorado relacionados ao mercado hidrelétrico. Costa lembra que existem somente outras quatro instalações desse tipo no grupo francês: Grenoble (França), Baroda (Índia), Birr (Suíça) e Sorel-Tracy (Canadá). O centro brasileiro vai se diferenciar por ter – em um único local – as competências técnicas dos produtos da área de geração hidrelétrica, incluindo turbinas, geradores, reguladores, comando e controle, equipamentos hidromecânicos e de levantamento.



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