Qualidade: Certificar ou Não Certificar, eis a questão

“Materiais requeridos pelo Có­digo Asme não estão disponíveis localmente”. Ainda que o Código Asme enumere os requisitos para materiais usados na construção de equipamentos submetidos à pressão, é permitido que os fabricantes certificados, recertifiquem materiais para uma especificação aceita pelo código, desde que atendidas as de propriedades químicas, mecânicas e metalúrgicas desses materiais. O Asme elenca materiais cuja substituição por outros inferiores, isso comprovado em serviço, pode levar a sérios comprometimentos durante a operação, com consequente inadequação ao serviço e também a redução da vida útil dos equipamentos submetidos à pressão.

“Não existe diferença entre equipamentos certificados e não-certificados.” Existe sim, há diferenças significativas entre eles. Algumas delas podem incluir:

· A verificação de terceira parte assegura que os requisitos do código são efetivamente atendidos e que o fabricante controla seus processos. Isso é fundamental para conter o eventual impacto em casos de alteração na equipe de funcionários e para manter o aspecto de melhoria contínua do Código Asme;

· O projeto das juntas soldadas e a qualificação dos procedimentos de soldagem e soldadores são verificados quando é requerida a certificação. A qualidade da soldagem, invariavelmente, resulta comprometida quando há omissão da certificação;

· Os registros requeridos pelo código (MDR, desenhos, cálculos, relatório de teste final etc.) são indispensáveis para eventuais reparos no futuro e para alteração ou venda do equipamento;

· A segurança em saber que o equipamento cumpre com as especificações do Código Asme.

Estudo de caso – O valor único do Código Asme está bem ilustrado em um projeto recentemente implementado na área de geração de energia. Os produtos em questão foram duas caldeiras de recuperação para a geração de vapor (tipo HRSG, de 500 MW), certificadas pelo Asme para serem instaladas na Usina Astoria II, em Queens, Nova York. Os geradores de vapor foram projetados por uma empresa canadense certificada Asme e com componentes (spools de tubulação, painéis da caldeira de recuperação, tubulões de vapor) fabricados e providos como “partes certificadas Asme” por fabricantes certificados Asme na Indonésia, na Malásia e nos Estados Unidos. Os materiais foram fornecidos por empresas vietnamitas, americanas e de outras regiões. A montagem, os testes finais e a certificação dos geradores foram realizados no México por empresa equatoriana também certificada Asme e, de lá, transportados por barcaça através do Rio Queens para a usina. Eis algumas vantagens na utilização do Código Asme e das empresas certificadas, nesse empreendimento:

· Garante-se a otimização dos custos mediante a aquisição “globalizada”, sem comprometer a qualidade, pois os requisitos do Código Asme são mantidos, seja qual for o local de implantação do projeto;

· A identificação facilitada dos materiais e sua adequação à fabricação dos geradores de vapor (HRSG) são vantajosas para o caso de futuras alterações e/ou reparos nos equipamentos;

· Em razão da qualificação para Inspetores Autorizados locais ou regionais, requerida pelo código, ocorre a redução de tempo e de custos com deslocamentos e comunicação;

· Eliminação dos custos redundantes de inspeção de produtos e a verificação da documentação pela aceitação dos Asme Data Reports (MDRs) para os componentes e para a montagem completa dos geradores;

· O fato de a Certificação Asme ser requisito na maior parte dos estados americanos e das províncias canadenses e ser aceita na maioria dos países facilita enormemente a conformidade com as regulamentações nos locais de implantação dos projetos, ao contrário do que ocorre com outros requisitos mal definidos;

· Aplicação uniforme das regras do código;

· Verificação física independente em todo o processo.

Retomando a questão provocada pelo título desse artigo – por que certificar, quando se especifica que o equipamento submetido à pressão deve atender aos requisitos do Código Asme? – posso afirmar que a dúvida provém da própria natureza do padrão conceitual do código. Ou seja, esse conjunto de normas é de tal forma abrangente e minucioso que, ao tratar do projeto; da seleção e do controle de materiais; dos testes; das qualificações de pessoal e procedimentos; da certificação e da verificação de terceira parte, é capaz de assegurar que todos os elementos-chave foram devidamente controlados e implementados de maneira sistêmica e repetitiva. O selo Asme, ao final, sinaliza aos stakeholders – compradores, proprietários/usuários, seguradores e regulamentadores – que todos os benefícios aqui indicados e descritos puderam ser plenamente alcançados.

O AUTOR

O Engenheiro Mark H. Masters, P.E., tem mais de 20 anos de experiência em inspeção de equipamentos submetidos à pressão. Atualmente, ocupa o cargo de Gerente-Geral para América Latina em The Hartford Steam Boiler Inspection and Insurance Company of Connecticut, Agência de Inspeção Autorizada Asme. Para mais informações a respeito dos assuntos apresentados, seu e-mail é:  [email protected]

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