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Qualidade: Certificar ou Não Certificar, eis a questão

Petroleo e Energia
17 de julho de 2014
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    Mark H. Masters

    Nas duas últimas décadas, foi vertiginoso o crescimento do mercado mundial de equipamentos submetidos à pressão para as indústrias de óleo & gás e para outras nas quais ocorrem processos contínuos. Ao mesmo tempo, fabricantes e clientes desses equipamentos assistiram à proliferação de códigos e normas que assegurassem, cada vez mais, que um equipamento de pressão estivesse apto a operar de forma segura e confiável. O Código Asme “Boiler and Pressure Vessel Code” (BPV Code) da American Society of Mechanical Engineers é, sem nenhuma dúvida, o código mais amplamente adotado e, de fato, a base para muitas especificações locais.

    No entanto, apesar do amplo uso, ainda restam conceitos equivocados de como pode ser obtida a “conformidade” com o Código Asme, ou sobre o valor agregado pela Certificação Asme formal, quando comparada à solicitação genérica do comprador que requer que o equipamento seja projetado e fabricado “em conformidade com o Asme”. Neste artigo, apresento um breve histórico do Código Asme e seus critérios de certificação. Refuto, ainda, alguns maus conceitos comumente utilizados quanto aos custos de certificação e, finalmente, apresento um estudo de caso que ilustra bem o valor da Certificação Asme.

    Petróleo & Energia, Qualidade: Certificar ou Não Certificar, eis a questãoHistória – O primeiro Código Asme de caldeiras foi publicado há 100 anos, em 1914. Desde então, ele foi sendo ampliado, agregando regras para projeto, fabricação e testes sobre uma ampla variedade de equipamentos submetidos à pressão, inclusive geradores nucleares de vapor, trocadores de calor e outros não sujeitos à chama, além dos códigos para tubulação de vapor e de diferentes processos. A evolução dos códigos foi marcante, agregando novos processos fabris e também novas tecnologias, tais como a mudança da fabricação rebitada para a soldada. Essa evolução foi alcançada pela abordagem única do Código Asme no tratamento e no desenvolvimento de códigos e normas, resultado do trabalho dos comitês constituídos por voluntários representantes de fabricantes, organismos reguladores e proprietários/usuários de equipamentos submetidos à pressão.

    O processo de certificação – A Certi­ficação Asme – ou seja, a obtenção dos Certificados de Autorização e da Marca de Certificação do Código – requer, primeiro, que o fabricante prepare a descrição escrita do seu Sistema de Controle da Qualidade (SCQ), por meio de um Manual de Controle da Qualidade (MCQ), complementado por procedimentos específicos. O SCQ deve contemplar, no mínimo, os seguintes itens:

    · Autoridade e responsabilidade

    · Organograma

    · Desenvolvimento e controle de desenhos, cálculos de projeto e especificações técnicas

    · Controle de Materiais, incluindo aquisição e recebimento

    · Programa de exames e inspeções

    · Correções das não-conformidades

    · Soldagem

    · Exames não-destrutivos (END)

    · Tratamento térmico

    · Calibração de equipamentos de medição e testes

    · Retenção de registros

    · Interação com o inspetor autorizado ou a agência certificadora Asme

    · Certificações (métodos utilizados para demonstrar autorizações e aprovações)

    Petróleo & Energia, Certificação oferece mais segurança às indústrias

    Certificação oferece mais segurança às indústrias

    Após a implementação satisfatória do SCQ, o fabricante deverá também ser submetido a uma auditoria do Sistema de Controle de Qualidade – conhecida como Asme Joint Review – e demonstrar fisicamente sua habilidade para implementar o sistema. Para isso, deverá ser utilizado um equipamento para demonstração ou um equipamento referente a uma ordem de serviço real. Ressalvando-se que essa demonstração, especificamente, deverá representar fiel e integralmente cada elemento do Programa de Qualidade descrito no MCQ. O Asme Joint Review é realizado por uma equipe de composta de um líder (representante da Asme), do Inspetor Autorizado Supervisor e do Inspetor Autorizado (representantes da Agência de Inspeção Autorizada Asme).

    Caso na avaliação da equipe o programa, tal como escrito e implementado, atenda aos requisitos do Código Asme, então, será feita a recomendação ao Comitê de Credenciamento e Certificação da Asme para que seja emitido o Certificado de Autorização para esse fabricante. Uma vez emitidos os certificados, eles são válidos por três anos. Depois desse período o fabricante deverá solicitar formalmente a renovação da certificação, que exigirá o mesmo processo aplicado à auditoria inicial, e assegurar que o SCQ continue fiel aos requisitos referentes ao código.



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