Economia

PVC com nova imagem e direção – Indústria Química

Marcelo Fairbanks
23 de abril de 2020
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    Química e Derivados - PVC com nova imagem e direção

    Indústria Química – PVC com nova imagem e direção – Perspectivas 2020

    O engenheiro Maurício Parolin Russomano assumiu a presidência da Unipar em janeiro deste ano, sucedendo a Aníbal do Vale que se aposentou. Russomano atuou como diretor comercial da companhia desde setembro de 2018, seguindo longa carreira profissional na qual aparecem empresas como GE Power Systems, Basf e Votorantim. A companhia deixou de usar o nome Unipar Carbocloro para, assim, assumir uma identidade renovada ao mercado.

    O desafio apresentado ao novo presidente consiste em finalizar a integração das operações brasileiras e argentinas da companhia, processo iniciado em 2016, quando a Unipar Carbocloro comprou o negócio de soda/cloro e PVC da Solvay Indupa, em Bahía Blanca (Argentina). A negociação agregou as 240 mil t/ano de PVC argentino às 300 mil t/ano de capacidade instalada em Santo André-SP. A antiga Carbocloro, em Cubatão-SP, joint venture entre a Unipar e a americana Oxy (a Unipar comprou a parte da parceira em 2012), produz 355 mil t/ano de cloro e 400 mil t/ano de soda cáustica, recebendo etileno da Braskem para fazer dicloroetano e monômero de cloreto de vinila, depois polimerizado em Santo André-SP.

    A capacidade total de 540 mil t/ano de PVC faz da empresa a sétima maior produtora da resina nas Américas e a segunda da América do Sul, atrás da Braskem, a quem supera na produção de cloro/soda.

    O fato de contar com três unidades produtivas em dois países é considerado como ponto positivo da companhia por Russomano. “Isso nos permite abastecer nossos clientes com maior segurança, nosso produtos de todas as origens são homologados pelos clientes”, comentou.

    Química e Derivados - Russomano: operações no Brasil e Argentina já estão integradas

    Russomano: operações no Brasil e Argentina já estão integradas

    A companhia também compreende grande diversidade tecnológica, advinda das proprietárias anteriores, e está bem próxima dos maiores mercados consumidores regionais. “Temos equipes de assistência técnica aos clientes tanto em Santo André quanto em Bahía Blanca, com estruturas para fazer ensaios com filmes, tubos e chapas, para apoiar o desenvolvimento de novas formulações e soluções”, salientou.

    Isso também exige integrar processos e pessoas nas três unidades, cada qual com uma cultura empresarial diferente. “A integração operacional está pronta e estamos promovendo a integração de quadros mediante a formação de grupos técnicos com participação de especialistas das três plantas, criando indicadores comuns de desempenho e manutenção, além de unificar a administração dos negócios”, explicou.

    Russomano explicou que os objetivos e metas de toda a companhia já foram alinhados, além de estar implantado um sistema de decisão distribuída para as operações fabris, empoderando a direção de cada unidade. Com isso, a agilidade na tomada de decisões aumentou. “Todos têm acesso às informações do nosso sistema de gestão e as unidades trocam constantemente informações para resolver problemas e melhorar seu desempenho”, disse.

    Desde a aquisição da Indupa, a Unipar investiu R$ 90 milhões para modernizar e desengargalar a unidade de Santo André, que opera apenas células eletrolíticas de membrana desde 2009. As unidades de Cubatão e Bahía Blanca receberão R$ 140 milhões/ano para manutenção e substituição de células de mercúrio até 2025, com acréscimos de produção.

    Russomano comentou que o mercado de PVC e soda cáustica está muito concorrido, com forte pressão de importados, especialmente dos Estados Unidos, onde há grandes excedentes. “Lá eles têm gás natural e eletricidade muito baratos, com base no shale gas, e contam com estrutura logística muito eficiente; aqui, nosso gás e a nafta custam muito mais, assim como a eletricidade, e a logística é ruim”, considerou. A eficiência operacional é essencial para manter a competitividade, além de reformas estruturais. “Porém, sem o imposto de importação, não dá para competir”, afirmou.

    Além dos investimentos em modernização, a Unipar investe com a AES Tietê um total de R$ 320 milhões para a implantação de um parque eólico capaz de gerar 155 MW, com início de operação previsto para 2021. Trata-se uma iniciativa de sustentabilidade, mas o percentual que essa energia representa no total consumido pela companhia é pequeno.

    Outro objetivo de Russomano é a formação de nova geração de líderes na empresa, tendo em visa que um contingente considerável de profissionais deve se aposentar nos próximos 5 a 10 anos. “São posições críticas dentro da estrutura, é preciso começar já a formar substitutos à altura”, explicou. A companhia emprega 1.400 pessoas, um quadro considerado enxuto pelo executivo.

    O crescimento da Unipar depende da evolução do PIB de Brasil e Argentina, principalmente das atividades de construção civil. Atualmente, 30% da produção de PVC e soda são exportados para fora da região, geralmente para a África e Ásia. “Nosso foco agora está no relacionamento com os clientes, queremos ajudá-los a ter sucesso nos seus negócios”, comentou. “Mas precisamos alcançar excelência operacional, com alta confiabilidade e sustentabilidade, mantendo relações transparentes com as comunidades do entorno dos sites.”



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