Economia

20 de agosto de 2014

Promef e Prorefam aquecem a construção naval

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Publicado por: Bia Teixeira
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    Petróleo & Energia, Marintec Sout America 2014: Indústria naval acerta o curso para a internacionalização

    Petróleo & Energia, Rodadas do Prorefam (3ª fase)

    Rodadas do Prorefam (3ª fase)

    Ao ser lançado, em 2004, o Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), da Transpetro, foi visto com certa reticência pela indústria naval, que vinha amargando mais de duas décadas de estagnação, sem uma política industrial definida para o setor por parte do governo federal. Havia apenas uma iniciativa da Petrobras em andamento, o Programa de Renovação da Frota de Apoio Marítimo à Exploração e Produção (Prorefam), criado em 1999, por meio do qual a petroleira buscava montar uma frota local para atender a demanda de apoio ao volume crescente de operações offshore na Bacia de Campos.

    Enquanto a construção de barcos de apoio ganhava ritmo, ainda que sem configurar um grande salto, o Promef demorou quatro anos a sair do papel, evidenciando um hiato temporal entre a sua criação e a realização da primeira fase do programa, que previa a contratação e construção de 26 navios petroleiros.

    Processo prolongado também pela construção, em simultâneo, do Estaleiro Atlântico Sul, em Pernambuco (primeiro passo da descentralização dessa indústria), onde se construía o navio João Cândido, enquanto o Estaleiro Mauá, em Niterói-RJ, reunia forças para concluir o Celso Furtado.

    Petróleo & Energia, Promef - Entregas de navios previstas até o final do programa

    Promef – Entregas de navios previstas até o final do programa

    Os dois navios bateram quilha no mesmo mês, em setembro de 2009, mas somente em junho de 2010 o Celso Furtado seria lançado ao mar, para entrar em operação no final de 2011. Em maio de 2012, foi a vez do EAS entregar o João Cândido (EAS), primeiro suezmax de uma série de dez contratados ao estaleiro pernambucano. Depois veio outro navio de produtos, Sérgio Buarque de Holanda (do Mauá).

    O Promef havia definitivamente içado a âncora da indústria naval, que desde então, ainda que com alguns contratempos, tem buscado cumprir o cronograma de entregas. Já foram entregues mais dois suezmax e outros três estão previstos para este ano, de acordo com a Petrobras (veja tabela).

    Nos quatro primeiros meses deste ano, dois navios, entre os quais o suezmax Dragão do Mar, entraram em operação. Outros seis devem ser concluídos até o final do ano, incluindo o panamax Anita Garibaldi, e ainda três comboios hidroviários. Estes, fazem parte do chamado Promef Hidrovia, que tem 20 empurradores e 80 barcaças para transportar até 4 bilhões de litros de etanol, frota anualmente em construção no Estaleiro Rio Tietê (em São Paulo).

    Petróleo & Energia, Frota de apoio da Petrobras

    Frota de apoio da Petrobras

    Em julho deste ano, o suezmax João Cândido realizou a primeira viagem internacional, transportando um milhão de barris de petróleo do Campo de Lula, no pré-sal da Bacia de Santos, para terminais petrolíferos na costa do Chile.

    Petroleiros e navios de produtos, incluindo os gaseiros, são cruciais para alavancar a logística da Petrobras, tanto no transporte de derivados de petróleo, como gasolina, querosene, óleo combustível e lubrificantes, na cabotagem, ao longo da costa brasileira e de rios como o Amazonas, e de longo percurso, rumo a outros mercados.

    No total, o Promef já tem comprometido investimentos da ordem de R$ 11,2 bilhões na encomenda de 49 navios e 20 comboios hidroviários. E é responsável pela geração de 15% de todos os postos de trabalho diretos da indústria naval brasileira. Novas fases do Promef são aguardadas para este e os próximos anos.

    Depois de atender a duas premissas – construir navios no Brasil com índices de no mínimo 65% de conteúdo nacional na primeira fase, e de 70% na segunda fase, assegurando a curva de aprendizado –, a indústria naval tem de buscar a produtividade e competitividade internacional para alcançar um desenvolvimento sustentável.

    Uma das ferramentas que pretende auxiliar o setor a cumprir essa meta é o Sistema de Acompanhamento da Produção (SAP), que tem como função avaliar os processos produtivos dos estaleiros e sugerir alternativas para melhoria da produtividade. O desafio está lançado.


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