Promef e Prorefam aquecem a construção naval

Petróleo & Energia, Marintec Sout America 2014: Indústria naval acerta o curso para a internacionalização

Petróleo & Energia, Rodadas do Prorefam (3ª fase)
Rodadas do Prorefam (3ª fase)

Ao ser lançado, em 2004, o Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), da Transpetro, foi visto com certa reticência pela indústria naval, que vinha amargando mais de duas décadas de estagnação, sem uma política industrial definida para o setor por parte do governo federal. Havia apenas uma iniciativa da Petrobras em andamento, o Programa de Renovação da Frota de Apoio Marítimo à Exploração e Produção (Prorefam), criado em 1999, por meio do qual a petroleira buscava montar uma frota local para atender a demanda de apoio ao volume crescente de operações offshore na Bacia de Campos.

Enquanto a construção de barcos de apoio ganhava ritmo, ainda que sem configurar um grande salto, o Promef demorou quatro anos a sair do papel, evidenciando um hiato temporal entre a sua criação e a realização da primeira fase do programa, que previa a contratação e construção de 26 navios petroleiros.

Processo prolongado também pela construção, em simultâneo, do Estaleiro Atlântico Sul, em Pernambuco (primeiro passo da descentralização dessa indústria), onde se construía o navio João Cândido, enquanto o Estaleiro Mauá, em Niterói-RJ, reunia forças para concluir o Celso Furtado.

Petróleo & Energia, Promef - Entregas de navios previstas até o final do programa
Promef – Entregas de navios previstas até o final do programa

Os dois navios bateram quilha no mesmo mês, em setembro de 2009, mas somente em junho de 2010 o Celso Furtado seria lançado ao mar, para entrar em operação no final de 2011. Em maio de 2012, foi a vez do EAS entregar o João Cândido (EAS), primeiro suezmax de uma série de dez contratados ao estaleiro pernambucano. Depois veio outro navio de produtos, Sérgio Buarque de Holanda (do Mauá).

O Promef havia definitivamente içado a âncora da indústria naval, que desde então, ainda que com alguns contratempos, tem buscado cumprir o cronograma de entregas. Já foram entregues mais dois suezmax e outros três estão previstos para este ano, de acordo com a Petrobras (veja tabela).

Nos quatro primeiros meses deste ano, dois navios, entre os quais o suezmax Dragão do Mar, entraram em operação. Outros seis devem ser concluídos até o final do ano, incluindo o panamax Anita Garibaldi, e ainda três comboios hidroviários. Estes, fazem parte do chamado Promef Hidrovia, que tem 20 empurradores e 80 barcaças para transportar até 4 bilhões de litros de etanol, frota anualmente em construção no Estaleiro Rio Tietê (em São Paulo).

Petróleo & Energia, Frota de apoio da Petrobras
Frota de apoio da Petrobras

Em julho deste ano, o suezmax João Cândido realizou a primeira viagem internacional, transportando um milhão de barris de petróleo do Campo de Lula, no pré-sal da Bacia de Santos, para terminais petrolíferos na costa do Chile.

Petroleiros e navios de produtos, incluindo os gaseiros, são cruciais para alavancar a logística da Petrobras, tanto no transporte de derivados de petróleo, como gasolina, querosene, óleo combustível e lubrificantes, na cabotagem, ao longo da costa brasileira e de rios como o Amazonas, e de longo percurso, rumo a outros mercados.

No total, o Promef já tem comprometido investimentos da ordem de R$ 11,2 bilhões na encomenda de 49 navios e 20 comboios hidroviários. E é responsável pela geração de 15% de todos os postos de trabalho diretos da indústria naval brasileira. Novas fases do Promef são aguardadas para este e os próximos anos.

Depois de atender a duas premissas – construir navios no Brasil com índices de no mínimo 65% de conteúdo nacional na primeira fase, e de 70% na segunda fase, assegurando a curva de aprendizado –, a indústria naval tem de buscar a produtividade e competitividade internacional para alcançar um desenvolvimento sustentável.

Uma das ferramentas que pretende auxiliar o setor a cumprir essa meta é o Sistema de Acompanhamento da Produção (SAP), que tem como função avaliar os processos produtivos dos estaleiros e sugerir alternativas para melhoria da produtividade. O desafio está lançado.

Petróleo & Energia, O quadro geral dos navios contratados (operadores locais)
O quadro geral dos navios contratados (operadores locais)

Apoio marítimo – Por causa do incremento das atividades offshore ao longo da costa brasileira, o segmento de apoio marítimo teve uma rápida expansão na última década, ainda que o Prorefam tenha completado 15 anos. A terceira fase desse programa começou em 2008, com a meta de contratar 146 embarcações de apoio até 2014, mediante sete rodadas de leilões, das quais seis foram realizadas até agora – a sétima deve ocorrer em outubro.

Em 2005, havia 27 empresas de apoio marítimo operando uma frota de 165 navios, dos 74 navios de bandeira brasileira. Uma década depois, já são 50 as empresas em operação, de um total de 139 empresas brasileiras de navegação (EBN), classificação obrigatória para atuar no mercado local, registradas na Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Petróleo & Energia, Operadores estrangeiros
Operadores estrangeiros

Segundo estimativa da Abeam, a frota em operação no Brasil chega a 450 navios (211 de bandeira brasileira e 239, internacional). Mas a expectativa é de nova expansão até 2020, quando se somarão a essa frota mais 236 navios, totalizando 686 embarcações de apoio (386 de bandeira internacional e 300, brasileira).

A despeito do Prorefam, as bandeiras estrangeiras lideram nos segmentos de maior valor de diárias, como os PSV, AHTS, PLSV e RSV. Os gastos em apoio marítimo em 2013 somaram em torno de US$ 4,5 bilhões, nas estimativas da Abeam.

Números que poderiam ser piores, caso o Prorefam não tivesse contratado, nas cinco primeiras rodadas, um total de 87 barcos, dos quais 26 estão em operação e 61, em construção.

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