Biocombustíveis

Programa Renovabio eleva demanda e reduz a poluição – Biocombustíveis

Hamilton de Almeida
27 de fevereiro de 2019
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    Desafio – O principal desafio atual e dos próximos meses está centrado nos reflexos para o Brasil da guerra comercial entre a China e os Estados Unidos, que vem pressionando a oferta interna de soja em grão e menor disponibilidade para a indústria de esmagamento.

    Por isso, o presidente da Ubrabio, Juan Diego Ferrés, propôs, durante o mais importante evento de biodiesel, realizado entre 5 e 6 de novembro passado, criar um mecanismo de política compensatória, justamente para evitar a escassez da oferta de farelo para alimentação das cadeias de proteínas animais e, consequentemente, de óleo necessário para sustentar o crescimento da produção de biodiesel.

    Mesmo que o governo brasileiro esteja se esforçando nos entendimentos com o país asiático no sentido de abrir mercado para o farelo de soja produzido no Brasil e não somente o suprimento de soja in natura, a Ubrabio entende que “é inadiável o emprego de medidas que estimulem o processamento interno de soja que, além de ampliar a oferta interna de farelo para produção de ração animal, contribuindo para baratear as carnes e lácteos no mercado local, garantirá a oferta de óleo para o biodiesel”.

    Do ponto de vista ambiental, Tokarski diz que é importante diferenciar conceitualmente o PNPB (Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel) do RenovaBio. O PNPB é um programa que tem como objetivo final a evolução da produção e uso de biodiesel no Brasil, observando a integração e o desenvolvimento de todos os elos da cadeia, e tendo a sustentabilidade socioeconômica e ambiental como pilar.

    Por sua vez, o RenovaBio é uma política de descarbonização, desenhada no contexto dos acordos internacionais de redução de emissões de gases geradores de efeito estufa, com o objetivo de contribuir com a NDC Brasileira. Para isso, cria mecanismos para reconhecer o papel dos biocombustíveis nesse processo, priorizando a eficiência energética e a capacidade de redução de emissões de gases de efeito estufa dos renováveis.

    Neste sentido, “ambas as políticas tendem a caminhar juntas, uma vez que a tendência é de ampliação do uso do biodiesel diante da janela de oportunidade que observamos hoje no país: de um lado, a necessidade de substituição dos combustíveis fósseis; de outro, a eletrificação que vai demandar uma nova infraestrutura. No meio disso, os biocombustíveis são uma oportunidade ímpar para o Brasil, que conta com vocação agrícola e biodiversidade que precisam ser aproveitadas de forma sustentável para gerar riquezas para a população”, assevera Tokarski.

    Investimentos – Levando-se em conta a meta de redução de 10,1% nas emissões de gases de efeito estufa, prevista pelo RenovaBio até 2028, Minelli estima que “a cadeia produtiva como um todo deverá receber R$ 22 bilhões em investimentos na próxima década. Ou seja, não só há plenas condições de atender ao aumento da demanda como se vislumbra um cenário de oportunidades para os próximos anos”.

    Calcula-se que já foi investido na produção do biodiesel no país algo em torno de R$ 5 bilhões. A soja é a principal matéria-prima. Em 2017, conforme dados do Anuário Estatístico Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis 2018, da ANP, o uso do grão correspondeu a 71,6% dos insumos utilizados, seguido de gordura animal (principalmente bovina, mas também de porco e de frango), com 16,8%.

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    Entre os demais materiais graxos utilizados na cadeia produtiva de biodiesel, merece destaque o óleo de palma, com potencial de crescimento em regiões de zoneamento agroecológico no Norte do país, e o óleo de fritura usado, que no Sudeste chega a responder por 7% da matéria-prima utilizada pela indústria.

    Indagado sobre os maiores desafios para garantir a qualidade, Minelli, da Aprobio, respondeu que produzir e comercializar biodiesel, um produto biodegradável, tem os seus requisitos. “Com uma logística de ciclos curtos, tal característica possui um peso menor. Com o aumento da mistura, o biodiesel começa a sofrer outras influências, inclusive a sua interação com o diesel. O setor sempre esteve atento a este comportamento avaliando possíveis aperfeiçoamentos nas boas práticas de manuseio dos combustíveis e/ou especificações”.

    O segmento conta hoje com 51 usinas, com capacidade de produção anual de 8,45 bilhões de litros, gerando cerca de 200 mil empregos diretos e indiretos.



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