Outros

Produtos multifuncionais melhoram qualidade da água em caldeiras

Petroleo e Energia
5 de dezembro de 2018
    -(reset)+

    Aminas e poliaminas – Além desse polímero para caldeiras de baixa e média pressão, a Kurita tem procurado divulgar uma solução para as de alta pressão. Trata-se de uma nova geração das aminas fílmicas, denominada Cetamine, tecnologia agregada ao portfólio da empresa quando, em 2015, houve a aquisição da BK Giulini, subsidiária europeia da israelense ICL, uma grande fabricante de fertilizantes e compostos fosfatados. As aminas são produzidas em fábricas na França e Alemanha.

    As aminas fílmicas funcionam da seguinte forma: um extremo da molécula é adsorvido no metal, formando um filme, enquanto o outro extremo tem propriedade hidrofílica, repelindo a água. A dosagem dessas aminas cria, portanto, uma camada anticorrosiva na superfície interna da caldeira. A versão da Kurita, cuja molécula é protegida por patente, segundo o gerente de tecnologia, Antonio Ricardo de Carvalho, tem maior estabilidade do que as convencionais, baseadas em octadecilamina (ODA). Dosada em mais de 2 mil caldeiras no mundo, a Cetamine, ainda segundo Ricardo, tem como diferencial principal o know-how de aplicação acumulado. Como disse, o sistema remove depósitos de ferro fracamente aderidos nas superfícies de troca térmica, confere proteção adicional contra corrosão, estabiliza a camada de magnetita do metal, gerando melhoria na troca térmica dos equipamentos, e confere facilidade operacional por permitir dosagem única do produto.

    Outra competidora importante do mercado, a Suez, que incorporou a GE Water and Process, tem também um novo sistema de aminas. Trata-se da tecnologia de poliamina, que combina em um só produto as aminas fílmicas com as neutralizantes, necessárias para combater a corrosão ácida provocada pelo ácido carbônico (resultado da decomposição térmica dos íons de carbonato e do bicarbonato) presente no condensado nas caldeiras. As neutralizantes são dosadas na caldeira e, por serem produtos alcalinos voláteis, evaporam-se com a água para depois, quando se condensarem, neutralizarem o circuito que tenderia a ficar com o pH rebaixado por conta do ácido carbônico.

    A solução da Suez de poliaminas, segundo o vice-presidente da Suez Water Technologies and Solutions América Latina, Eduardo Pavani, está sendo utilizada no Brasil principalmente em caldeiras de usinas de açúcar e álcool, nas caldeiras de média pressão para cogeração de energia. “Para o controle de vapor e condensado, sempre um amina depende da outra para o bom desempenho, agora conseguimos promover a sinergia do tratamento, o que gera benefícios de custo para os clientes”, explica Pavani.

    Sinergia, aliás, tem sido a palavra de ordem para a Suez, que nos últimos anos integra as operações da importante aquisição dos negócios em água da GE e, ainda, da anterior incorporação, a da operação da Degrémont. Segundo Pavani, a nova atuação verticalizada permite que o grupo tenha em seu escopo EPC (engineering, procurement and construction), know-how forte da Suez, assim como o de operação e manutenção, com as especialidades em tratamentos químicos e equipamentos de filtração (membranas de ultrafiltração, microfiltração e osmose reversa) trazidos da GE. Isso tudo complementando ainda com a infinidade de soluções de sistemas e equipamentos da Degrémont. “Importante salientar que a bandeira única da empresa agora é Suez”, diz.

    Nessa fase, a Suez procura também mostrar novas soluções ao mercado, visando simplificação e aperfeiçoamento do tratamento. Na área química, outra novidade é o terpolímero (BTP) Solus, de alta eficiência e baixo custo, para dosagem única e em baixa quantidade, para caldeiras de baixa e média pressão. A função é promover controle de dureza e de depósitos de ferro, com controle facilitado por meio de medidor de polímero ou via traçante.

    Uma outra aposta em introdução é um novo sistema denominado Chemistry Modelling System (CMS), voltado para melhorar o tratamento químico e proteção dos geradores de vapor. Baseado em software de modelagem, o sistema cria o chamado “gêmeo digital” da caldeira e/ou do sistema de vapor completo. Esse sistema simula, a partir das amostras de água de entrada e da reunião de todos os parâmetros de operação (pré-tratamento, combustível, configuração e tipo de caldeira), o impacto dos químicos e dos contaminantes no circuito de geração de vapor. Com a simulação, é possível prescrever tratamento otimizado e prever o balanço da água e a operação ideais a serem alcançados na operação real. Segundo Pavani, há testes sendo feitos em clientes no Brasil.

    Também consta como nova tecnologia o analisador TrueSense, que faz o controle e o monitoramento online do tratamento químico das caldeiras de baixa e média pressão. O diferencial, segundo explica o vice-presidente, é a análise do equipamento ser feita diretamente sobre os produtos químicos dosados, o que garante maior eficiência energética e de qualidade da água. Esse analisador se integra à plataforma digital de monitoramento remoto InSight da Suez.

    A companhia aposta também no crescimento do mercado de aluguel de unidades móveis, montadas em carretas e em várias configurações para desmineralização de água de caldeiras. Com uma frota de cem unidades, segundo Pavani, hoje a metade está alocada em clientes. Aliás, recentemente, com a greve de caminhoneiros, houve uma disparada de procura por essa modalidade. Isso porque várias empresas ficaram sem receber soda cáustica e ácido sulfúrico para as regenerações das colunas de troca iônica. O difícil, porém, deve ter sido levar os caminhões com as unidades móveis até o destino.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *