Petróleo e Energia

Produção offshore une esforços de pesquisa da cadeia do petróleo

Bia Teixeira
29 de julho de 2013
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    O painel realizado na parte da manhã teve repercussão e público, pois, além de Foster, reunia representantes de mercados em alta neste setor – o ministro angolano do Petróleo, José de Vasconcelos; o ministro da Indústria, Turismo e Investimentos do Canadá, David Ramsey; e o diretor de Exploração e Produção da mexicana Pemex, Carlos Morales-Gil – e era mediado pelo responsável pela programação da OTC, Gamal Hassan, diretor global das NOCs (National Oil Companies), da Baker Hughes, uma das gigantes da cadeia de fornecedores.

    A Petrobras e o Brasil estiveram entre os “pratos principais” na hora do almoço, quando o gerente executivo do pré-sal, Carlos Tadeu da Costa Fraga, falou sobre os avanços consolidados desde as primeiras descobertas, em 2005. Ele ressaltou que a Petrobras atingiu 200 mil barris dia em menos de cinco anos, tendo já extraído quase 200 milhões de barris desta camada neste período. E lembrou que o desenvolvimento do pré-sal vem sendo feito em menos tempo que o de outras grandes regiões produtoras do mundo, como o Mar do Norte, o Golfo do México e até a Bacia de Campos.

    Foi a quarta vez que o pré-sal entrou na pauta da Petrobras na OTC. A primeira foi em 2009, quando a ênfase foi dada à estratégia de desenvolvimento; em 2010, foram destacados os desafios tecnológicos; em 2011, a estatal discorreu sobre os primeiros resultados dos testes de longa duração e do projeto piloto do campo de Lula; e, em 2012, levantou acampamento da OTC, e contou apenas com a participação de técnicos nas sessões.

    Duas horas depois deste almoço verde-amarelo, que contou com a participação também da Total e da Shell, Foster retornaria ao centro das atenções em evento inédito, preparado pela OTC especialmente para a executiva: “Wise: Mulheres da Indústria Dividindo Experiências”, no qual foi palestrante única.

    Foster, que também presidiu a BR Distribuidora e a Petroquisa, e foi diretora de Gás e Energia da estatal, falou de sua trajetória no setor, onde já ocupou vários postos: desde a gerência de Desenvolvimento de Mercado de Gás da TBG (Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil) até a Secretaria de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis, do Ministério de Minas e Energia (MME), então sob o comando de Dilma Rousseff. Ela lembrou que foi acompanhando a atual presidente da república, que participou pela última vez da OTC, em 2004. “A diversidade não é um problema, pelo contrário, é uma vantagem competitiva das corporações”, disse a presidente para mais de 200 mulheres e homens presentes.

    Expertise brasileira – Na realidade, o poder de fogo das mulheres brasileiras nesse campo vai mais além da Petrobras: o ranking de saias e capacetes inclui a baiana Ieda Correia Gomes, de 46 anos, vice-presidente mundial da British Petroleum (BP), e Magda Chambriard, diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

    Petróleo & Energia, Solange: projeto uniu empresas em pesquisas para águas profundas

    Solange: projeto uniu empresas em pesquisas para águas profundas

    Sem falar que quem ‘abriu os trabalhos’ da Petrobras nesta OTC, no primeiro dia do evento, 6 de maio, foi Solange Guedes, gerente executiva de Engenharia de Produção da área de Exploração e Produção da estatal, no painel “Global Deepwater Technology Development”. O mote é justamente um exemplo de que parceria é mais do que uma filosofia no novo cenário global: o projeto DeepStar, que resultou em uma organização com foco em pesquisa e desenvolvimento de tecnologia para exploração e produção de petróleo em águas profundas, é fruto da união entre as principais empresas de energia do mundo.

    Com mais de 250 presentes, este painel praticamente foi o pontapé inicial da OTC e reuniu também executivos da BP, Chevron, ConocoPhillips, Total e da FMC (outra grande fornecedora global do setor offshore). Solange Guedes destacou as oportunidades de desenvolvimento tecnológico geradas com a descoberta do pré-sal e que reforçaram a colaboração entre empresas e universidades, possibilitando o início da produção em menos de três anos.

    Reforçando a premissa de que a tecnologia é o coração dessa indústria, ela pontuou os avanços consolidados nas áreas de desenvolvimento, principalmente em soluções para a caracterização de reservatórios, perfuração e completação de poços, sistemas de equipamentos submarinos, integridade de instalações, e processamento e tratamento de CO2.

    Ela frisou que esses resultados são fruto também da iniciativa da Petrobras, na década de 1980, de criar programas estratégicos de sucesso comprovado como o Procap (Programa de Capacitação Tecnológica em Águas Profundas), que viabilizou a maior parte das soluções para a Bacia de Campos. “Hoje, o Procap Visão Futuro busca antecipar necessidades, prover e aperfeiçoar tecnologias”, salientou. Dentro da visão de futuro da Petrobras, estão os projetos pioneiros conduzidos pela estatal fora do Brasil, como é o caso dos campos de Cascade e Chinook, em produção na porção americana do Golfo do México. Tema de uma das sessões técnicas do primeiro dia da OTC, o projeto, que colocou em operação um FPSO (navio plataforma flutuante de produção, com capacidade de estocagem e escoamento), pela primeira vez na história offshore desta bacia, foi abordado por vários profissionais da estatal.



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