Preço do diesel fecha com alta de 36,4% no primeiro semestre do ano

Custo do transporte de produtos industriais e agrícolas pode gerar alta desenfreada dos preços

De acordo com dados do último levantamento do Índice de Preços Ticket Log (IPTL), o preço do diesel comum fechou o mês de junho com média de R$7,87. Valor 9,8% mais caro se comparado a maio. 

Em contrapartida, o diesel S-10, comercializado a R$ 8 nos postos de abastecimento do País, registrou alta de 9,9%. Neste primeiro semestre do ano, os dois combustíveis fecham o período com altas de 36,4% e de 37,3%, respectivamente. Essa é a primeira vez em 12 anos de história do IPTL que o preço do diesel passa o da gasolina, que fechou a R$ 7,56.

No recorte por Estado, não houve recuo no valor dos dois tipos de diesel e o Acre apresentou o maior preço médio para o comum, comercializado a R$ 8,05, com alta de 3,64%, no comparativo com o mês passado. Bem como, o acréscimo mais expressivo para esse combustível foi identificado nas bombas de abastecimento do Amapá (5,40%), que passou de R$ 7,52 para R$ 7,93. O Rio Grande do Sul se destacou com o menor preço médio (R$ 6,96), porém com aumento de 4,33%.

O diesel S-10 mais caro foi vendido nos postos de abastecimento do Amapá, a R$ 8,17, com alta de 4,05%. Além de apresentar o menor preço médio para o diesel comum, o Rio Grande do Sul também registrou a menor média para o S-10, a R$ 7,05, porém, apresentou o acréscimo mais significativo do País para esse combustível (4,83%).

óleo diesel e combustível

Óleo diesel em alta impacta na inflação

De antemão, a alta nos preços do combustível é preocupante porque impacta diversas etapas da produção agropecuária. A primeira delas, naturalmente, é o frete. Não apenas o transporte dos produtos finais do campo para a cidade deve ficar mais caro como também o deslocamento de insumos, gerando um efeito cascata no setor.

É inviável para as transportadoras manter o custo do frete inalterado com tamanho aumento no preço dos combustíveis. Já que, para as empresas, ele corresponde a cerca de 35% das despesas, podendo chegar a 50% para os autônomos.

O agronegócio também precisa do diesel para o uso de diversos tipos de maquinário, como tratores, colheitadeiras e geradores de eletricidade.

Sendo assim, o preço do diesel tem impacto direto nos custos de produção, que podem aumentar 90% no cultivo de grãos, de acordo com estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A CNA fez uma análise de vários meses em relação ao preço pago pelo diesel. Para alguns produtores, o impacto nos custos pode chegar a 93%.

Em suma, o aumento dos custos de combustível está ameaçando acelerar ainda mais a inflação global de alimentos. O transporte já é um dos mais caros para levar as lavouras dos campos até seus destinos finais, que no caso da soja pode ser uma operação de alimentação de gado ou de processamento de alimentos.

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