Economia

Plano de negócios: Petrobras concentra recursos em E&P para melhorar resultado

Bia Teixeira
16 de junho de 2014
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    Petróleo & Energia, P-55 iniciou suas operações em Sapinhoá

    P-55 iniciou suas operações em Sapinhoá

    Reiterando a palavra da presidente da estatal, Maria das Graças Foster, a Petrobras comprovou ter pressa em fazer as pazes com os investidores e a opinião pública. Às vésperas da festa do Carnaval, a companhia resolveu matar três coelhos de uma só cajadada: anunciou os resultados de 2013, o Plano de Negócios e Gestão 2014-2018 e, ainda, o cenário para 2030 em uma única sessão.

    A Petrobras registrou um lucro líquido de R$ 23,570 bilhões – superior apenas aos resultados de 2012 e 2007, de R$21,2 e R$21,5 bilhões respectivamente. Um crescimento de apenas 11% em relação ao ano anterior (2012). E que foi consolidado, em boa parte, graças ao reajuste nos preços do diesel (20%) e da gasolina (11%) e o aumento da produção de derivados no país. A estatal contabilizou ainda ganhos com venda de ativos, além de melhorias operacionais e o programa de otimização de custos (Procop) – que assegurou uma economia de R$ 6,6 bilhões, segundo a petroleira –, e menores baixas de poços secos.

    Petróleo & Energia, Foster fechou a “boca de jacaré” dos gráficos

    Foster fechou a “boca de jacaré” dos gráficos

    Segundo Foster, os chamados programas estruturantes, como o Procop, Prodesin (desinvestimentos), Proef (melhoria da eficiência operacional na bacia de Campos), Prolog (logística) e PRC-Poço (redução de custos em poços) tiveram um impacto positivo de R$ 14,7 bilhões no caixa. Essa matemática não ficou muito clara, pois somente a petroleira conhece esses números.

    Também contribuiu para esse lucro o menor impacto cambial das despesas e outros custos, devido à contabilidade de hedge, que vem sendo adotada por várias empresas, como a Braskem, entre outras.

    Curiosamente, o lucro da petroleira, que há dois anos vem passando por um verdadeiro choque de gestão e de mudança de cultura, é quase o mesmo de uma década atrás (2005), de R$ 23,7 bilhões. Foi o maior da estatal até então, em 52 anos de atividades. E “40% superior ao do ano anterior” (2004).

    No entanto, é um resultado pífio considerando que nessa década a indústria de óleo e gás deu um salto sem precedentes no Brasil. Foi também quando a Petrobras registrou vários lucros recordes, três dos quais acima da casa dos R$ 30 bilhões: o maior de todos em 2010 (de R$35,2 bilhões, 57% acima do ano anterior – maior índice obtido até hoje), seguido pelos resultados de 2008 (R$33,9 bilhões) e 2011 (R$33,3 bilhões).

    Dívida alta – O Ebitda ajustado (lucro líquido antes dos impostos, das despesas financeiras líquidas, depreciação e amortização) atingiu R$ 62,967 bilhões, com elevação de 18% em relação ao de 2012. É o maior de todos na década, superando o de 2011, que foi de R$62,246 bilhões (quando o lucro obtido chegou a ser dez bilhões acima do atual).

    As semelhanças param por aí. Ainda que o Ebitda reflita a lucratividade da companhia, sendo usado por quem fornece capital para avaliar se a empresa é capaz de pagar suas dívidas, e também por analistas e investidores, para avaliar a capacidade da empresa de gerar resultados, o nível de endividamento da Petrobras preocupa.

    De 2012 para 2013, o endividamento líquido, em reais, passou de 147,8 bilhões para 221,6 bilhões (ou de US$ 72,3 bilhões para US$ 94,6 bilhões). Um aumento de 50% na dívida, que hoje é mais do que o quádruplo da registrada em 2008 – R$ 48,8 bilhões –, quando foi deflagrada a maior crise financeira do novo século, que impactou as maiores economias do mundo.

    Foster reconhece que reduzir o endividamento é prioridade e que tem um prazo de 24 meses, estabelecido pelo conselho de administração, para aliviar o indicador de endividamento líquido/Ebtida (ou seja, dívida/geração de caixa) dos atuais 3,52 para 2,5. Ela já antecipou que isso não será feito nos primeiros doze meses, levando em consideração o próprio plano de negócios (PNG) para 2014-2018, prevendo investimentos de US$ 220,6 bilhões. Muito embora esse número aponte uma redução de US$ 15,4 bilhões (6,8%) em relação ao PNG anterior, com investimentos de US$ 236 bilhões para 2013-2017.

    Esse corte compensaria os R$ 20,1 bilhões em investimentos extrapolados em 2013: o previsto era R$ 84,1 bilhões, mas o realizado foi R$ 104,4 bilhões. Foi a maior cifra de investimentos já apresentada em 60 anos da estatal, segundo Graça Foster. E também compensaria os US$ 6 bilhões pagos pela Petrobras pelo bônus de assinatura do campo de Libra, no pré-sal da bacia de Santos, relativos aos 40% por ela detidos nesse ativo. O restante cabe aos demais sócios do consórcio, que é integrado também pela anglo-holandesa Shell (20%), a francesa Total (20%) e as estatais chinesas CNPC e CNOOC (10% cada).



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