Petróleo e Energia

Petroquímica: Gás barato e acesso a mercados estimulam a investir no México

Marcelo Fairbanks
22 de junho de 2016
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    A produção de PEBD convencional seguiu a mesma orientação. Há anos que os investimentos mundiais nessa resina vêm diminuindo. Com o aumento da demanda – pequeno a cada ano, mas estável –, os preços subiram e justificam a opção. A tecnologia selecionada foi a Lupotech T, da LyondellBasell, com reator tubular de alta pressão cercado por grossas paredes de concreto, como um bunker.

    As resinas de alta densidade serão vendidas principalmente para produtores de frascos e tambores para produtos de limpeza, químicos e alimentos, mas também para caixas d’água, baldes e tubos. O PEBD, por sua vez, será consumido para fabricar sacaria industrial e filmes de alta transparência para contato direto com alimentos, produtos congelados e de uso agrícola. O polímero de baixa densidade convencional é o material mais adequado para a confecção da camada intermediária de embalagens laminadas, por apresentar adesividade natural.

    “No PEAD, produziremos inicialmente 12 grades que atenderão às principais aplicações de extrusão, sopro e rotomoldagem dos nossos clientes”, explicou Paiva Leite. Ele comanda o pré-marketing do projeto desde o início, em 2012, com resinas importadas de outras unidades produtoras com tecnologias idênticas às adotadas pelo complexo petroquímico. Esse trabalho permitiu conhecer a indústria mexicana de transformação de plásticos, que é muito diversificada e pulverizada. “Identificamos a existência de 500 transformadores de grande porte, que são os clientes em potencial do nosso empreendimento”, comentou. “Já fazemos negócios com 350 destes.”

    Os planos da Braskem-Idesa – consórcio no qual a brasileira detém 75% de participação, ao lado do grupo mexicano, com 25% – preveem colocar de início cerca de 500 mil t/ano no mercado do México. Em cinco anos, essa quantidade deverá subir para 900 mil t/ano.

    Isso não quer dizer que o projeto ficará ocioso. A taxa de ocupação esperada para 2016 chega a 90%, mesmo considerando a curva de aprendizado da partida, que será conduzida de forma escalonada. A proximidade e a facilidade de escoamento da produção para os Estados Unidos garantem a colocação de grandes volumes da resina mexicana.

    “O complexo Braskem-Idesa é o primeiro grande investimento petroquímico da nova era do setor, que será abastecida com o shale gas americano, com preços baixos”, afirmou Paiva Leite. Há quase duas dúzias de projetos de crackers de gás e de plantas de polietileno em construção nos Estados Unidos, mas poucos partirão antes de 2017. Portanto, o investimento prestes a entrar em operação terá dois anos para aproveitar a maré e o vento de popa. E, quando a concorrência aumentar, pode se voltar apenas ao mercado doméstico.

    Logística de ponta – A infraestrutura local favorece esse raciocínio. E a Braskem-Idesa investiu para tirar o máximo proveito dela. A área reservada para atividades logísticas se destaca pela flexibilidade no aproveitamento dos modais de transporte. O complexo conta com 21 silos para abrigar 550 t de resinas cada, além de um armazém capaz de manter 14 mil t.

    A plataforma operacional, com 20 hectares ocupados, permite carregar carretas rodoviárias ou vagões de trem (rail cars) – aliás, a joint venture está comprando 1.300 vagões e o seu terminal ferroviário pode abrigar 450 unidades estacionadas. Nas imediações há um porto especializado em cargas químicas e também um terminal de railferry, barcas capazes de levar até 110 vagões de trem para os Estados Unidos em apenas dois dias. O projeto de toda a parte logística contou com apoio da Katoen Natie, que será encarregada de conduzir essas operações.

    É preciso salientar que o México possui tratados comerciais com países que, somados, representam 70% do PIB mundial. Ou seja, caso a demanda norte-americana esmoreça, há vários outros mercados para direcionar a produção.

    Petróleo & Energia, Fadigas: Braskem venderá mais no exterior do que no Brasil

    Fadigas: Braskem venderá mais no exterior do que no Brasil

    Brasil fica mais longe – Enquanto a Braskem-Idesa prepara a partida do seu projeto tinindo de novo, no Brasil a atividade petroquímica amarga outro adiamento para a decisão sobre o contrato de suprimento de nafta que está sendo negociado com a Petrobras. O prazo fatal foi postergado para meados de dezembro, mas não há a menor garantia de que o impasse seja resolvido até lá.

    “Este projeto que estamos concluindo aqui no México poderia ter sido construído no Rio de Janeiro, mas não tivemos acordo para recebermos gás natural em quantidade suficiente e preço competitivo”, comentou Carlos Fadigas, presidente da Braskem. Como esse problema vem se arrastando há anos (ou décadas), a companhia acelerou seus investimentos fora do Brasil. E está sendo bem sucedida. A partir de 2016, com as plantas mexicanas rodando cheias, pela primeira vez em sua história a companhia obterá mais de 50% de seu faturamento com vendas realizadas fora do Brasil – considerando a exportação de resinas fabricadas no país, mas também sua produção nos Estados Unidos, México e na Alemanha.



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