Petróleo e Energia

Petroleiras do Oriente Médio reforçam posição global – Petroquímica

Petroleo e Energia
21 de maio de 2019
    -(reset)+

    Química e Derivados, Petroleiras do Oriente Médio reforçam posição global - Petroquímica

    Enquanto a onda do craqueamento de gás natural nos Estados Unidos apoiada no crescimento do shale gas ganha muita atenção, as grandes produtoras de petróleo e gás do Oriente Médio alinham megaprojetos que poderão alterar a paisagem petroquímica global a partir de 2025.

    Comanda essa mudança a crescente percepção que a demanda por petróleo nos transportes vai se acomodar com a eletrificação de veículos e o aumento da eficiência do uso dos combustíveis. Assim, o futuro dos hidrocarbonetos não está na gasolina e no diesel, mas nos produtos químicos, cuja demanda deve continuar crescendo com o PIB. E está claro que as grandes petroleiras não estão mais satisfeitas em ser apenas provedoras de matérias-primas para as indústrias a jusante na cadeia produtiva.

    Os US$ 45 bi de Abu Dhabi – A Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dahbi (ADNOC) quer obter o máximo valor possível a partir do barril de petróleo mediante a produção petroquímica, disse o CEO, o sultão Ahmed Al Jaber. A companhia embarcou em um plano de investimento de US$ 45 bilhões com o objetivo de mais do que triplicar sua capacidade petroquímica no site de Ruwais, de 4,5 milhões de toneladas/ano em 2016 para 14,4 milhões de t/ano em 2025, além de adicionar novas cadeias produtivas a jusante em químicos para construção, insumos para campos de petróleo, surfactantes e detergentes.

    Em fevereiro de 2019, a joint venture paritária (50/50) Borouge firmou contratos de engenharia básica e design (FEED) para a quarta fase de sua expansão em Ruwais, que incluirá um cracker de alimentação flexível para 1,8 milhões de t de etileno por ano e uma capacidade total de 3,3 milhões de t/ano de olefinas e aromáticos. Será o primeiro cracker no país a usar cargas mistas, combinando etano, butano e nafta.

    “O Oriente Médio está ficando sem gás natural barato. Todos os novos projetos têm alimentação mista, com uma combinação típica aproximada de 35% etano e 65% de propano, butano e nafta, que não é tão vantajosa quanto o etano”, disse Hassan Ahmed, analista da Alembic Global Advisors, empresa de pesquisa de investimentos com sede nos EUA.

    Enquanto ADNOC e a Borealis, sua parceira na joint venture, planejam terminar a configuração do downstream em um prazo de três meses após a assinatura do contrato de FEED, incluindo unidades de polietileno (PE) e polipropileno (PP).

    Aramco investe US$ 100 bi – O complexo produtivo do tipo óleo cru para químicos (crude oil to chemicals, COTC) planejado pela Saudi Aramco e Sabic em Yanbu (Arábia Saudita) é, talvez, o mais observado projeto do mundo e pode ter profundas implicações no setor petroquímico.

    Em março, a Aramco concordou em comprar do Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita uma posição de 70% na Sabic, uma transação de US$ 69,1 bilhões, assumindo o controle e efetivamente consolidando os gigantes de energia e químicos do reino saudita em uma potência internacional integrada.

    Com um orçamento estimado em US$ 30 bilhões e um processo para converter 400 mil barris por dia de óleo cru em 9 milhões de t/ano de químicos e óleos básicos, o megacomplexo Aramco/Sabic deve dar partida em 2025. O plano inicial era converter 45% de cada barril em derivados petroquímicos. No entanto, a Aramco pretende expandir esse percentual por meio do aprimoramento de sua tecnologia própria. A companhia acredita ser possível chegar a uma taxa de conversão de 60% a 70% de óleo em petroquímicos com essa tecnologia.

    Produtos petroquímicos representam em média 10% a 15% da produção mundial das refinarias, com amplas diferenças entre complexos integrados. “Nos últimos anos, refinadores vêm aumentando a participação de petroquímicos na sua produção, em detrimento dos combustíveis tradicionais. Algumas das novas refinarias da China podem chegar a 40% de químicos”, como afirmou Stefano Zehnder, vice-presidente de consultoria da Icis. “Na Arábia Saudita, o conceito básico original de refino está evoluindo rapidamente; fica claro que a Aramco busca alcançar a escala comercial das suas tecnologias de COTC.”

    “Com potencial para incrementos adicionais a partir da base de 45% de conversão, isso indica capacidades de petroquímicos e óleos básicos além de 9 milhões de t/ano. A configuração final será definida pelo balanço desejado da produção de petroquímicos, óleos básicos e combustíveis”, aduziu Zehnder.

    Ahmed, da Alembic Global Advisers, salienta que iniciativas COTC singificam “integração e tentativa de aumentar a eficiência das operações tanto no upstream quanto no downstream”. Isso se explica porque “cada nova instalação no Oriente Médio os coloca em um ponto mais elevado na curva de custos”, resultado do uso de cargas mistas.

    A Aramco planeja investir US$ 100 bilhões em petroquímica nos próximos dez anos, como afirmou o CEO Amin Nasser durante o encontro anual da Gulf Petrochemicals Association (GPCA), realizado em Dubai, em novembro de 2018.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *