Petrobras: Plano confirma investimento bilionário em produção, mas impõe corte amplo de custos

Do total de poços perfurados, 57 estão em bacias offshore (no mar), dos quais 38 foram perfurados na camada do pós-sal e 19 no pré-sal. Isso possibilitou à estatal comunicar 22 descobertas à Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), onze delas no pré-sal (dez na Bacia de Santos e uma na de Campos, no prospecto Pão de Açúcar).

Abastecimento sob análise – A área de Abastecimento, que ficou com US$ 64,8 bilhões (27,4% do total a ser investido de 2003 a 2007, uma pequena redução em relação aos US$ 65,5 bilhões previstos anteriormente para refino, transporte e comercialização), é a que tem mais empreendimentos ainda em avaliação. Dos 177 projetos que estão sendo analisados continuamente, e que, portanto, podem ser postergados dependendo dos resultados que sinalizarem ou da queda na curva S de realização (o mantra da nova direção), 73% são dessa área. O que equivale a 130 projetos, no valor estimado de US$ 21,6 bilhões.

Petróleo & Energia, Refino no Brasil: Produção de derivados (milhões bbl / dia)
Refino no Brasil: Produção de derivados (milhões bbl / dia)

O diretor de Abastecimento, José Carlos Cosenza, fez uma apresentação tão concisa quanto os recursos visuais de que dispunha para mostrar a evolução dos empreendimentos na sua área. Dos projetos em implantação (em torno de 160), quase a metade diz respeito à ampliação do parque de refino, para o qual estão previstos US$ 19,4 bilhões. Outros US$ 13,8 bilhões (equivalente a dois terços do que está sendo implantado) são de projetos de ampliação ainda sob avaliação da diretoria.

“A Refinaria Abreu e Lima (Rnest) e o primeiro trem (planta de refino completa) do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) são os dois principais projetos em implantação. Já as refinarias Premium I (Maranhão), Premium II (Ceará) e trem 2 do Comperj estão ainda em fase de projeto e, portanto, sob avaliação.

A Rnest, prevista para iniciar operação em novembro do próximo ano, vai agregar, na primeira fase (trem 1), 115 mil bpd à capacidade de refino da estatal, e outros 115 mil bpd, em maio de 2015, quando o segundo trem for concluído. Já o Comperj, de certo mesmo, deverá começar a processar 165 mil bpd em abril de 2015, com o término das obras do primeiro trem. Assim, um total de 330 mil bpd deverá ser adicionado ao atual parque de refino até 2015.

Esse volume representa apenas um quarto do volume total das refinarias que ainda estão no papel: 1,2 milhão de bpd, distribuídos igualmente pelas três refinarias – 300 mil para o trem 1 da Premium maranhense, prevista para outubro de 2017, o mesmo volume para a unidade similar a ser implantada no Ceará até dezembro do mesmo ano, assim como para o trem 2 do Comperj (janeiro de 2018) e o trem 2 da unidade do Maranhão (outubro de 2020).

Petróleo& Energia, PNG 2013-2017: Curva de produção mantida ©QD
PNG 2013-2017: Curva de produção mantida

“Todas as refinarias, em avaliação ou em construção, são igualmente importantes para a Petrobras”, reafirmou a presidente da petroleira, negando que alguma refinaria possa ser cancelada. Segundo ela, esses empreendimentos serão necessários, de acordo com as projeções da Petrobras, para cobrir um déficit de quase um milhão de bpd em 2020, quando a demanda poderá chegar a 3.380 mil barris.

A empresa conta também com o incremento da capacidade instalada, uma vez que há um volume de US$ 9,2 bilhões sendo alocado na melhoria operacional das unidades em operação (e mais US$ 500 milhões em projetos em avaliação, com o mesmo objetivo). Para tanto, estão em andamento projetos de adequação das carteiras de diesel e gasolina. Na área petroquímica, não foram esclarecidos quais são os projetos que estão em implantação (recebendo US$ 2,4 bilhões) e em avaliação (com recursos estimados em US$ 1,5 bilhão).

Na área de Gás e Energia, do total de US$ 9,9 bilhões estimados pelo PNG para 2013-2017, US$ 5,9 bilhões se referem a projetos em implantação, dos quais US$ 2,6 bilhões em plantas de gás-química. Ou seja: na conversão de gás natural em fertilizantes e outros químicos, como é o caso da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN) III, em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul. Com capacidade para produzir 1,21 milhão de t/ano de ureia e 761 mil t/ano de amônia, será a maior unidade do tipo na América Latina, dobrando a produção nacional de ureia. O restante dos recursos será distribuído em projetos em implantação nos segmentos de malhas (US$ 1,9 bilhão), energia elétrica (US$ 1,4 bilhão) e GNL (US$ 300 milhões).

Dos US$ 4 bilhões previstos para projetos ainda em avaliação, há outros US$ 2 bilhões direcionados para plantas gás-químicas, como a UFN-IV, no Espírito Santo, e a V, em Minas Gerais. A segunda maior fatia, de US$ 1,4 bilhão, será direcionada para projetos na área de energia. Já a malha de gasodutos e plantas de regaseificação de GNL tem provisão de US$ 100 milhões e US$ 500 milhões, respectivamente, para o caso de os projetos serem efetivados. O futuro dirá.

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Um Comentário

  1. Com essa evolução do petróleo eu queria saber como anda as ativações das construções naval, exemplo o antigo estaleiro Ishibras que fica localizado no Caju-RJ.Um forte abraço e sucesso.

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