Economia

Petrobras – Estatal anuncia investimentos para recuperar eficiência operacional e ampliar produção

Marcelo Fairbanks
28 de novembro de 2012
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    Petroleo & Energia, Petrobras - Estatal anuncia investimentos para recuperar eficiência operacional e ampliar produção

    FPS0 Cidade de São Vicente opera no Campo de Tupi

     

    Sob nova direção, a Petrobras divulgou seu plano de negócios para o período de 2012 a 2016 sob o signo da austeridade. A companhia fez uma série de apresentações públicas, desde julho, para reforçar as suas palavras de ordem atuais: aumentar a eficiência operacional e reduzir os custos totais. Com isso, espera reverter o atual quadro de importações crescentes de petróleo e derivados para chegar em 2020, marco final da atual estratégia de longo curso da companhia, no papel de exportadora de hidrocarbonetos.

    A primeira tarefa da administração Maria das Graças Foster, iniciada em fevereiro, após a saída de José Sérgio Gabrielli, que deixou a companhia para assumir uma secretaria no governo da Bahia, será recuperar a credibilidade dos projetos anunciados pela estatal. “Não mais anunciaremos metas que não possam ser atingidas efetivamente”, avisou a nova presidente da Petrobras.

    Dessa forma, o Plano de Negócios (PN) atual precisa ser lido em suas linhas e entrelinhas. Em relação ao PN anterior (2011 a 2015), o valor total de investimentos cresceu de US$ 224,7 bilhões para US$ 236,5 bilhões. No entanto, a estatal divide esse total entre 833 projetos em implantação, com US$ 208,7 bilhões, cuja execução é dada como certa, e uma relação de 147 projetos em avaliação, no total de US$ 27,8 bilhões, cuja implementação é incerta.

    “Cada um desses projetos deve apresentar excelente resultado de viabilidade técnico-econômica e representar um valor presente líquido atraente para a companhia, mas, além disso, deve ser melhor do que outros projetos com os quais disputará os recursos financeiros disponíveis”, explicou Graça Foster. E esse montante poderá até não ser aplicado, caso as finanças corporativas assim exijam.

    A segunda tarefa da nova administração consiste em convencer o principal acionista, representado pelo governo federal do Brasil, a autorizar o aumento dos preços dos derivados de petróleo, especialmente a gasolina e o diesel, cuja defasagem é avaliada por consultores e pela estatal em pelo menos 20%. Neste ano, o governo zerou a cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), de R$ 0,091 por litro de gasolina, para evitar que os aumentos de 7,83% na gasolina e de 3,94% no diesel na porta das refinarias atingissem o bolso dos consumidores finais – e catapultassem os índices de inflação.

    No entanto, sem poder aumentar os preços dos derivados que produz, a estatal pode postergar seus projetos de investimento. Segundo o diretor financeiro da estatal, Almir Barbassa, os investimentos de US$ 246 bilhões serão bancados pela geração de caixa da companhia, avaliada em US$ 136 bilhões até 2016, complementada pelos US$ 15 bilhões a serem obtidos com a venda de ativos (farm out de campos de exploração, por exemplo), e por outros US$ 15 bilhões advindos da liberação de recursos usados em garantia para outras operações (como o suporte ao fundo de pensão dos funcionários). Faltam US$ 80 bilhões para fechar a conta. Esses recursos poderão ser captados como empréstimos ou, melhor ainda, ser em parte bancados pela correção dos preços dos derivados. “A companhia não vai emitir novas ações nem adotar práticas que possam retirar dela a classificação de grau de investimento”, salientou Barbassa. A estatal também reafirmou a meta de manter a relação dívida líquida/Ebitda abaixo de 2,5; e alavancagem menor que 35%.

    Depois de registrar prejuízo de R$ 1,3 bilhão no segundo trimestre de 2012, a Petrobras anunciou medidas para recuperar sua rentabilidade. A companhia iniciou em junho estudos profundos sobre suas operações, mediante os quais identificou 28 oportunidades de reduzir custos sem comprometer a produção, ou seja, ganhar eficiência. Nesse sentido, a diretoria anunciou em outubro as etapas de implementação do Programa de Otimização de Custos Operacionais (Procop).

    “Estimamos que 30% do desembolso anual em operações possa ser manejado, mediante ajustes nos ativos, como plataformas e refinarias, ou em estoques, logística e outros aspectos”, avaliou Graça Foster. Essa parcela não inclui a compra de matéria-prima e derivados, depreciação e amortização e participações governamentais (consideradas não-manejáveis). Como a estatal registrou despesas operacionais de R$ 199 bilhões em 2011, pode-se imaginar um potencial para corte de custos de R$ 63 bilhões por ano.

    Serão divulgadas em dezembro as metas oficiais do Procop, com início de implementação marcado para janeiro. Com isso, a estatal deverá priorizar atividades, ampliar sua produtividade e reduzir custos unitários em suas bases operacionais, envolvendo exploração, produção, abastecimento, gás/energia, suprimento de materiais, estoques de peças, combustíveis e tecnologia da informação.

    A parte do leão – A divisão do bolo de investimentos anunciados no PN 2012-2016 preservou e ampliou as verbas para a área de exploração e produção de óleo/gás. O PN anterior destinava para essas atividades US$ 127,5 bilhões, uma fatia de 57% do total. O PN atual prevê alocar 60% do total em E&P, ou US$ 141,8 bilhões. Quando se olha para os projetos em implantação, o percentual de E&P sobe para 65,8%.



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