Combustíveis

Perspectivas 2017 – Etanol: Produção e demanda caem, mas usinas investem nos canaviais e esperam preços adequados

Hamilton de Almeida
27 de março de 2017
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    Petróleo & Energia, Perspectivas 2017 - Etanol: Produção e demanda caem, mas usinas investem nos canaviais e esperam preços adequadosA escalada da produção de etanol, verificada desde 2013, sofrerá uma puxada de freio este ano. “Na safra 2016/17, devemos ter uma produção total de 27,19 bilhões de litros – 10,2% a menos que no exercício anterior –, dos quais 11,62 bilhões de litros de etanol anidro e 15,57 bilhões de litros de etanol hidratado. O consumo combustível, anidro mais hidratado, é estimado pela Datagro em 26,45 bilhões de litros”, prevê Plínio Nastari, presidente da consultoria especializada no setor sucroalcooleiro.

    O consumo para alcoolquímica e todos os usos industriais e domiciliares deve ficar em 1,68 bilhão de litros. As exportações caem para 1,15 bilhão de litros, e a importação deve atingir 1,23 bilhão de litros. Nastari comenta que a queda da atividade econômica é a grande razão por trás da redução do consumo para alcoolquímica e usos industriais: “A queda na venda de automóveis e o encolhimento da construção civil são elementos importantes que justificam a queda observada no uso de etanol como insumo para a indústria”.

    Esses dados coincidem com as projeções da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), que indicam que a atual safra deverá totalizar 27 bilhões de litros de etanol, sendo 43% de etanol anidro, aditivo misturado na gasolina; e os 57% restantes de etanol carburante. As exportações e importações devem responder por algo em torno de 5% cada. Pelas contas de Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico, 10% da oferta interna de álcool é destinada às exportações e ao consumo não carburante (bebida, limpeza, etc).

    “Esperávamos uma oferta de cana de 640 milhões de toneladas para processar, na região Centro-Sul, e mais 50 milhões no Nordeste. E, provavelmente, a moagem vai ficar em 605 milhões de t, uma quebra de 12,3%”, declara Rodrigues. O Brasil deverá produzir 655 milhões de t este ano. No ano passado chegou a 670 milhões de t. A safra atual de cana-de-açúcar começou em abril de 2016 e termina em março deste ano.

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    Segundo Rodrigues, a diminuição da produção se deveu, “basicamente, por causa dos canaviais envelhecidos, que perdem produtividade. Além disso, 40% da região Sul foi afetada por geadas e a colheita teve que ser antecipada. Essa cana de 4 a 5 meses, muito jovem, reduziu a qualidade da matéria-prima. E ainda aconteceram outros fenômenos climáticos, como o veranico de final de maio e o de agosto-setembro, e a escassez de chuvas em abril e agosto”. A combinação desses fatores afetou a oferta de cana.

    Nastari lembra que, na safra 2015/16, encerrada em 31 de março de 2016, na região Centro-Sul, e em 31 de agosto de 2016, na região Norte-Nordeste, foi atingido o recorde de produção de etanol no Brasil, com 30,42 bilhões de litros, sendo 11,67 bilhões de litros de etanol anidro, e 18,74 bilhões de litros de etanol hidratado.

    O consumo de etanol combustível absorveu 28,69 bilhões de litros de anidro e hidratado. O consumo para alcoolquímica e todos os usos industriais e domiciliares sugou 2,15 bilhões de litros; a exportação representou 1,94 bilhão de litros; e a importação, 0,77 bilhão de litros.

    Para a próxima safra, 2017/18, que será iniciada em 1º de abril, a Datagro estima uma produção de etanol de 26,91 bilhões de litros; o consumo combustível total de 25 bilhões de litros; consumo para alcoolquímica e todos os usos industriais e domiciliares de 1,5 bilhão de litro; exportação de 1,1 bilhão de litros; e importação de 1 bilhão de litros.

    Equilíbrio – Atualmente, Rodrigues diz que há um equilíbrio entre a oferta e a demanda de álcool. Ele assinala que houve uma redução na oferta de cana e de etanol: “Há quatro anos, com a baixa nos preços do açúcar no mercado internacional, os usineiros brasileiros direcionaram muito mais cana para a produção de etanol. Agora, com a melhora nos preços do açúcar, foi reduzida a oferta de etanol hidratado carburante, mas não a do anidro”.

    Essa redução levou, de acordo com o diretor da Unica, à diminuição das exportações. Com isso, há equilíbrio esse ano entre as exportações e as importações de etanol. A tendência, de abril de 2016 a março de 2017, é de uma estabilidade em torno de 1,4 bilhão de litros.

    Petróleo & Energia, Nastari: regulação definirá a competitividade do etanol

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    Nastari recorda: “O Brasil já chegou a exportar 4,68 bilhões de litros de etanol na safra 2008/09. No ano civil de 2008, foram 5,1 bilhões de litros. Desde então, a crise do setor de açúcar e etanol, causada pela intervenção no preço da gasolina, e a alteração da política fiscal, fez com que diminuísse a disponibilidade de produto para exportação”.

    Com relação ao nível dos preços praticados, Rodrigues explica que ele é formado diariamente, dependendo da oferta e da demanda: “Tudo vai depender da política de preços da gasolina mantida pela Petrobras, que está alinhada com o mercado internacional. É isso que vai fazer flutuar o preço do etanol”.

    O etanol também depende da política tributária: 85% do mercado se concentra nos Estados de São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. Na análise de Nastari, no último ano, os preços subiram refletindo a menor oferta. “Estimamos que, em 2017, os preços do etanol continuarão pressionados por uma oferta ainda controlada”, acrescenta.

    RenovaBio – Para Rodrigues, já é possível divisar, entretanto, uma alteração na oferta de cana por conta da renovação dos canaviais e a busca de maior produtividade. O que poderá impactar a produção de açúcar e de etanol nos próximos anos.

    A maior mudança, no entanto, na opinião do executivo, deverá ser protagonizada pelo programa RenovaBio, que ele considera um marco na história do desenvolvimento do setor, comparável ao lançamento do Proálcool (1975) e do surgimento dos carros a etanol e flex – a oferta de cana dobrou no país, entre 2004 e 2008, por causa dos veículos flex.

    “Desde que foi lançada a frota flex do Brasil, em março de 2003, o consumo de etanol hidratado cresceu bastante, passando de 4,75 bilhões de litros em 2004/05, para 14,54 bilhões de litros em 2016/17”, observa Nastari. “O consumo de etanol anidro passou de 7,69 para 11,91 bilhões de litros. No mesmo período, o consumo de etanol para alcoolquímica e todos os usos industriais e domiciliares passou de 1,02 para 1,68 bilhão de litros”.



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