Perspectivas 2015 – Plásticos: Construção civil e embalagens sustentam crescimento do setor de transformação de resinas

Petróleo & Energia, Perspectivas 2015 - Plásticos: Construção civil e embalagens sustentam crescimento do setor de transformação de resinas
A indústria de transformação do plástico prevê tímida recuperação em 2015. A perspectiva está longe de representar um sentimento muito otimista. Deve-se mais aos resultados negativos alcançados em 2014, quando a produção total de transformados plásticos no Brasil caiu 2,7%. Diante desse número modesto deve haver crescimento. Espera-se algo em torno de 1%, o mesmo patamar previsto para a atividade industrial como um todo. Em 2014, o volume de produção ficou próximo das 6,3 milhões de toneladas, movimentando em torno de R$ 67,4 bilhões.

Petróleo & Energia, Roriz Coelho: PICPlast ajuda a conquistar novos espaços
Roriz Coelho: PICPlast ajuda a conquistar novos espaços

“É preciso ser realista, será um ano difícil. Nada indica uma recuperação entusiasmante”, avalia José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast). Os desafios não são poucos. Vão além dos velhos questionamentos feitos pela indústria, problemas como impostos elevados, taxas de juros na estratosfera e deficiências na infraestrutura ou, em resumo, o chamado “custo Brasil”.

Vamos às questões atuais. O crescimento do PIB deve ser tímido. O preço da energia elétrica, reprimido nos últimos tempos, deve sofrer reajuste importante. A inflação ficará próxima do limite máximo estipulado pelo governo, algo em torno de 6,5%, ameaçando o poder de compra dos trabalhadores. Os juros subiram. Para complicar, no Estado de São Paulo, o mais industrializado do país, ronda o fantasma da crise do abastecimento de água.

A valorização do dólar ocorrida nos últimos meses é notícia considerada preocupante por um lado e boa por outro. O aspecto negativo fica por conta do preço das matérias-primas. “Os fabricantes nacionais alinham seus preços de acordo com as cotações externas”, diz o presidente da Abiplast. A queda do preço do petróleo ocorrida nos últimos meses atenua, mas não elimina o problema. A boa nova é que alta da moeda norte-americana inibe as importações, torna mais competitivos os produtos nacionais. “Os países que exportam para o Brasil, no entanto, têm mostrado meios de se defender das variações do câmbio”, adverte Roriz Coelho.

As perspectivas para balança comercial de transformados plásticos comprovam as preocupações do presidente da Abiplast. Para 2015, espera-se um aumento de 6% nas importações, contra aumento de 0,5% nas exportações. “Acreditamos no aumento de 8% no déficit da balança comercial, número que tem crescido de forma preocupante nos últimos anos”. O consumo aparente deve crescer 2% em volume, totalizando 6,9 milhões de toneladas, num valor aproximado de R$ 76 bilhões. O coeficiente de importação representa 12%. Uma boa nova: o número de empregos deve crescer 2%, chegando à casa de 360 mil postos de trabalho.

Todas essas perspectivas podem se mostrar acertadas ou não, dependendo dos rumos da política econômica e industrial a serem adotadas pela nova equipe de ministros do governo federal. Um fato considerado positivo por Roriz Coelho foi a indicação de Armando Monteiro, ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria, para o posto de ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. “A escolha foi boa, se trata de uma pessoa que entende os problemas da indústria, setor que já representou 30% do PIB e hoje conta com 12%”, aponta. A esperança é que o ministro consiga interagir com os demais responsáveis pela política macroeconômica. “Sozinho ele não poderá resolver todos os problemas”.

Uma brisa de esperança – Desafios à parte, a indústria de transformação do plástico tem a seu favor alguns fatores capazes de melhorar o desempenho esse ano. Um deles deve-se a uma particularidade que distingue o plástico de outros materiais, a versatilidade. Graças a essa característica, sempre há a oportunidade de surgir aplicações nas quais ele pode substituir com vantagens outras matérias-primas. Só para citar alguns exemplos comentados hoje em dia, podemos falar dos segmentos de embalagens, onde sempre surgem novos formatos, e construção civil. A indústria automobilística é outra na quala sempre são pesquisados usos revolucionários para a matéria-prima.

A particularidade é reconhecida por Roriz Coelho. O dirigente, no entanto, não acredita que em 2015 essa vantagem deva alavancar o uso de peças plásticas de forma significativa. Para justificar seu raciocínio, aponta o momento delicado enfrentado por setores que se encontram entre os principais clientes. “As áreas de construção civil e indústria automobilística não passam por momento positivo”, afirma.

A maior esperança do presidente da Abiplast reside na área de embalagens, sejam elas de produtos comestíveis, de higiene e limpeza ou cosméticos. “Talvez o setor de embalagens seja o menos atingido, mas nada indica que ele deve crescer muito”. Para esse uso, o plástico vem substituindo vidro, madeira e papel em diversas aplicações nos últimos anos. “A oportunidade existe. É preciso investir em inovação, há um longo caminho a ser percorrido”.

Outro bom motivo para o setor ter esperanças de um ano melhor será a realização de nova edição da Feiplastic – Feira Internacional do Plástico, o maior evento da indústria plástica na América Latina, até hoje responsável pela geração de bons negócios. Na última edição, por exemplo, foram comercializadas 60 máquinas. Ela acontecerá de 4 a 8 de maio de 2015 no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo. Em 2013, visitantes qualificados percorreram o local em busca de inovações, lançamentos e alta tecnologia aliados à sustentabilidade, representando 673 empresas e 1.402 marcas nacionais e internacionais. Além disso, 144 novas empresas internacionais participaram com o interesse em ampliar presença no mercado brasileiro.

“Neste ano, nosso esforço é para que o evento seja ainda maior. Nossas expectativas de fechamento de negócios e visitação são grandes”, explica Liliane Bortoluci, diretora do evento. Em dezembro, a Feiplastic 2015 já estava com 85% do espaço comercializado. A estimativa é de receber 70 mil pessoas, muitas das quais de outros países.

Um terceiro aspecto positivo é citado por Roriz Coelho. Trata-se do Programa de Incentivo à Cadeia do Plástico (PICPlast), iniciativa pioneira da Braskem e da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast). Lançado em 2013, ele apresenta propostas para a melhoria continuada nas exportações e na qualificação e inovação do setor. “Os primeiros resultados mostram que a indústria brasileira de transformação plástica tem muito a ganhar com esta iniciativa”, avalia.

Já são quase 30 empresas que aderiram ao programa de preços incentivados à exportação, contribuindo com aumento das vendas externas de manufaturados. “Isso sem falar nas quase 150 empresas que participaram de treinamentos, feiras e eventos, recebendo capacitação em exportação, estratégia indispensável para o empresário ter conhecimento sobre o mercado internacional”, comentou.

Para ampliar esse trabalho foi criado um Fundo Setorial, que receberá aportes financeiros dos produtores de resinas e da cadeia de transformação para subsidiar as ações de promoção das vantagens do plástico, programas de educação ambiental e consumo responsável, comunicação e suporte para ampliação da reciclagem do plástico no Brasil. O fundo será administrado por um Comitê Gestor formado por representantes da cadeia produtiva.

Bola fora – A Copa do Mundo de 2014 não ficará marcada de forma triste na memória dos brasileiros apenas pela goleada sofrida contra a Alemanha. Para a indústria brasileira, o torneio foi a principal causa do desempenho pífio obtido pelo setor em 2014. O segmento do plástico não fugiu à regra. As manifestações contra a organização da Copa ocorridas em 2013 geraram sentimento muito negativo sobre o que poderia ter ocorrido no ano passado.

As expectativas mais catastróficas não se confirmaram, mas para os empresários foi o suficiente para o entusiasmo ser comparável com o da torcida de um time cujo artilheiro bate um pênalti decisivo mandando a bola para a arquibancada. Além do sentimento de insegurança para a realização de investimentos, o número de dias parados por conta das folgas dadas nos jogos atrapalhou o ritmo da produção. Outros fatores também não ajudaram. Foi o caso, por exemplo, da realização das eleições, uma das mais acirradas da história do país.

Os resultados do cenário podem ser conferidos nos números alcançados pelo setor em 2014. A produção total de transformados ficou em 6,24 milhões de toneladas, 2,7% a menos do que as 6,42 milhões de toneladas produzidas em 2013. O ano até começou bem. No primeiro trimestre, houve alta de 3,9% em relação ao mesmo período do exercício anterior. Nos dois trimestres seguintes se consumou a queda. No segundo, ela ficou em 6,8%. No terceiro, foi de 7,2%. Nos últimos três meses houve pequena recuperação em relação ao mesmo período de 2013, na casa dos 0,6%.

Em termos financeiros, o total movimentado foi de R$ 64,47 bilhões, 6,4% a menos do que os R$ 68,93 bilhões verificados em 2013. O resultado menos negativo ocorreu na manutenção dos níveis de emprego. O número de 2014 ficou na casa dos 353 mil postos de trabalho, queda de 0,8% em relação ao ano anterior. “A desoneração da folha de pagamentos promovida pelo governo ajudou, as empresas optaram pela manutenção de funcionários já treinados”, explica Roriz Coelho.

Balança comercial – Os resultados da balança comercial da indústria de transformação do plástico em 2014 reforçam a tendência verificada nos últimos anos, a da crescente participação dos importados no mercado nacional. No ano passado, vieram ao Brasil 778 mil toneladas de peças plásticas, número 6% superior ao de 2013. Em dinheiro, esse valor representou US$ 3,96 bilhões, 3% a mais do que no exercício anterior. O valor médio do dólar usado para se chegar a esse resultado foi de R$ 2,33. Para ter ideia da evolução das exportações ano a ano, em 2007, foram importadas 411 mil toneladas, que custaram US$ 1,83 bilhão.

Na contramão, as exportações estão em baixa. Em 2014, foram vendidas 238 mil toneladas para outros países, contra 246 mil t em 2013. O valor arrecadado no ano passado ficou na casa do US$ 1,38 bilhão, contra US$ 1,39 bilhão no exercício anterior. A tendência de baixa também tem sido constante. Em 2007, por exemplo, exportamos 333 mil toneladas. A arrecadação na época foi de US$ 1,18 bilhão.

Esses números reforçaram o crescente déficit da balança comercial. No ano passado, ele ficou na casa das 540 mil toneladas, contra 486 mil t em 2013, crescimento de 11%. Em 2007, esse número era de 78 mil toneladas. Em valores, o crescimento do déficit também se acentuou. Em 2014 ficou na casa dos US$ 2,59 bilhões, contra US$ 2,45 bilhões no exercício anterior. Em 2007, ele estava na casa dos US$ 650 milhões. O consumo aparente de plásticos no país caiu de 6,9 mil toneladas em 2013 para 6,78 mil em 2014. Nota-se um crescimento importante nos últimos anos. Em 2007, o consumo aparente era de 5,36 mil toneladas, número em torno de 25% inferior ao do ano passado.

Ao analisar as origens dos produtos que chegam ao país, nota-se a crescente invasão dos chineses. Em 2007, a China respondia por 11% das importações, hoje é responsável por 25%. Os Estados Unidos perderam participação. Em 2007, respondiam por 21% da importação de transformados, número que caiu para 15% em 2014.

A crise na Argentina, por sua vez, não está ajudando os fabricantes nacionais. O país vizinho era responsável pela compra de 27% dos produtos nacionais em 2007, número que chegou a 31% em 2012 e despencou para 21% no ano passado. A crise norte-americana também atrapalhou. Em 2007, as vendas para os Estados Unidos respondiam por 17% do total exportado, número que caiu para 7% no biênio 2011/12 e apresentou recuperação nos últimos dois anos, chegando a 11% no ano passado.

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